Clássicos: Maserati Ghibli, o furacão italiano

Automóvel de nobres e magnatas, o Ghibli representava o que havia de melhor em requinte, conforto e desempenho

Um dos desenhos mais famosos de Giugiaro, o Ghibli tem nome de vento

Um dos desenhos mais famosos de Giugiaro, o Ghibli tem nome de vento (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A história do Maserati Ghibli começa na última edição da Mille Miglia, em 1957. Seis adultos e cinco crianças morreram quando Alfonso de Portago perdeu o controle da sua Ferrari 335 S, evento que ficou conhecido como a Tragédia de Guidizzolo.

Com a Itália em luto, a Maserati encerrou sua atividade nas pistas. A empresa comandada por Adolfo Orsi concentrou seus recursos na produção de cupês grã-turismo como o 3500GT, o 5000GT e Sebring.

Batizado em alusão a um vento quente que sopra no deserto do Saara, o Ghibli foi apresentado no Salão de Turim de 1966. Era um carro de luxo e alto desempenho para percorrer longas distâncias entre as capitais da Europa e outros aprazíveis destinos.

O bocal atrás da janela lateral indica a posição dos dois tanques

O bocal atrás da janela lateral indica a posição dos dois tanques (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Grande (4,7 metros), pesado (1.625 kg) e veloz, tinha conforto de sobra para um casal de abastados e toda a bagagem que pudessem carregar.

Nomeado Tipo AM 115, ele manteve o tradicional chassi tubular Maserati apoiado em suspensão dianteira de braços duplos com molas helicoidais e traseira com eixo rígido e molas semielípticas.

Projetado nos anos 50 para o Maserati 450S, o V8 de alumínio de 4,7 litros rendia 315 cv. Trazia duplo comando de válvulas nos cabeçotes, câmaras hemisféricas e quatro carburadores Weber 40 DCNF.

No interior, há espaço de sobra para dois ocupantes

No interior, há espaço de sobra para dois ocupantes (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O cárter seco permitiu montar o motor numa posição bem baixa, indispensável às linhas do jovem Giorgetto Giugiaro em um de seus primeiros trabalhos para o estúdio Ghia.

Um desenho aerodinamicamente correto e harmônico em todas as proporções. Capô longo, para-brisa radicalmente inclinado e teto em queda suave sobre o terceiro volume, com o ponto mais alto da carroceria a apenas 1,16 metro do solo.

A produção teve início em 1967. Ar–condicionado e a transmissão ZF de cinco marchas eram de série, mas não demorou para que o câmbio automático BorgWarner de três velocidades fosse oferecido.

O volante com três raios é da marca Hellebore e instrumentos, da Veglia

O volante com três raios é da marca Hellebore e instrumentos, da Veglia (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A lista de opcionais incluía também a direção hidráulica ZF, escapamentos quádruplos, cinto de segurança, espelhos retrovisores externos, rodas raiadas Borrani, toca–fitas de cartucho e faróis de neblina.

O V8 de baixa rotação agradou clientes de todos os tipos, como o todo-poderoso Henry Ford II. Ia de 0 a 100 km/h em 7 s, com máxima de 274,8 km/h. Mas o que realmente importava era seu refinamento: o Ghibli rodava por horas a 200 km/h sem esforço, a apenas 4.500 rpm.

Os freios eram a disco nas quatro rodas e a autonomia era garantida por dois tanques laterais instalados atrás do eixo traseiro, totalizando 100 litros.

O motor é um V8 de baixa rotação, bem ao gosto dos americanos

O motor é um V8 de baixa rotação, bem ao gosto dos americanos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Por mais diferentes que fossem, as comparações com o Lamborghini Miura eram inevitáveis. A imprensa especializada enaltecia o V12 central e as suspensões independentes do esportivo de Sant’Agata Bolognese, ignorando o minúsculo porta-malas e os sérios problemas de ergonomia.

Seu concorrente direto era a Ferrari 365 GTB / 4 Daytona, um legítimo grã-turismo de motor V12 dianteiro apresentado em 1968.

Duas variantes surgiram em 1969. A primeira foi o conversível Spyder, com apenas 125 unidades produzidas, menos da metade com a opção do teto rígido.

Faróis escamoteáveis melhoram a aerodinâmica. Rodas de Campagnolo

Faróis escamoteáveis melhoram a aerodinâmica. Rodas de Campagnolo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A outra foi o Ghibli SS, que teve a cilindrada aumentada para 4,9 litros graças ao maior curso do virabrequim. A potência subia para 335 cv, com 0 a 100 km/h de 6,2 s e a máxima declarada de 280 km/h.

No total, 1.170 Ghibli foram produzidos até 1973. A aquisição da Maserati pela Citroën deu aos italianos mais recursos e tecnologia para desenvolver dois novos grã-turismo, também batizados com nomes de vento: o Bora (Tipo AM 117) e o Khamsin (Tipo AM 120).

O nome Ghibli seria utilizado novamente pela casa de Modena em outras duas ocasiões: no cupê Tipo AM336 dos anos 90 e no sedã executivo Tipo M157 produzido desde 2013.

Ficha técnica – Maserati Ghibli

  • Motor: V8 de 4,7 litros; 310 cv a 6.000 rpm; 47 mkgf a 3.500 rpm
  • Câmbio: manual de 5 marchas; tração traseira
  • Carroceria: fechada, 2 portas, 2 lugares
  • Dimensões: comprimento, 470 cm; largura, 179 cm; altura, 116 cm; entre-eixos, 255 cm; peso, 1.650 kg
  • Desempenho: 0 a 100 km/h em 7 s; velocidade máxima de 274,8 km/h
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