Stellantis promete baterias de carros elétricos pela metade do preço até 2030
Conglomerado investe no desenvolvimento de baterias de enxofre, que promete recarga mais rápida e mesma energia por menos da metade do preço

O segredo das melhores baterias de carros elétricos está, basicamente, na química. Vencerá quem desenvolver a bateria com maior densidade, menor custo e que aceite a maior potência de recarga sem que isso comprometa sua durabilidade. Não será nada simples, mas a Stellantis anunciou aquele que poderá ser o caminho para reduzir o preço das baterias pela metade.
A aposta do conglomerado que comanda 16 marcas, entre elas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën será nas baterias de lítio-enxofre, em parceria com a Zeta Energy. A proposta é desenvolver baterias mais baratas e com a mesma energia das atuais baterias de íons de lítio, porém com peso reduzido.
As baterias de lítio-enxofre ocupariam o mesmo espaço para entregar a mesma capacidade energética, mas serão mais leves e isso permitirá que a autonomia seja ampliada. Além disso, a tecnologia tem o potencial de melhorar a velocidade de carregamento rápido em até 50% e o custo poderá ficar abaixo da metade do que é praticado pelas baterias de íons de lítio convencionais.

O enxofre é uma matéria-prima bastante disponível e acessível, o que diminui os custos de produção e reduz os riscos na cadeia de suprimentos. Além disso, a produção destas baterias utilizam resíduos e metano e enxofre não refinado, um subproduto de várias indústrias, o que reduz significativamente as emissões de CO2 na comparação com qualquer tecnologia de bateria existente. Ou seja, também reduzirá a pegada de carbono da produção dos carros elétricos.
O grande desafio do desenvolvimento desta tecnologia será aumentar o ciclo de vida da bateria de lítio-enxofre e garantir, justamente, a estabilidade dos cátodos de enxofre, a sua compatibilidade eletrolítica e segurança conforme acontece a degradação do eletrólito. Ou seja: é muito promissor, mas ainda há muito trabalho pela frente.
O acordo entre a Stellantis e a Zeta Energy inclui o desenvolvimento da pré-produção e o planejamento para a produção até 2030. Desde já, as empresas garantem que não existe a necessidade de construir novas gigafábricas e que será possível produzir essas baterias com uma cadeia de suprimentos curta e totalmente local, seja na Europa ou na América do Norte.