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Como tecnologia do Bitcoin já evita fraudes com carros usados no Brasil

Tecnologia de tokenização vai funcionar como uma 'carteirinha de vacinação do carro' e incluir histórico de revisões entre outras informações

Por Mauro Balhessa 26 mar 2026, 19h57 •
Projeto-piloto Passaporte Veicular Digital
Projeto-piloto Passaporte Veicular Digital (AEN/Geraldo Bubniak/Divulgação)
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  • “Tokenização” não é uma palavra bonita, mas representa uma solução para o controle de peças e automóveis. Trata-se de uma identidade eletrônica segura e imutável que já ajuda a evitar fraudes com automóveis e autopeças em países como Estados Unidos, Estônia, Japão e Índia. No Brasil, essa tecnologia começou a ser implementada em 2025 por meio de um projeto-piloto no Paraná e está em expansão para outros estados brasileiros.

    A iniciativa é fruto de um acordo de cooperação técnica entre o Detran-PR, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa Vetrii. Além do Detran, concessionárias e montadoras, os próprios usuários poderão validar informações de uso, como o abastecimento com gasolina premium.

    Funciona assim: cada veículo possui um token único vinculado ao número do chassi via blockchain — um registro digital que armazena dados em blocos interligados de forma segura e imutável, que também é usado para validar transações de criptomoedas, como o Bitcoin. Isso permite o rastreamento ao longo de toda a vida útil de motos, carros, comerciais leves e caminhões.

    Em resumo, esse registro pode reunir dados que abrangem desde informações de fábrica até o histórico de revisões, quilometragem, seguros, financiamentos e transferências. Os desenvolvedores ressaltam que, atualmente, mesmo com chassi, placa e Renavam, o veículo não possui rastro ou memória sistêmica.

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    O objetivo é que o sistema, batizado de “Passaporte Veicular Digital”, seja implantado integralmente no Paraná até o fim de 2026. A frota estadual será integrada ao banco de dados de forma digital, sem necessidade de inspeção física ou custos ao cidadão.

    “Criamos um espelho da propriedade física na rede blockchain baseado no conceito de GPP (Digital Product Passport). Na prática, unimos as especificações técnicas, peças e manutenções ao histórico do veículo”, afirma Fabiano Falvo, CEO da Vetrii.

    Montadoras como Renault, General Motors, Volkswagen, Stellantis e Hyundai já acompanham o projeto e fornecem dados. O Detran-PR é o responsável pela custódia das informações, mas o proprietário acessa o passaporte pelo sistema do órgão. Esses dados podem ser compartilhados no momento da venda para que o interessado verifique a procedência, sendo o acesso transferido ao novo dono.

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    Funcionamento da tokenização de veículos
    Funcionamento da tokenização de veículos (Tecpar/Hedeson Alves/Divulgação)

    “Assim como em um passaporte de viagem, quem emite o documento é uma autoridade, neste caso, o Detran. Quando o veículo muda de estado, ocorre a transferência da custódia do token para o outro Detran”, explica Falvo. No sistema, podem ser tokenizadas entre 30 e 40 peças, incluindo alternador, compressor de ar-condicionado e central multimídia.

    Quais são os benefícios da tokenização?

    A tecnologia promete aumentar a segurança na compra e venda de usados, coibindo fraudes como a adulteração de odômetro ou a omissão de colisões graves. Isso deve tornar a precificação de seminovos mais justa, valorizando proprietários que mantêm as revisões em dia.

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    A longo prazo, a ideia é permitir que a transferência de propriedade seja feita de forma tokenizada, garantindo segurança jurídica na transação financeira. Há também um viés de sustentabilidade: o sistema facilita o rastreio e o descarte correto de baterias de carros elétricos.

    “O proprietário pode registrar manutenções, trocas de peças e até o tipo de combustível. Na hora da venda, o histórico não é apenas uma história contada, mas uma informação validada”, explica Eduardo Marafon, presidente da Tecpar.

    Teste e futuro

    O projeto-piloto contempla uma frota de mais de 3.400 veículos inscritos em 128 cidades paranaenses. A frota é composta majoritariamente por automóveis (70%), seguidos por caminhonetes, motocicletas, caminhões e reboques. Enquanto o Paraná valida o processo, outros estados já mantêm conversas avançadas com a Tecpar e a Vetrii para a expansão da tecnologia.

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