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Fiat 147 0 km ficou 35 anos guardado e passou a valer mais que Fiat novo

Unidade do hatch de 1979 com apenas 118 km rodados foi comprada por comerciante de veículos de Campinas (SP) no ano de 2014

Por Daniel Telles - Atualizado em 11 Maio 2020, 18h33 - Publicado em 11 Maio 2020, 18h15
Modelo foi “resgatado” em 2014 por comerciante de Campinas Reginaldo de Campinas/Reprodução

Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1976, o Fiat 147 foi o modelo responsável por inaugurar a fábrica da marca em Betim (MG) e ainda chegava com a dura missão de competir com Chevrolet Chevette e VW Fusca no Brasil.

Empurrado por um motor de 1.050 cc e 55 cv, acoplado a um câmbio manual de quatro marchas, o pequeno hatch tinha como principal atributo o consumo: chegava a fazer 13 km/l de gasolina.

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Também foi, em 79, o primeiro automóvel brasileiro de produção a usar etanol, fruto do programa Pro-Álcool, incentivado pela ditadura militar.

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O 147 saiu de linha no Brasil em 1986, substituído pelo Uno. Entretanto, quase três décadas depois, no ano de 2014, uma unidade do ano de 1979 foi encontrada na cidade de Franca (SP), com apenas 118 km rodados.

Fiat 147 GLS já era mais ágil que a primeira versão lançada em 1976 Reginaldo de Campinas/Reprodução

Esta versão, GLS, já era equipada com motor 1.3 de 72 cv e 10,8 kgfm, capaz de atingir até 145 km/h. Já a quilometragem é digna de carro zero saindo da concessionária.

O responsável pelo achado foi Reginaldo Gonçalves, mais conhecido como Reginaldo de Campinas.

Dono de uma loja de veículos em sua terra natal (que leva o mesmo nome do dono), Reginaldo conta que viajava por todo o Brasil atrás de relíquias.

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“Houve anos em que cheguei a fazer mais de 90 viagens nacionais atrás de carros. Este 147 comprei em 2014, após receber a informação que ele estava em uma garagem em Franca (SP)”, explica o comerciante.

Odômetro marca incríveis 118 km rodados Reginaldo de Campinas/Reprodução

Aqui cabe um parênteses. Devido à hiperinflação que atingiu o Brasil na década de 1980, muitas pessoas compravam veículos e os armazenavam para depois vendê-los por preços bem maiores.

Neste caso, no entanto, pode-se dizer que a paciência exagerada do dono valeu a pena.

“Na época, paguei na faixa de R$ 30.000 a R$ 40.000 pelo carro, que estava impecável, sem detalhes, até com placa amarela”, relembra Reginaldo.

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Modelo ainda conserva a placa amarela de apenas seis dígitos Reginaldo de Campinas/Reprodução

Embora não queira revelar por quanto revendeu o 147 (certamente acima de R$ 40.000, talvez chegando aos R$ 50.000), Reginaldo garante que não teve dificuldades para repassá-lo.

“Quando aparecem modelos como este, não demora quase nada (para vender). Bastaram dois telefonemas para colecionadores conhecidos e o carro já tinha ido embora.” conta.

Para se ter uma ideia, o carro zero-quilômetro mais vendido daquele ano foi o Fiat Palio. A versão intermediária do modelo, Atractive, com motor 1.4 EVO flex, era comercializada a R$ 36.608.

Mesmo nos dias atuais, um Mobi parte de R$ 34.990, valor ainda mais abaixo daqueles pelos quais o 147 foi comprado e depois revendido se consideradas as correções inflacionárias dos últimos cinco anos.

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