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Harley-Davidson VRSCDX Night Rod Special

A Night Rod é a Harley para quem gosta de pilotar forte - e fazer curvas

Por Eduardo Viotti | fotos: Guilber Hidaka Atualizado em 9 nov 2016, 11h53 - Publicado em 3 out 2011, 18h02
H-D Night Rod

A série VRSC, ou V-Rod, nome pelo qual ficou famosa, foi quase um escândalo ao ser lançada, há dez anos, em 2001. Afinal, traz motor com refrigeração líquida desenvolvido em conjunto com a alemã Porsche, não à toa denominado Revolution.

O projeto conjunto com os alemães abriu o ângulo entre os cilindros, de 45 para 60 graus. O maior ângulo, mais a refrigeração líquida, reduz as vibrações. Com 1250 cc e 125 cv, há uma relação de 100 cv por litro de potência específica, que demonstra o ótimo rendimento do V2. O torque, de 12,4 “quilos” a 7500 rpm, é mais que suficiente. É o que você precisa para sair em terceira dos 40 km/h e, sem troca de marcha, acelerar rápido até 140 km/h. As fantásticas marcas de retomada obtidas no teste comprovam a sensação.

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A tocada é deliciosa e, embora falte conforto e ergonomia, a moto é forte e equilibrada.

A moto tem apenas cinco marchas, enquanto nas versões custom menos agressivas, teoricamente mais pacatas, há câmbios H-D de seis marchas com a sexta overdrive, para viagens. Olhe, com a elasticidade do Revolution, ninguém vai reclamar. A eficiência de uma transmissão não se mede pelo número de engrenagens que ela oferece e sim pela sensação de aproveitamento do motor que proporciona. E esse câmbio é bom, inclusive mais macio e rápido que o das irmãs de seis marchas.

A dirigibilidade da Night Rod é a melhor da marca. Há esportividade na medida, motor gostoso, elástico e redondo, potente e disposto a subir de giros, bons e enormes pneus (Michelin, franceses, com nome Harley-Davidson na lateral e logomarca em baixo relevo na banda, uma graça de detalhe).

O chassi, moldado por água em altíssima pressão, em um sistema exclusivo da marca, é um dos mais rígidos e estáveis entre todas as Harley. O sistema de suspensões sofre bastante numa condução rotineira pelos buracos da cidade (bate no fundo a todo momento), mas permite fazer curvas com uma tranquilidade – e velocidade – inimaginável para uma Harley custom. As altas pedaleiras nunca raspam no asfalto. O susto vem primeiro do salto das botas, forçado pela posição avançada dos pés a encontrar o asfalto antes de qualquer outra parte da moto, mas logo em seguida o chassi toca o solo. É verdade que poucos deitarão tanto nas curvas, mas nossa equipe, incentivada pela ótima aderência dos pneus e pela boa geometria, deixou “cicatrizes” nos tubos inferiores da moto.

A maneabilidade da moto é excelente. Faz curvas de alta com precisão e, estreita, permite dirigir no trânsito como um motoboy, exceto ao serpentea entre os carros parados, quando seu comprimento atrapalha. A Night Rod é uma moto grande. Ao contrário da mania que tem acometido os japoneses de fazer motos de grande cilindrada supercompactas, ela é feita para quem gosta de motos bem grandes.

Bem, já que falamos em posição de pilotagem, esse é o ponto fraco dessa bela moto. Você vai sentado com o peso em cima do traseiro – o seu traseiro -, e os pés lá na frente. As costas tendem a curvar-se em direção à mesa, pela posição do guidão. A posição dos joelhos também é forçada e obriga o motociclista a pressionar os músculos da virilha constantemente para dentro, especialmente em alta velocidade, o que logo começa a causar mal-estar.

O garupa também viaja mal, o que não é privilégio desta Night Rod – quase todas as motos esportivas o maltratam. O banco duplo (é um selim individual para o piloto) tem uma pequena extensão para o carona, que vai apertado, com os joelhos fechados como em uma superesportiva. O tanque de gasolina fica sob o banco, sem trava nem chave, e o local onde tradicionalmente está o tanque é cenográfico e abriga outros componentes.

A má ergonomia não termina por aí: os comandos são difíceis de encontrar e acionar. Não há lampejador de facho alto, os espelhos são pequenos e parecem pobres, simples. Um motociclista que fez o caminho correto, começando das baixas cilindradas e elevando as suas possibilidades na medida de sua evolução como piloto, terá dificuldade em adaptar-se aos comandos dessa moto. Você vai ligar o motor – e aciona o pisca direito. É, fica bem ali. Vai buzinar e liga o pisca esquerdo, bem no lugar da buzina. O painel, baixo, sobre a mesa do guidão, é pequeno e de difícil leitura. O minúsculo contagiros em meia-lua é muito pouco útil.

Bem ao contrário, os freios Brembo de quatro pinças na frente (dois discos) e atrás (um só), equipados com progressivo e suave sistema ABS, são acima de crítica, muito seguros e eficientes, o melhor que há na indústria. A moto é segura, com boa aderência e uma buzina grave, que parece um navio – ou um baita caminhão.

A Night Rod é a moto escolhida por nove entre dez estrelas do cinema – um pouco pela exclusividade ditada pelo preço, de cerca de 48700 reais no Brasil. A unidade que testamos trazia uma série de acessórios da marca. O kit incluía farol e lanterna traseira de leds, guidão e pedaleiras recuadas, indicador de marcha digital, manoplas macias, capas dos eixos frontal e traseiro, tampa do tanque de óleo com medidor de temperatura digital, vareta da transmissão cromada e manetes pretos. O conjunto acresce mais de 5000 reais ao preço da moto.

Tem estilo (algo retrô), motor, câmbio e chassi extraordinários. Bons freios e pneus, suspensões um pouco inadaptadas e ergonomia pavorosa. Sabe quanto ela custava há mais de dois anos, quando a testamos pela primeira vez? Quase 90000 reais. Ao preço atual, parece uma pechincha!

TOCADA

Forte na estrada, estreita na cidade, deliciosa. Câmbio preciso, motor elástico, boa de curvas e retas, fica devendo conforto e ergonomia.

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★★★★

DIA A DIA

Incrivelmente boa. Claro que não dá para acompanhar os motoboys, mas permite um cotidiano “civilizado”. Faltam-lhe apoios para cargas e garupa.

★★★★

ESTILO

Esbanja personalidade. Sobra, para ser mais exato. É atraente, bonita, com uma pitada de café-racer na carenagem frontal e no banco semi-individual.

★★★★★

MOTOR E TRANSMISSÃO

O melhor conjunto motriz da marca americana, e de longe. Na configuração V2, poucos o superam.

★★★★★

SEGURANÇA

Freios ABS, pneus com boa aderência, suspensões e quadro de boa estabilidade garantem a boa nota.

★★★★

MERCADO

A marca é forte e de enorme prestígio. Uma Harley tradicionalmente se defende bem no mercado de usadas, apesar das recentes atribulações e recalls generalizados.

★★★

VEREDICTO

A moto é símbolo de poder e status. Deve encontrar público no Brasil. Tecnicamente, é um belo projeto, embora peque na ergonomia.

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