Grandes Brasileiros: Fiat 147 Top

O revolucionário modelo encerrou seu ciclo de produção com toda a pompa e circunstância dos grandes automóveis

Fiat 147 Top: apesar do estilo mais esportivo, é a versão de luxo do compacto

Fiat 147 Top: apesar do estilo mais esportivo, é a versão de luxo do compacto (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Quem tem menos de 25 anos já deve ter incorporado o adjetivo “top” ao vocabulário. Apesar da recente popularidade, o anglicismo é utilizado há décadas para indicar qualidades excepcionais.

Foi empregado pela Fiat italiana em 1979 em uma versão requintada do 127, até então seu modelo de maior sucesso. A filial brasileira repetiu o termo três anos depois, no modelo 147.

Derivado do Fiat 127, o 147 era um automóvel tão “top” para a época que não sentiu o impacto de rivais mais recentes como Chevrolet Chevette hatch e Vokswagen Gol.

Visibilidade total: retrovisor direito e limpador traseiro

Visibilidade total: retrovisor direito e limpador traseiro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Com tração dianteira e motor transversal, ele era imbatível sob o ponto de vista técnico, mas sua dirigibilidade foi seriamente comprometida por um câmbio de engates duros e imprecisos.

Por mais “top” que ele fosse em desempenho, consumo e praticidade, no caso do 147 a última impressão era a que ficava: as arranhadas constantes nas trocas de marcha desgastavam também a sua reputação.

Os engates só foram suavizados em 1982, quando a engenharia da Fiat substituiu o sincronizado Porsche (com anéis de aço) pelo sincronizado BorgWarner (com anéis de bronze).

Interior monocromático foi redesenhado por Nuccio Bertone

Interior monocromático foi redesenhado por Nuccio Bertone (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Para acompanhar a inovação técnica no mesmo ano, nada melhor que duas versões novas. O 147 Racing assumia um caráter mais agressivo, evidenciado pelo pequeno volante de quatro raios e aerofólio no teto.

Já o 147 Top destacou-se por uma esportividade sutil e discreta, com ênfase no conforto proporcionado pelo nível de equipamentos e acabamento interno com materiais de alta qualidade. Sua campanha publicitária era ousada.

Painel tem instrumentação completa e comandos ergonômicos

Painel tem instrumentação completa e comandos ergonômicos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Comandos do painel do Fiat 147 Top

Comandos do painel do Fiat 147 Top (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O 147 Top era definido como um carro de luxo, mas sem o ar pretensioso dos novos ricos. O designer Nuccio Bertone foi convocado para dar prestígio ao novo desenho do interior, com volante de dois raios e painel de instrumentos com conta-giros, marcador de temperatura e manômetro de pressão do óleo.

Voltímetro e relógio ficavam na parte central, e a estranha manopla de câmbio também era obra do estúdio Bertone.

O requinte e a comodidade eram complementados por bancos dianteiros reclináveis de veludo flocado, banco traseiro bipartido, desembaçador do vidro traseiro e cintos de segurança retráteis de três pontos.

O porta-malas acarpetado é um requinte ainda nos dias de hoje

O porta-malas acarpetado é um requinte ainda nos dias de hoje (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No exterior, apliques plásticos nas laterais, retrovisores redimensionados, spoiler dianteiro, faróis de neblina, limpador do vidro traseiro e rodas esportivas em aço estampado.

Custando cerca de 36% mais que o básico 147 C, o Top ainda oferecia opcionais como ignição eletrônica, espelhos com controle interno e o desejado teto solar.

Mas valia a pena para quem quisesse desfrutar do lendário motor 1.3 projetado por Aurelio Lampredi, sempre disposto a trabalhar em altas rotações para impulsionar os 820 kg do pequeno carrinho.

O adesivo na lateral do capô identificava a versão de luxo do modelo

O adesivo na lateral do capô identificava a versão de luxo do modelo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Apesar de menos potente que o Racing (de 72 cv), o Top trazia uma calibração exclusiva graças ao carburador de corpo simples. O resultado eram 61 cv e generosos 9,9 mkgf de torque a 3.000 rpm. O consumo urbano de 10,74 km/l era bem melhor que os 9,88 km/l da versão básica com o motor de 1.049 cm3 e 57 cv.

O Top era o 147 mais equilibrado em desempenho e consumo. Na pista, era marginalmente inferior ao Racing, com máxima de 144,5 km/h (contra 148,45 km/h) e 0 a 100 km/h em 16,43 s (contra 15,97 s).

Motor e câmbio ocupavam só 20% do volume da carroceria

Motor e câmbio ocupavam só 20% do volume da carroceria (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O comportamento dinâmico era favorecido por freios eficientes e suspensão independente nas quatro rodas. Chegava a ser mais rápido que esportivos como o Chevette S/R.

“Até onde sabemos foram produzidas só 252 unidades”, conta Marcelo Paolillo, colecionador paulistano dedicado a clássicos italianos.

Muito valorizado pelos entusiastas da Fiat, o 147 Top foi substituído em 1983 pelo Spazio CLS, que apesar de receber outros avanços técnicos não tem a mesma popularidade, graças aos apliques plásticos que comprometeram a harmonia do seu desenho.

Teste QUATRO RODAS – Novembro de 1981

  • Aceleração 0 a 100 km/h: 16,43 s
  • Velocidade máxima: 144,5 km/h
  • Consumo urbano: 10,74 km/l
  • Consumo rodoviário: 14,09 km/l
  • Preço: Cr$ 863.170
  • Preço (atualizado INPC/IBGE): R$ 83.500

Ficha técnica – Fiat 147 Top 1982

  • Motor: transversal, 4 cilindros em linha, 1.297 cm³, carburador simples; 61 cv a 5.400 rpm; 9,9 mkgf a 3.000 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas, tração dianteira
  • Dimensões: comprimento, 371 cm; largura, 154 cm; altura, 135 cm; entre-eixos, 222 cm; peso, 820 kg
  • Rodas e pneus: 145 SR13
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  1. Porcaria apertada, mecânica super frágil e cambio lixo.

  2. Quem reclama não tem ideia do que esse carro trouxe em avanços, 20 anos antes, dos famosos “populares” da década de 90.