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F1: GP de São Paulo tem azar, batidas precoces e pódio com surpresas

À parte do domínio de Max Verstappen, GP São Paulo de Fórmula 1 tem Leclerc azarado, extremos geracionais no pódio e festa nas arquibancadas

Por Eduardo Passos
Atualizado em 1 dez 2023, 11h44 - Publicado em 5 nov 2023, 18h49

Ao longo da cobertura do fim de semana, QUATRO RODAS fez questão de reforçar a imprevisibilidade de Interlagos. No domingo do Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1 2023, isso ficou claro já antes da largada, quando Charles Leclerc, da Ferrari, bateu na volta de apresentação.

Max Verstappen repetiu, no Brasil, um desempenho à parte do resto da Fórmula 1
Max Verstappen repetiu, no Brasil, um desempenho à parte do resto da Fórmula 1 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O piloto de Mônaco sofreu uma pane hidráulica e o eixo de trás travou repentinamente, fazendo-o colidir com o muro. Lamentação de milhares fãs, principalmente jovens mulheres, que gritaram bastante sempre quando ele aparecia nos telões.

Com o mesmo sol de sábado e temperaturas mais amenas, a corrida principal do GP de São Paulo ocorreu sob as condições ideais para uma festa. No autódromo lotado, houve de tudo: do samba-enredo que garante o clichê brasileiro na transmissão de TV ao hino nacional cantado por Ludmilla sob o som elegante de Miguelzinho do Cavaco. Rubens Barrichello foi homenageado e os pilotos desfilaram em carros antigos diversos, entre outras ações.

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Carlos Sainz desfilou em uma Ferrari 348 de 1993 antes da corrida
Carlos Sainz desfilou em uma Ferrari 348 de 1993 antes da corrida (Fernando Pires/Quatro Rodas)

No asfalto, a já tradicional Porsche Cup foi acompanhada da Fórmula 4 brasileira. A nova categoria tem homens e mulheres em seu grid e chega com a missão de facilitar a volta de pilotos do nosso país à Fórmula 1, dado que conta pontos para a superlicença obrigatória no topo do automobilismo.

Podendo correr em território nacional, os aspirantes gastam muito menos do que gastariam na F4 europeia. Na barreira econômica elevadíssima da F1, o esporte não é ferramenta de ascensão social a jovens carentes, por exemplo, mas desafio até para quem tem dinheiro.

A identificação com o Brasil não foi suficiente para elevar a atuação frustrante de Lewis Hamilton
A identificação com o Brasil não foi suficiente para elevar a atuação frustrante de Lewis Hamilton (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Para quase todo mundo, entretanto, havia alguma sensação de pertencimento: Hamilton e seu ativismo social era a torcida da grande maioria de pessoas negras que conversamos. Meninas procuravam saber sobre as pilotas da F4, militares esperavam ansiosos pela apresentação dos colegas da Esquadrilha da Fumaça. Até quem foi para acompanhar o cônjuge se empolgava pelo mero charme da coisa.

Só o ET Verstappen parou Lando Norris
Esquadrilha da Fumaça se apresentou antes da largada (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Mas mesmo tão ligada ao dinheiro, transmitida só com placares em inglês e sem brasileiros competindo, a competição continua amada aqui. Logo após o acidente de Leclerc, áreas de circulação ao lado do S do Senna estavam repletas de auxiliares de limpeza, seguranças e motoristas que não apenas tinham curiosidade, mas mostravam acompanhar de perto o circo.

Sorte deles, pois foi nas curvas iniciais que a Haas de Kevin Magnussen varou a pista e levou a plateia ao delírio. Com fama de trapalhão mas sempre simpático, parecia que o dinamarquês tinha feito um gol quando saiu do carro. Talvez não tenha entendido o espírito brasileiro de rir da desgraça, pois não retribuiu a linguagem incomum de carinho.

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Esse é o resultado de um sanduíche de Haas com recheio de Williams
Esse é o resultado de um sanduíche de Haas com recheio de Williams (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Alex Albon, da Williams, também foi vítima no incidente — causado, de forma irônica, pelo outro piloto da Haas, Nico Hulkenberg. Ainda na reta dos boxes, o alemão fechou Albon, levando o tailandês a girar e bater em Magnussen. Com pneus pela pista e dois carros parados, a bandeira vermelha foi balançada em menos de 1 minuto de prova.

Relargada foi na segunda volta e muita coisa já tinha mudado
Relargada foi na segunda volta e muita coisa já tinha mudado (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Aí muito já tinha mudado: Max Verstappen, da Red Bull, seguia líder (é claro), mas Lando Norris (McLaren) havia assumido a vice-liderança. As Aston Martin de Fernando Alonso e Lance Stroll não mantiveram a segunda fila e ainda abriram lugar para a Mercedes de Lewis Hamilton.

