Nissan Versa SR é versão esportivada mais econômica, mas ainda lenta
Nova versão intermediária TEM melhorias em acabamento e design e é novidade do Versa 2025, só não é tão equipado quanto poderia ser na faixa dos R$ 125.000

O Nissan Versa é vendido no Brasil há 13 anos e nunca foi um grande sucesso de vendas, mas já viveu momentos melhores. Fabricado no México, é o sedã compacto com os piores números de vendas acumuladas de janeiro a novembro de 2024, com 10.396 unidades emplacadas – fica atrás de Onix Plus, Virtus, Yaris e City.
A principal novidade do Nissan Versa 2025 é a versão SR, com visual esportivado. É a segunda versão mais cara da linha, atrás apenas da topo de linha Exclusive, e se diferencia por ter grade escurecida, emblema SR ao lado do logo da Nissan e retrovisores em preto. Atrás, há inclusão do pequeno aerofólio que é de série no Exclusive, ao passo que as rodas de aro 16 são as mesmas do Versa Advance, que custa menos.
Esse design segue a reestilização que foi feita na linha 2024 e estreou em julho de 2023. Ela é caracterizada pela grade maior acompanhada de detalhes cromados abaixo dos faróis – que são halógenos. Só o Versa Exclusive tem leds e a assinatura dos faróis em led.
O porte do sedã é um dos pontos positivos do Versa graças aos seus 4,5 metros de comprimento e 2,62 de entre-eixos. São dimensões que estão dentro da média da categoria, o Chevrolet Onix Plus é um pouco mais curto e tem um entre-eixos ligeiramente menor com 2,60 metros. Já o VW Virtus é maior tanto no comprimento quanto no entre-eixos que chega a 2,65 metros.
Em termos de espaço o porta-malas tem 482 litros e, apesar de ser uma boa capacidade, é menor que o dos rivais. O Onix Plus tem 500 litros, City conta com 519 litros e o VW Virtus oferece 521 litros.
A cabine é espaçosa, mas o Nissan Versa não é mais o sedã que oferece o maior espaço interno como ficou conhecido quando chegou no Brasil no fim de 2011. Atualmente ele oferece ainda bons 93 cm de espaço para as pernas dos passageiros traseiros, 1 cm a mais que o Onix Plus, mas o City mantém vantagem nesse quesito ao oferecer 1 metro de espaço para quem viaja no banco traseiro.
Essa versão esportivada, mesmo recebendo um acabamento mais esmerado, não corrige algumas falhas como a ausência de saídas de ar condicionado para os ocupantes da segunda fileira. Enquanto os ocupantes de City e Virtus contam com essa comodidade. Há apenas uma entrada usb-C no centro para recarga rápida.
O Versa SR ainda tem estofamento com costuras em laranja e revestimento em preto com partes avermelhadas. O painel tem acabamento em black piano e, tanto console central quanto volante e portas, são revestidos em material que imita alumínio. As maçanetas são cromadas e uma imitação de fibra de carbono é usada nas portas e no quadro de instrumentos.
Os bancos dianteiros continuam anatômicos e sustentam bem o corpo no assento e no encosto. Esses bancos têm uma tecnologia que a Nissan chama de Zero Gravity (Gravidade Zero) e foi adotado na troca de geração em outubro de 2020. A diferença é que agora o banco ficou mais baixo na regulagem mínima para acomodar ocupantes mais altos.
Essa versão traz algumas tecnologias semi-autonômas como alerta de colisão e frenagem autônoma de emergência – e graças a esses equipamentos ganha vantagem em relação ao lider de mercado que só conta com alerta de ponto cego como assistente ativo a condução na versão topo de linha do Onix Plus, a Premier. Já o VW Virtus conta também com frenagem autônoma de emergência, tem piloto automático adaptativo de série.
De resto, há central multimídia de 7” com Android Auto e Apple Carplay – a topo de linha tem tela com 8” – carregador de celular por indução, piloto automático, câmeras com visão 360º e quadro de instrumentos com tela de 7”.
Como anda o Versa SR?
O motor 1.6 16V sempre acompanhou o Versa no Brasil e hoje rende até 113 cv e 15,3 kgfm com o câmbio CVT, com simulação de até seis marchas. Ao mesmo tempo que trata-se de um conjunto robusto e já conhecido no mercado, faz com que o Versa seja um dos sedãs mais fracos. O Yaris Sedã, com seu 1.5 16V de 110 cv já teve sua produção encerrada. O City 1.5 tem 126 cv e 15,8 kgfm, já o Virtus tem motor 1.0 turbo que oferece 128 cv e 20,4 kgfm enquanto o Onix Plus traz também um motor turbo que rende até 116 cv. E essa diferença de potência e torque fazem diferença no desempenho.
