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A “Série B” das marcas e fabricantes de pneus

Empresas tradicionais têm no nome uma grife que chancela seus produtos. Mas, para vender por menos, recorrem a marcas alternativas

Por Ulisses Cavalcante - Atualizado em 23 nov 2018, 09h52 - Publicado em 22 Maio 2017, 14h40
arquivo/Quatro Rodas

Bridgestone, Continental, Goodyear, Michelin e Pirelli são exemplos de nomes que extrapolam a certidão de nascimento dessas empresas. São grifes. Quando se fala em produtos manufaturados, o termo “primeira linha” classifica aqueles de qualidade superior, fabricados por marcas com reputação igualmente bem vista.

O que é comprovadamente melhor – ou visto como melhor -, naturalmente, custa mais. A rigor, essa percepção mercadológica é positiva, pois favorece o lucro dos fabricantes, que podem acrescentar ao preço do produto o valor percebido pelos clientes.

Mas há um efeito nessa estratégia: bens mais caros atraem um público específico e afasta outro. É o que se chama de segmentação do mercado.

Pense em relógios. Um Casio e um Tag Heuer têm a mesma função primária: informar as horas. Mas o segundo custa dezenas de vezes mais. Na conta entram investimentos maiores em marketing, cachês de garotos-propaganda, matéria-prima mais nobre e tecnologia superior. Essa lógica se aplica à indústria de pneus.

Como há mais gente com o orçamento apertado do que aqueles com grana de sobra, o segmento de “baixo custo” ganhou uma relevância que os grandes fabricantes não podem ignorar. Essa é a principal justificativa para empresas conhecidas venderem pneus com nomes desconhecidos.

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Saem as grifes, entram as marcas secundárias. Não por menos, quase todas as empresas adotam estratégia semelhante. Nas lojas, frequentemente são chamadas de “segunda linha” – ainda que os gerentes de vendas e de marketing odeiem a alcunha.

Sem despesas com grandes campanhas publicitárias, as fábricas tradicionais têm condições de concorrer por bolsos mais sensíveis. Até a forma de vender muda: esses pneus são encontrados principalmente em redes de supermercados e atacadistas, com margens de lucro menores.

Mas há outros truques para reduzir custo e, claro, o preço na gôndola. Um deles é rebatizar produtos da geração anterior com a segunda marca.

Também é possível retirar da receita do pneu alguns ingredientes nobres – componentes que favorecem a durabilidade ou consumo. As carcaças também podem ser menos robustas, com índices de carga ou velocidade inferiores (suportam menos peso ou velocidade inferior, quando comparados com o pneu do primeiro escalão).

Outra estratégia é reduzir a profundidade do sulco na banda de rodagem. Enquanto os pneus premium oferecem 8 mm, as peças equivalentes com preço menor têm 7.

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Nada disso é ilegal ou danoso, pelo contrário. Ao cliente, cabe a decisão de investir mais ou menos, optando por quais tecnologias quer usar no seu carro. Basta analisar as etiquetas do Inmetro, afixadas na banda do pneu novo, para comparar o desempenho. Pneus de mesma medida podem oferecer resultados diferentes. A escolha é sua.

As marcas das marcas

Clientes sensíveis a preço tendem a abrir mão de marcas de primeira linha em nome da economia. Esse filão tem a atenção dos fabricantes, já que todos têm marcas secundárias para vender modelos menos sofisticados. Vale lembrar: não necessariamente esses pneus são piores ou de qualidade inferior.

Eles atendem a compromissos diferentes, como o custo. Em nome do preço baixo, quando comparados a equivalentes das marcas principais (ou à concorrência), podem ter menor profundidade de sulco, ser de uma geração mais antiga ou usar materiais menos nobres. É hora de descobrir qual dessas segundas linhas estão sob o guarda-chuva de que grande fabricante.

Pirelli

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Formula – Esta é a única linha de baixo custo oferecida pela Pirelli – ela comercializa o modelo Spider. A marca Formula foi criada depois da venda da Ceat, que até então era a marca secundária sob o guarda-chuva da famosa fabricante italiana de pneus.

 

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Hankook

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Kingstar – De origem holandesa, a marca foi adquirida para expandir a participação da coreana no mercado europeu. Hoje é vendido no Brasil para os aros 13 a 17. Outra marca secundária é a Marshal, que atende SUVs e comerciais.

Laufenn – Tem medidas equivalentes aos da Hankook, atendendo uma gama extensa de veículos, incluindo esportivos e importados. Um pneu de 14 polegadas com essa marca pode ser encontrado por menos de R$ 200.

 

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Michelin

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Uniroyal – Em outros mercados, concentra-se em SUVs, utilitários e comerciais – no Brasil é pouco comum. Mas a própria rede de lojas Michelin oferece a Tigar, cujos preços são inferiores aos equivalentes com o selo da marca francesa.

BFGoodrich – Longe de ser uma “Série B” (inclusive nos preços), essa marca não concorre com pneus de uso geral da Michelin – atende majoritariamente ao nicho de competição e off-road. A linha todo-terreno tem grife e é concorrente dos GT Grabber. Oferece medidas para carros de pequeno porte, mas a gama é restrita.

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Bridgestone

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Seiberling – Criada pelo mesmo fundador da Goodyear, acabou nas mãos da Firestone e, por fim, sob tutela da Bridgestone, quando esta adquiriu a Firestone. É muito comum nas medidas 13 e 14 polegadas.

Firestone – A Bridgestone incorporou o nome Firestone e não a trata como segunda linha. Mas seus produtos custam menos e são encontrados em medidas menores. O foco das vendas são grandes supermercados.

 

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Continental

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Euzkadi – De origem mexicana, a marca comercializa principalmente pneus de aros 13, 14 e 15, para modelos populares. Ele é facilmente encontrado na rede Walmart, por exemplo, e em grandes varejistas.

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Barum – A rede Conti oferece a marca como alternativa aos pneus do selo Continental, disponíveis nas mesmas medidas. Duas diferenças: notas inferiores em frenagem no molhado e índices de ruído maiores.

General Tire (GT) – Para automóveis, oferece os modelos Altimax, cujo valor é inferior aos Continental. Mas há também os modelos Grabber, especiais para uso fora-de-estrada. Nesse caso, os pneus GT atendem ao nicho 4×4 e se tornaram uma grife no segmento de off-road.

Viking – De origem norueguesa, a empresa foi adquirida pela Continental para suprir a demanda de mercados em desenvolvimento, caso do Brasil. Em varejistas, tem posicionamento e preço semelhantes ao do Euzkadi, que também é da Conti.

Goodyear

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Kelly Tires – Praticamente não há gastos com marketing e essa linha é rival direta da Formula, da Pirelli. Atende sobretudo a compactos e carros pequenos: a menor medida disponível é 165/70R13 e a maior, 205/40R17.

Direction – A Goodyear não fala em marca secundária, mas flagramos a rede tratando a Direction assim – a linha é comum em supermercados. O símbolo da Goodyear aparece estampado na borracha. Seu rival interno é o modelo Goodyear Assurance.

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