Grandes Brasileiros: Chevrolet Monza S/R

Mais que o visual esportivo, o hatch se diferenciava dos outros Monza pelas alterações mecânicas

Larga faixa lateral e filete vermelho diferenciavam o S/R Larga faixa lateral e filete vermelho diferenciavam o S/R

Larga faixa lateral e filete vermelho diferenciavam o S/R (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Ao fim do ano-modelo 1980, o Opala SS teve sua produção encerrada e deixou saudades. Já sem Ford Maverick GT e Dodge Charger R/T, o mercado brasileiro de esportivos de série passou a dispor apenas de modelos médios, como VW Passat TS e Ford Corcel GT, e compactos com esportividade mais no visual que na essência, como o Fiat 147 Rallye.

Os anos trataram de confirmar essa tendência, com a chegada do Ford Escort XR-3 e do VW Gol GT de 1984. A estreia do Monza S/R para 1986 reafirmava essa tradição.

Com quatro anos de mercado, o Monza hatch andava ofuscado pelo sedã, que era oferecido nas versões duas e quatro portas. Com o S/R, o hatch conquistava seu lugar ao sol com um visual diferenciado das versões mais simples.

O aerofólio tinha pouca utilidade para um carro que não ultrapassava os 170 km/h O aerofólio tinha pouca utilidade para um carro que não ultrapassava os 170 km/h

O aerofólio tinha pouca utilidade para um carro que não ultrapassava os 170 km/h (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Faróis de milha, spoiler dianteiro, para-choques pretos com friso vermelho (e uma larga faixa mantendo o padrão nas laterais), rodas de liga leve com desenho exclusivo, retrovisores da cor do carro e aerofólio. Ele também foi o primeiro nacional a ter lanterna de neblina.

Por dentro os bancos eram Recaro e a grafia dos instrumentos, vermelha. Vidros e retrovisores externos eram elétricos.

Direção hidráulica, rádio, ar-quente... quase tudo era opcional no S/R Direção hidráulica, rádio, ar-quente… quase tudo era opcional no S/R

Direção hidráulica, rádio, ar-quente… quase tudo era opcional no S/R (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Os bancos esportivos levavam a marca Recaro Os bancos esportivos levavam a marca Recaro

Os bancos esportivos levavam a marca Recaro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Graças a um carburador de corpo duplo e um novo coletor de admissão, o S/R rendia 10 cv a mais que os demais Monza, 106 cv no total.

O escapamento com saída maior proporcionava um ronco mais encorpado, o câmbio foi encurtado (nas relações e na alavanca), os amortecedores ganharam rigidez e os pneus eram da série 60, em vez de 70.

Com 448 litros, o porta-malas batia o dos rivais Com 448 litros, o porta-malas batia o dos rivais

Com 448 litros, o porta-malas batia o dos rivais (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No primeiro teste com um exemplar de produção, em fevereiro de 1986, o S/R enfrentou seus dois rivais da VW, o Passat GTS e o Gol GT, todos a álcool. Apesar de ser o mais antigo dos três, o Passat levou a melhor.

O S/R chegou a 170,213 km/h e acelerou de 0 a 100 km/h em 12,17 segundos, a pior marca dos três, assim como a de consumo (6,51 km/l na cidade). “O Monza sente o handicap de um peso maior – o carro acusou, na balança, nada menos que 1 143 kg, contra 980 kg do Passat e 950 kg do Gol”, dizia a reportagem.

Em abril de 1987, era vez de o 2.0 ser avaliado pela revista. Agora seu motor era o mesmo dos demais Monza 2.0, mas o câmbio foi novamente encurtado.

O motor 2.0 a álcool chegava a 110 cv e 17,3 mkgf O motor 2.0 a álcool chegava a 110 cv e 17,3 mkgf

O motor 2.0 a álcool chegava a 110 cv e 17,3 mkgf (Christian Castanho/Quatro Rodas)

As retomadas é que mais ganharam com isso. “De 40 a 120 km/h em quinta marcha, levou 24,98 segundos – quase 10 segundos menos que o SL/E, que demorou 34,76 segundos.” Apesar do maior consumo, o motor funcionava redondo em todas as rotações. A estabilidade foi elogiada, assim como o painel completo e fácil de ler.

Até o quadro de instrumentos era diferenciado, com números vermelhos Até o quadro de instrumentos era diferenciado, com números vermelhos

Até o quadro de instrumentos era diferenciado, com números vermelhos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Para 1988, o Monza hatch só estava disponível como S/R. Ele voltava com nova grade, com frisos só horizontais e lanternas da versão Classic. É desse ano o exemplar fotografado, cedido pelo leitor Evandro Fraga, de Campinas (SP).

O carro veio de Florianópolis (SC), onde seu último proprietário não tinha lugar na garagem para ele. Exposto ao tempo por dez anos, o Monza foi todo restaurado.

O S/R de Fraga é da última safra, já que em 1989 o Kadett GS tomaria seu posto e renovaria o segmento, para logo se tornar o primeiro esportivo Chevrolet a contar com injeção eletrônica.

 

Teste QUATRO RODAS – fevereiro de 1988

Aceleração de 0 a 100 km/h 11,55 s
Velocidade máxima 167,2 km/h
Frenagem de 80 km/h a 0 32,80 m
Consumo urbano 6,83 km/l (álcool)
Consumo rodoviário 10,48 km/l (álcool)
Preço (janeiro de 1988) Cz$ 1.494.007
Preço atualizado (IPC-SP/FIPE) R$ 120.624
Motor dianteiro, 4 cilindros, transversal, 1988 cm³, 2 válvulas por cilindro, carburador de corpo duplo, refrigeração a água, a álcool
Diâmetro x curso 86 x 86 mm
Taxa de compressão 12,0:1
Potência 110 cv a 5 600 rpm
Torque 17,3 mkgf a 3 000 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Dimensões comprimento, 453 cm; largura, 169 cm; altura, 133 cm; entre-eixos, 258 cm; peso, 1 200 kg
Suspensão Dianteira: independente, McPherson, braços inferiores transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos, barra estabilizadora. Traseira: eixo de torção, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos, barra estabilizadora
Freios disco ventilado na dianteira e tambor na traseira, com servo
Rodas e pneus liga leve, 5,5 x 14, pneus 195/60 HR14
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