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Impressões ao Dirigir: Jaguar E-Type 1970

Passados 55 anos de seu lançamento, o Jaguar E-Type conserva a majestade e coloca seu séquio de joelhos

Por Paulo Campo Grande Atualizado em 5 out 2018, 09h10 - Publicado em 25 Maio 2016, 22h25

Jaguar E-Type

Apresentado no Salão de Genebra de 1961, o Jaguar E-Type acaba de completar 55 anos. Considerado um dos carros mais bonitos de todos os tempos, suas linhas esguias e fluidas ainda hoje encantam qualquer um que goste de automóveis ou simplesmente aprecie as formas dos objetos.

Foi por essa razão que, em 1996, o Museu de Arte Moderna de Nova York decidiu incorporar um E-Type a seu acervo.

Lançado nas versões roadster e cupê, o E-Type foi o primeiro modelo produzido em série a utilizar conceitos avançados de aerodinâmica em seu projeto, com direito a ensaios em túnel de vento, o que até então só era usado para o desenvolvimento de aviões ou carros de corrida.

Jaguar E-Type

Quando chegou às ruas, o E-Type contrastava com carros grandalhões da época. Ele foi projetado para ser uma síntese entre os carros de corrida e os veículos de rua, beneficiando-se do conhecimento da fábrica nessas duas áreas.

Na década de 1950, a Jaguar venceu cinco vezes as 24 Horas de Le Mans: 1951, 53, 55, 56 e 57. As duas primeiras foram conquistadas com o modelo C-Type e as outras três, com o D-Type.

Mas até mesmo um marciano, recém-desembarcado de sua nave e que não soubesse de nada disso, entenderia a grandeza do E-Type imediatamente ao primeiro contato. Bastou esticar a primeira marcha e engatar a segunda para que eu me sentisse abduzido pelo prazer de dirigi-lo.

O impulso soberbo do motor, o sopro metálico dos escapamentos, o grande volante que me dava a sensação de estar no comando, a visão do longo capô à frente, a suavidade ao rodar…

Jaguar E-Type

Essa conjunção leva o mais materialista dos homens a um estado de graça. Não é difícil entender por que o E-Type é tão cultuado em todo o mundo.

Royal Air Force

O E-Type empregava um conceito misto de chassi tubular, na parte dianteira, que sustenta o motor, e monobloco, da cabine para trás. A linha de cintura do carro é bastante baixa, para os dias de hoje.

O limite da porta não chega a cobrir o ombro do motorista. Sob o painel, a cabine afunila enquanto o túnel da transmissão toma boa parte do espaço. Apesar disso, sobrou lugar para os pedais, que são pequenos, mas estão bem dispostos.

A posição de dirigir é confortavelmente esportiva. O motorista tem à sua frente, além do longo capô, que parece ainda maior visto da cabine, um rico cockpit para contemplar.

Jaguar E-Type

As alavancas do freio e do câmbio são cromadas e o painel lembra um avião da RAF (Royal Air Force), em razão dos instrumentos e teclas – uma para cada função, como luz do painel, ventilador -, todos de cor preta, com as inscrições brancas.

O volante tem grande diâmetro, mas não chega a raspar nos joelhos do motorista, como acontece em alguns MG e AC um pouco mais antigos. A direção não tem assistência, mas o motorista só vai perceber isso nas manobras de estacionamento.

Em movimento, o contato com o carro é mais sensível, no sentido de permitir uma interação sem mediação.

Jaguar E-Type

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Jaguar E-Type

A suspensão, que segura a carroceria com competência nas curvas e garante a maciez típica deJaguar, já era independente nos dois eixos. Na frente, o sistema é duplo A e, atrás, usa braços articulados. E os freios empregavam disco nas quatro rodas.

É curioso notar que, na traseira, os discos foram instalados junto ao diferencial, para aliviar o peso nas rodas. Por isso, quando se olha através dos raios não se veem os discos.

Jaguar E-Type

O E-Type estreou equipado com motor 3.8 de seis cilindros em linha, com duplo comando de válvulas e três carburadores. Tinha 265 cv de potência e 35,9 mkgf de torque. Quando a fábrica anunciou o carro e disse que ele atingia 240 km/h de velocidade máxima, as pessoas duvidaram.

Mas, de fato, o E-Type chegou até a ultrapassar essa marca, chegando a 242 km/h, nos testes feitos pela imprensa especializada da época. Em 1964, chegou o motor 4.2 com os mesmos 265 cv mas com maior volume de torque: 38,6 mkgf.

Esses dois motores foram oferecidos até 1966, quando o 3.8 foi aposentado. Em 1971, foi a vez de o 4.2 sair de cena para dar lugar a uma versão V12 5.3 de 272 cv.

Jaguar E-Type

A unidade mostrada aqui, que nos foi emprestada pela loja paulista Private Collections, é uma versão 4.2, ano 1970.

O câmbio de quatro marchas, tipo H, está localizado bem próximo do volante e tem relações longas, mas suficientemente bem dimensionadas para explorar a elasticidade do motor, sem a necessidade de trocas constantes. O E-Type tem engates precisos.

A única marcha que precisou de algum jeito para engatar, no início do teste, foi a ré. O motorista deve jogar a alavanca para a esquerda e depois para trás, ao lado da segunda.

Jaguar E-Type

O E-Type fez um sucesso estrondoso, desde o dia em que foi lançado até sair de linha, em 1974. Segundo a fábrica, foram produzidas mais de 70 000 unidades. Além de bonito e potente, o E-Type tinha outra qualidade: o preço.

Quando foi lançado, ele custava 1 842 libras esterlinas, na versão roadster, e 1945, na cupê Fixed Head (capota rígida). Era cerca de um terço do valor de uma Ferrari. Atualmente, apesar de haver uma oferta razoável de unidades no mercado, o E-Type é bastante valorizado.

A unidade mostrada aqui está à venda por 350.000 reais. Para os colecionadores, o E-Type tem valor histórico pelo que simbolizou para a indústria e para a Jaguar, em particular. Para os entusiastas, vale pela experiência viva e intensa que ele é capaz de proporcionar, ainda hoje, a quem tem o privilégio de dirigi-lo.

Veredicto

Mais que um belo roadster, o E-Type é uma manifestação cultural da paixão inglesa pelos esportes nobres.

Ficha técnica

 
Motor: dianteiro, longitudinal, 6 cilindros em linha, DOHC, 3 carburadores, 3781/4235 cm³, 87 x 92/87 x 106 mm, 265 cv a 5500/5850 rpm, 38,6/35,8 mkgf; V12, SOHC, 4 carburadores / injeção eletrônica, 5393 cm³, 90 x 70 mm, 276 cv a 5850 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas ou automático de 3, tração traseira
Carroceria: oadster/cupê, 2 portas, 2/ 2+2
Dimensões: largura, 182 cm; comprimento, 441 cm; altura, 166 cm; entre-eixos, 264 cm
Suspensão: duplo A (diant.), braços articulados (tras.)
Freios: disco nas 4 rodas
Direção: pinhão e cremalheira
Pneus: 185 HR 15

 

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