Grandes Brasileiros: Ford Maverick sedã 6 cilindros

Generoso com passageiros e cruel com a bagagem, o Maverick sedã bebia muito e andava pouco

Além das duas portas adicionais, a versão sedã tinha 32 kg a mais e 17 cm extras no entre-eixos

Além das duas portas adicionais, a versão sedã tinha 32 kg a mais e 17 cm extras no entre-eixos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Modelos intermediários, graças a suas versões cupê, até hoje são considerados ícones nacionais de esportividade: Dodge Charger R/T e Chevrolet Opala SS já traziam essa receita quando a Ford respondeu com o Maverick.

Diferentemente dos rivais, ele chegou em junho de 1973 primeiro como cupê, o que reforçou sua imagem esportiva, assegurada pela versão GT V8. No Salão do Automóvel daquele ano era apresentado o Maverick sedã, um carro que ocuparia o lugar que já havia sido do Itamaraty, assimilado com a compra da Willys-Overland em 1967 pela Ford e eliminado da linha em 1971.

Além das dimensões próximas, outra herança do antigo sedã era mantida no cofre – do motor. O seis-cilindros em linha era uma evolução do que o Aero-Willys e o Itamaraty usavam, o que agilizou o lançamento do Maverick.

Porta-malas era menor que o do cupê

Porta-malas era menor que o do cupê (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A Ford aprimorou a durabilidade e o consumo. Pistões, bronzinas, mancais, cabeçote e coletor do escapamento, assim como o sistema de lubrificação, foram redesenhados. O filtro de ar passou a ser do tipo seco, de papel. Saiu o carburador duplo, entrou um simples. Pintado de azul e capaz de entregar 112 cv, o seis-cilindros de 3 litros produzia um som distinto.

Com 17 cm a mais entre os eixos que o cupê, o Maverick sedã era mais que um mero enxerto de portas adicionais. Com dois bancos inteiriços, levava até seis pessoas. Havia as versões Luxo e Super Luxo.

Câmbio manual de 4 marchas na coluna permitia ao sedã ter dois bancos inteiriços

Câmbio manual de 4 marchas na coluna permitia ao sedã ter dois bancos inteiriços (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Num teste entre dois Super Luxo, um de seis e outro de oito cilindros, QUATRO RODAS revelou em dezembro de 1973 pontos do projeto que poderiam ser melhores, como encosto dos bancos, ângulo de abertura das portas, escalonamento das marchas e o porta-malas, menor que no cupê.

Ao todo, ele podia levar seis ocupantes com relativo conforto

Ao todo, ele podia levar seis ocupantes com relativo conforto (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Os 22,6 mkgf de torque mostravam-se modestos para o sedã. “É um motor de concepção ultrapassada. (…) E o consumo é grande, em virtude de se ter que andar sempre com o pé no fundo”. Mas a maciez e suavidade no funcionamento foram reconhecidas.

O Super Luxo 1974 vermelho das fotos pertence a Paul Gregson, autor de Maverick – Um Ícone dos Anos 1970. Não por coincidência, é o carro da capa do livro. Comprado em 1992, tinha algumas alterações, mas era de único dono, com manual de proprietário, rádio funcionando e estepe original.

Os instrumentos traziam só marcador de combustível e velocímetro

Os instrumentos traziam só marcador de combustível e velocímetro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Câmbio manual opcional no assoalho veio em 1975. Com ele, bancos dianteiros individuais e molas mais rígidas conferiam ao sedã um toque mais esportivo. Um quatro-cilindros de 99 cv era o novo motor básico. Com 157,2\ km/h de velocidae máxima, ele superou no teste da edição de agosto o seis-cilindros e ainda bebeu menos, com média de 8,3 km/l.

O antigo motor Willys continuou, agora como opcional, enquanto durou o estoque, quatro anos antes de o Mave­rick sair de linha. Era o fim do último resquício de um Willys de passeio. Apenas o Jeep manteria o legado da marca no Brasil, até 1983.

Ficha técnica – Ford Maverick Super Luxo 6 cilindros 1974

  • Motor: longitudinal, 6 cilindros em linha, 3016 cm³, carburador simples, comando de válvulas central único, a gasolina
  • Diâmetro x curso: 79,38 x 101,6 mm
  • Taxa de compressão: 7,7:1
  • Potência: 112 cv a 4400 rpm
  • Torque: 22,6 mkgf a 2000 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira
  • Dimensões: comprimento, 473 cm; largura, 179 cm; altura, 136 cm; entre-eixos, 279 cm; peso: 1372 kg
  • Suspensão: Dianteira: independente, braços inferiores simples e superiores triangulares, molas helicoidais. Traseira: eixo rígido, molas semielípticas
  • Freios: tambor nas 4 rodas (a disco na dianteira opcionalmente)
  • Pneus: 6,45 x 14

 

Teste QUATRO RODAS – dezembro de 1973

  • Aceleração 0 a 100 km/h: 20,8 s
  • Velocidade máxima: 148,1 km/h
  • Frenagem de 80 km/h a 0: 28,65 m
  • Consumo: 7,9 a 10,6 km/l (em velocidades constantes), 5,1 a 5,9 km/l (estrada), 7,9 km/l (média)
  • Preço (dezembro de 1973): Cr$ 32 675
  • Atualizado (IGP-DI/FGV): R$ 104.997
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  1. Daniel Pardo

    Aliás, foi graças a esse motor seis cilindros do Aero Willys que o Maverick quase afundou logo no lançamento.

  2. Com o motor Falcon de 6 cilindros teria sido excelente, sendo propulsor tão bem sucedido quanto o Stovebolt da Chevrolet, sucesso por décadas em nosso mercado. Uma pena este lixo de motor em um automóvel tão belo e bem construído. Minou a imagem do carro em definitivo; a chegada do 2.3 OHC em 1975 já era tardia face aos danos, e o 302 sendo importado e em plena crise do petróleo só poderia fazer alguma coisa mesmo era pelo GT, já em um nicho de gente bastante mais abastada e com outro perfil de uso.
    Ainda gostaria e muito de um 4 portas com o conjunto 302 + C4 e seletora na coluna.