O Versa fez 11,7 segundos no 0 a 100 km/h, enquanto os rivais como City e Onix Plus cumpriram a prova em cerca de 10,5 segundos. Nós levamos exatamente essa versão para a nossa pista e houve uma melhora no consumo em relação ao teste da versão topo de linha Exclusive.
Ele fazia 11,5 km/l na cidade e agora medimos 11,9 km/l e enquanto fazia 16 km/l a versão SR cravou 16,8 km/l. Porém o VW Virtus ganha com folga essa briga com médias de 14,7 e 19,5 km/l, respectivamente.
Essas diferenças de consumo e desempenho já seriam suficientes para a Nissan considerar adotar um motor turbo.
Pensando na dirigibilidade e no isolamento da cabine, os engenheiros modificaram a suspensão na troca de geração (nos pontos de fixação, geometria e batentes) e a direção (com o aumento da rigidez da coluna e uma relação mais curta). E modificaram a suspensão novamente nesta reestilização.
Agora filtra melhor pisos irregulares e reduzindo a rolagem da carroceria nas curvas. Os pneus mais largos também proporcionam essa estabilidade e segurança no contorno de curvas mais acentuadas. E, a direção, por sua vez, está mais precisa, embora bem leve e fácil de girar.
No quick down do acelerador o câmbio CVT simula as trocas de marchas em alta rotações e isso acaba gerando um incômodo de ruído interno, pois o barulho do motor invade a cabine. No nosso teste de ruído medimos em rotação máxima 74,3 dB – um número bem maior que o pouco mais de 60 dB emitidos por Onix Plus e Virtus.
A Nissan inclusive afirma que a transmissão conta com a função “D-Step”, que melhora a sensação de aceleração com a simulação de trocas de marchas em alta rotação, mas esse comportamento não traz nem esportividade e nem conforto.
Já em velocidades constantes o casamento motor e câmbio é harmonioso e o motor trabalha em baixas rotações privilegiando o silêncio e também o consumo. Tanto que em ponto morto o nível de ruído reduziu muito. Enquanto o modelo anterior mediu 42,9 dB, o modelo 2024 mediu 37,3 dB. Portanto as melhorias no isolamento são perceptíveis e é algo bem vantajoso na convivência com ele.
O Versa SR traz custo-benefício ao ser vendido por R$ 125.190, porém fica devendo um motor mais moderno e o piloto automático adaptativo que está presente nos rivais. Com um pacote de equipamentos similar o Virtus Comfortline custa R$ 134.990, já Onix Plus Premier sai por R$ 130.590.
Teste – Nissan Versa SR 2025
Aceleração
0 a 100 km/h – 11,7 s
0 a 1.000 m – 33,6 s – 154,6 km/h
Retomadas
D 40 a 80 km/h – 5,3 s
D 60 a 100 km/h – 7 s
D 80 a 120 km/h – 9,2 s
Frenagens
60/80/120 km/h a 0 – 14,7/26,2/59 m
Consumo
Urbano – 11,9 km/l
Rodoviário – 16,8 km/l
Ruído interno
Neutro/RPM máx. – 37,3/74,3 dBA
80/120 km/h – 60,8/72,5 dBA
Aferição
Velocidade real a 100 km/h- 93 km/h
Rotação do motor a 100 km/h em 5a marcha – 1.750 rpm
Volante – 2,5 voltas
Ficha técnica – Nissan Versa SR 2025
Preço: R$ 125.190
Motor: gasolina, dianteiro, transversal, 4 cil., 1.598 cm3, 113 cv a 6.300 rpm, 15,2 mkgf a 4.000
Câmbio: automático, CVT, 6 marchas simuladas, tração dianteira
Suspensão: McPherson (diant.) /eixo de torção (tras.)
Freios: discos vent. (diant.) e tambor (tras.)
Direção: elétrica
Rodas e pneus: 205/55 R16
Dimensões: comprimento, 449,5 cm; largura, 174 cm; altura, 146,5 cm; entre-eixos, 262 cm; peso, 1.122 kg; tanque, 41 litros; porta-malas, 482 l