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Correia dentada ou corrente metálica? Qual a melhor solução para o motor?

Você prefere o componente metálico ou de borracha? Veja aqui características, prós e contras de cada tipo de peça do motor

Por Fernando Miragaya 22 jun 2021, 13h47
Correia e Corrente de comando
As correntes têm ganhado espaço nos novos projetos. As correias de borracha são peças mais baratas Acervo Quatro ROdas/Quatro Rodas

Esse é um dos Fla-Flus mais famosos do universo dos automóveis, capaz de provocar discussões acaloradas em uma mesa de bar, com torcedores das duas agremiações. De um lado, temos os defensores das correias dentadas, por serem mais leves, baratas e menos barulhentas. Na outra parte da arquibancada, a torcida da corrente metálica, com gritos de maior durabilidade e de que se trata de uma peça mais segura e confiável, que não tem risco de deixar você na mão de uma hora para outra.

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Mas, afinal, qual é a campeã entre correia e corrente? Por que alguns modelos usam a peça emborrachada, enquanto outros veículos da mesma marca às vezes – e até da mesma plataforma – usa o item feito de metal? Tudo tem a ver com projeto e custo. As correias são mais baratas, porém as correntes ganham mais espaço à medida que a indústria busca motores mais compactos e eficientes.

Só que alguns estigmas ficaram no passado. Tem montadora que pede troca da correia dentada em mais de 100.000 km. E as correntes hoje fazem muito menos ruído. “As diferenças entre correia e corrente se concentram mesmo em manutenção, custo e ruído. A diferença em termos de desempenho é mínima”, resume o engenheiro mecânico Renato Passos, especialista em manutenção automotiva. Veja as vantagens, desvantagens e aplicações de cada sistema.

Para começar, o que é correia e corrente? 

A correia ou a corrente de distribuição são as responsáveis pelo sincronismo correto entre o virabrequim (ou árvore de manivelas) e o eixo-comando de válvulas. Ou seja, elas garantem o movimento correto dos pistões nos cilindros e a abertura e o fechamento de válvulas de modo sincronizado.

De forma resumida e simples, a peça de distribuição garante que a válvula não estará dentro do cilindro quando o pistão subir para comprimir a mistura ar+combustível. Caso contrário, as válvulas podem empenar e o motor pode precisar de retífica. Conclusão: correia ou corrente são fundamentais para o perfeito funcionamento do propulsor.

Seu bolso 

Na hora de fazer contas, a correia dentada é bem mais vantajosa. A diferença pode chegar a 15 vezes dentro da própria marca. Um exemplo: um kit de correia dentada do VW Gol não sai por mais de R$ 100. Mas o conjunto de corrente do Tiguan e do Jetta TSI pode custar R$ 1.500.

“Quando necessita de substituição, a corrente é mais onerosa. E não está incólume a defeitos. A troca da correia, na maioria das vezes, também é mais fácil”, observa Passos.

Mas e a durabilidade?

Apesar de não estar livre de defeitos, como salientou o engenheiro mecânico, a corrente tem vida útil mais longa. Em muitos casos, donos de veículos 0-km equipados com a peça podem vender o carro depois de dois anos e nem se lembrarem desse componente.

Isso porque, em média, a peça metálica pode rodar mais de 150 mil km na maioria dos carros. Já a correia dentada pede trocas, geralmente, entre 50.000 e 60.000 km, conforme o fabricante e o modelo.

Porém, essa discrepância tem diminuído bastante. A Ford usava correia imersa em óleo na falecida linha Ka com motor Dragon. Os intervalos de troca eram a cada 240.000 km. A Volkswagen também pede prazos dilatados para a peça de borracha na linha Up!: 120.000 km.

Corrente é barulhenta? 

Isso ficou famoso nos anos 1970, quando os itens metálicos eram amplamente utilizados nos veículos. Os ruídos, inclusive, foram um dos argumentos da indústria para trocar a corrente pelas correias dentadas – bem mais baratas –, especialmente dos anos 1980 em diante. “Hoje em dia, essa diferença de barulho é mínima e facilmente contornável”, diz o engenheiro.

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Como saber se a correia está para romper?

Pois é, o equipamento de borracha pode se romper e deixá-lo na mão – ou melhor, a pé. Se você tem um carro 0-km, fique tranquilo que a peça é inspecionada nas revisões obrigatórias. Se o seu carro estiver fora da garantia, faça revisões do componente a cada 10.000 km.

Conforme o modelo do automóvel, o próprio dono pode verificar a correia. Retire a capa protetora da peça e observe se a borracha apresenta rachaduras, ressecamento ou tem algum dente danificado. Também fique atento a ruídos estranhos e agudos que aceleram conforme o aumento dos giros do motor (com certeza, você já ouviu esse tipo de barulho).

E atenção: se o carro transita muito por áreas de mineração ou pega trechos de terra, o ideal é diminuir o tempo de troca da correia dentada. “O uso do veículo em locais com poeira e dotado de muito ferro em sua composição também é sabidamente um fator de redução de vida útil da correia. Nesse caso, recomenda-se diminuição do prazo de troca pela metade”, aconselha Passos.

A corrente emite sinais?

A corrente dificilmente se rompe. O que pode ocorrer é a peça ficar com folgas e, uma vez frouxa, perder a sincronia. O bom é que a corrente emite sinais claros de que está com problemas. Tanto sonoros como também no comportamento do carro.

“Preste atenção a um barulho metálico anormal vindo do motor e que aumenta ou se modifica diretamente com a subida do giro do motor (não da velocidade do carro). Aumento de consumo e perda de potência podem ocorrer também pela perda de sincronismo dos comandos”, explica o especialista em manutenção automotiva.

Manutenção 

Para fazer a correia e a corrente durarem o tempo certo, faça a manutenção correta do veículo a cada 10.000 km e solicite ao profissional que cheque o estado da peça. No caso das correntes, lembre-se que elas se valem do mesmo lubrificante do motor. Então, troque o óleo nos prazos recomendados e use produtos dentro das especificações estipuladas pelo fabricante do veículo.

No caso das peças de borracha, atenção, muitos especialistas e mecânicos dizem que fazer o carro pegar no tranco força a correia dentada a uma tensão súbita, o que poderia comprometer sua vida útil e acelerar o seu desgaste. Outra prática condenada é a lavagem do motor.

“O uso de materiais abrasivos no cofre do motor durante a lavagem pode causar um encurtamento na durabilidade da correia”, alerta o engenheiro Renato Passos.

Eu mesmo posso trocar?

Jamais. Para realizar a substituição, é necessário ter não só habilidade, mas também as ferramentas adequadas. Lembre-se que correia e corrente devem estar sempre perfeitamente ajustadas para manter o sincronismo correto do funcionamento do motor.

“É necessário uma série de procedimentos para sincronismo dos comandos de válvulas junto ao volante do motor e, consequentemente, frente ao virabrequim, que é quem a movimenta. São muitas sincronizações, que, inclusive, demandam ferramentas especiais”, ressalta o engenheiro.

O serviço pode ser feito em oficinas especializadas e concessionárias autorizadas. Se for trocar a peça, opte por marcas de qualidade e conhecidas. Estas costumam ser feitas de materiais com maior resistência à deformação.

No caso da troca da correia dentada, a substituição de peças como o tensor e o rolamento não é obrigatória e só deve ser feita se estiverem desgastadas. Mas se for trocar a corrente, não deixe de substituir também a guia. Como esta peça é feita de plástico rígido, ela está suscetível ao desgaste com o tempo.

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