BYD quer nacionalizar 50% das peças na fábrica de Camaçari (BA) até 2027
Montadora projeta ter 12 modelos em produção no local e capacidade de 600 mil unidades por ano
A BYD está em processo de nacionalização de componentes em sua fábrica de Camaçari (BA). Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da montadora no Brasil, a projeção é de que 50% das peças sejam feitas no país até 2027. Há mais de 200 fornecedores homologados.
“Nosso objetivo é atingir 50% [de nacionalização] até 2027, e isso é contratual… Foram contratos firmados com o governo do estado e com a União para que a gente pudesse ter todo esse objetivo sendo alcançado”, afirmou o executivo durante coletiva de imprensa feita na fábrica de Camaçari, nesta terça-feira, 3.
Para isso, o primeiro passo é terminar os galpões de pintura, estamparia e solda, que já estão de pé e ficam ao lado do prédio onde são montados os carros da BYD. Por enquanto, a produção ocorre no formato SKD, com os carros vindos da China desmontados. No local, motor e transmissão são acoplados na carroceria, além de rodas e processo de finalização. Os modelos passam pelas linhas por meio de elevadores.
Outro componente que será nacionalizado será a bateria, que será produzida em um prédio que já existe. “Primeiramente, a gente busca por fornecedores. Como o caso da bateria que não é possível, é um produto que a própria BYD faz, indiscutível que nós temos um projeto para trazer aqui para essa planta industrial, para que a gente consiga ser mais competitivo. Para que a gente consiga ter uniformidade no fornecimento”, ressalta Baldy.
Futuro da BYD no Brasil passa pela fábrica
Após ser adiada por problemas de maquinário, licenças e trabalho análogo à escravidão, a inauguração da fábrica aconteceu em outubro de 2025. Do local saem três modelos nacionalizados: o elétrico Dolphin Mini, além dos híbridos King e Song Pro. Ainda esse ano, uma opção flex do SUV sairá do local. O Song Plus também foi confirmado para a fábrica. Ao todo, serão 12 modelos com o complexo em total funcionamento.
Depois de finalizado os processos de nacionalização, a fábrica será “espelhada” com um terreno ao lado ainda a ser adquirido, que promete aumentar a capacidade produção de 300 mil para 600 mil unidades até o final da década. Atualmente, a capacidade anual é de 150 mil veículos. São aproximadamente 2.300 empregados diretos e outros 2.500 indiretos – futuramente serão cerca de 20.000. Há um turno de funcionamento.
Além de utilizar o local de forma estratégica para exportações na América Latina, a BYD tem como objetivo disputar o topo de vendas no mercado nacional nos próximos quatro anos. A BYD investe R$ 5,5 bilhões no local, que tem uma área de 4,6 milhões de metros quadrados, criando sua maior unidade fora da China. Desde a inauguração, 25 mil carros já foram montados no local, com uma média de 420 unidades por dia.