Na relargada, as coisas foram mais normais. Da segunda volta em diante, Verstappen pisou fundo na liderança absoluta. Norris se esforçou bravamente para segurá-lo, mas a vantagem do holandês crescia a conta-gotas e, ao fim das 71 voltas, foi de 8,2 s. O inglês, por sua vez, também não foi ameaçado por mais ninguém e só o desempenho extraterrestre de Max foi capaz de derrotá-lo.

Só o ET Verstappen parou Lando Norris
Só o ET Verstappen parou Lando Norris (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Já a Mercedes mostrou que o espetáculo dado na corrida de Interlagos em 2021 é um passado distante. Hamilton reclamou bastante do carro e terminou em um melancólico oitavo lugar (seu companheiro George Russel abandonou na 57ª volta por superaquecimento do óleo).

Dois anos atrás, Mercedes fazia história no Brasil. Bem diferente desse ano
Dois anos atrás, Mercedes fazia história no Brasil. Bem diferente desse ano (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Alonso foi quem completou o pódio, mostrando que 42 anos não é nada. Mesmo com carro bem inferior à Red Bull de Sergio Pérez, o espanhol segurou o mexicano na sua cola o tempo todo. Na penúltima volta, Pérez conseguiu ultrapassá-lo, mas logo tomou o troco e causou uma última explosão da torcida, sempre afeita aos bad boys do grid.

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Alonso e Pérez travaram uma guerra hispânica ferrenha
Alonso e Pérez travaram uma guerra hispânica ferrenha (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Stroll veio em quinto, garantindo um resultado espetacular para as pretensões da Aston Martin em São Paulo. Ainda na zona de pontuação, destaque para Yuki Tsunoda, da AlphaTauri, que repetiu a boa atuação da corrida Sprint de sábado. Seu companheiro Daniel Ricciardo teve o carro atingido por um pneu ainda na largada, possivelmente contribuindo para o 13º lugar, penúltimo entre os que completaram e logo à frente de Oscar Piastri, da McLaren.

Yuki Tsonoda soltou faíscas em Interlagos
Yuki Tsonoda soltou faíscas em Interlagos (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Após um fim de semana volátil, não há dúvidas da dinastia Verstappen na Fórmula 1. Não se nega, ainda, o impressionante vigor da categoria, que há uma década via seu público envelhecer e perder o interesse de forma acentuada e vive o inverso agora.

Dentro e fora das pistas, não será a corrida inesquecível de ninguém, mas todos saem mais ou menos satisfeitos
Alonso, de 44 anos, contrasta com os 23 de Lando Norris e os 26 de Verstappen (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Em três dias, mais de 250.000 pessoas, com diversidade de idade e gênero, curtiram uma das paixões nacionais, com direito a batidas inesperadas e calmaria temperada com tempestade. No fim das contas, uma outra certeza de Interlagos é sua incerteza nas pistas.

Resultado da corrida Grande Prêmio São Paulo de Fórmula 1 2023

Max Verstappen Red Bull/Holanda
Lando Norris McLaren/Reino Unido
Fernando Alonso Aston Martin/Espanha
Sergio Pérez Red Bull/México
Lance Stroll Aston Martin/Canadá
Carlos Sainz Ferrari/Espanha
Pierre Gasly Alpine/França
Lewis Hamilton Mercedes/Reino Unido
Yuki Tsunoda AlphaTauri/Japão
10º Esteban Ocon Alpine/França
11º Logan Sargeant Williams/Estados Unidos
12º Nico Hulkenberg Hass/Alemanha
13º Daniel Ricciardo AlphaTauri/Austrália
14º Oscar Piastri McLaren/Austrália
DNF George Russel Mercedes/Reino Unido
DNF Valtteri Bottas Alfa Romeo/Finlândia
DNF Guanyu Zhou Alfa Romeo/China
DNF Kevin Magnussen Haas/Dinamarca
DNF Alex Albon Williams/Tailândia
Não largou Charles Leclerc Ferrari/Mônaco
Poucos campeões foram tão absolutos quanto Verstappen em 2023; a temporada Fórmula 1 continua daqui a duas semanas em Las Vegas, EUA, na primeira corrida da pista e a penúltima da temporada
Poucos campeões foram tão absolutos quanto Verstappen em 2023; a temporada Fórmula 1 continua daqui a duas semanas em Las Vegas, EUA, na primeira corrida da pista e a penúltima da temporada (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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