A revolução dos esportivos de fibra de vidro

No pós-guerra, americanos trouxeram influência européia para os carros americanos - e o fizeram com as próprias mãos, graças ao uso da fibra de vidro

1949 Kurtis Sport Kurtis Sport, de 1949, considerado o primeiro carro de produção a usar Fibra de Vidro em sua carroceria.

Kurtis Sport, de 1949, considerado o primeiro carro de produção a usar Fibra de Vidro em sua carroceria.  (/)

Após o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, os soldados americanos só pensavam em voltar pra casa, encontrar suas esposas e sair para um passeio de carro na California. A definição de carro de passeio para eles, porém, era outra depois de conviverem na Europa com os pequenos e ágeis esportivos do velho mundo – aqueles de dois lugares, sem teto, motor potente e suspensão esportiva. Mas trazer algo como um Jaguar XK para a América não era lá muito barato. Isso acabou fomentou a onda dos hot-rods.

Brooks Boxer Bill Tritt e Ken Brooks durante a fabricação do Brooks Boxer

Bill Tritt e Ken Brooks durante a fabricação do Brooks Boxer  (/)

Na década de 1950, parecia que em cada rua americana existia um projeto de carro acontecendo em uma garagem. A grande dificuldade, porém, era criar uma carroceria, pois o material usado era o alumínio, caro e díficil de manusear. Foi o que experimentou o oficial da USAF Ken Brooks, que estava empacado em seu projeto de esportivo próprio. Certo dia, Ken conheceu Bill Tritt, um construtor de barcos de fibra de vidro. Tritt, entendeu os problemas de Ken e apresentou a ele a fibra de vidro, material leve, barato e fácil de manusear. Depois de alguns anos juntos trabalhando dentro de uma garagem, nascia o Brooks Boxer, carro com chassi e motor de um Willys velho, reacerto de suspensão e uma carroceria de fibra de vidro que lembrava muito a do Jaguar XK120.

GlassparBrooks_01_1000 Imagem da matéria que revolucionou o mercado de carros nos EUA. O Glasspar G2

Imagem da matéria que revolucionou o mercado de carros nos EUA. O Glasspar G2  (/)

A partir daí, Bill Tritt converteu sua empresa de barcos em uma empresa de carros e lançou o pioneiro Glasspar G2. A eclosão da Guerra da Coréia, em 1951, fez sua operação ir para o buraco antes mesmo de começar. Bill então se se juntou à outra empresa, a Naugatuck Chemical, que assumiu a operação e lançou o G2. Do dia para a noite, surgia uma nova febre de carros artesanais nos EUA.

Após a revista Life (então a mais importante dos EUA) fazer uma matéria sobre os carros de fibra de vidro, eles se tornaram um sonho de consumo americano. O fato de você poder fazer o seu próprio carro em sua garagem seduziu todo o país. Você comprava um kit e, com poucos recursos, conseguia construir um esportivo na sua garagem.

Glasspar_09_10001 Imagem da matéria que revolucionou o mercado de carros nos EUA. O Glasspar G2

Imagem da matéria que revolucionou o mercado de carros nos EUA. O Glasspar G2  (/)

Bill Tritt e Ken entraram para a história, mas outros também se aventuraram nos carros de fibra antes deles. De acordo com a Forgontten Cars, o primeiro carro esportivo de fibra conhecido é o Kaiser Darrin, de 1946. Depois dele veio o Kurtis Sport, de 1949, considerado o  primeiro carro de produção a usar fibra de vidro.

Kaiser Darrin O primeiro carro de fibra da era pós guerra nos EUA foi o Kaiser Darrin

O primeiro carro de fibra da era pós guerra nos EUA foi o Kaiser Darrin  (/)

Um dos que puderam dirigir o Glasspac G2 foi Harley Earl, designer da General Motors. Diz a lenda que, a partir dessa experiência e da ascenção dos carros de fibra de vidro artersanais, Earl criou em 1953 o primeiro Corvette, também feito de fibra. E o resto é história.

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