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Harley-Davidson Fat Boy Special

Com ABS de série e visual fosco, a nova Fat Boy pontua o início da operação brasileira agora conduzida pela própria marca

Por Eduardo Viotti Atualizado em 9 nov 2016, 11h52 - Publicado em 17 jun 2011, 20h35
Harley-Davidson Fat Boy Special

A Harley-Davidson começa a se mover no mercado brasileiro, após longa pendenga judicial com o representante anterior. Com fôlego para sair sem sequelas de uma refrega dessas, parece que, feitas as contas, o cliente da marca norte-americana vai se dar bem. O fabricante promete investir no pós-venda e montou um depósito de distribuição de peças em São Paulo (era em Manaus), prometendo atender às oficinas do estado em um dia e aos estados distantes em no máximo três.

A Fat Boy Special é um ícone da marca. Completa, tem todos os adereços que fizeram a fama da Harley-Davidson ao longo de mais de um século. A versão 2011 traz novas tecnologias e confortos que mesmo o mais ortodoxo fanático da marca não pode deixar de apreciar. A nova versão inclui freios ABS, computador de bordo, punho de acelerador fly by wire – sem cabos, por acionamento eletrônico -, indicador de marcha engatada e até mesmo contagiros (em um pequeno display LCD).

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Na rua, faz um sucesso danado. É como andar no centro da cidade de mãos dadas com a Cléo Pires (imagino eu, que, ai, nunca tive tal experiência): os olhares masculinos são magnetizados. Não seja ciumento, dê explicações, sorria. Ou faça cara de mau e toque em frente, a atitude é por sua conta.

O preço de 46600 reais parece compatível com a cilindrada e com o ABS de série. Não se esqueça de que o estilo é o da coisa autêntica, original, e isso tem – pelo menos para quem design importa – um peso importante.

VISUAL TOTAL Visualmente, a moto é maravilhosa. É uma Fat Boy, afinal, e para muita gente isso significa uma tira de sola de couro pespontada sobre o tanque, com o logotipo da marca, e o farol redondo encaixado em uma cobertura de fixação. Significa também as suspensões dianteiras cobertas pelas beer cans, as capas das bengalas que lembram, para harleyros inveterados, latas de cerveja.

Uma velha piada diz que o amante das custom tem como último desejo ser cromado (não cremado…). Brincadeiras à parte, a versão dark da Fat Boy tem pouco brilho, aderindo à tendência dark custom – o preto domina o visual, especialmente o mecânico. Apenas as tampas dos cabeçotes são polidas. A pintura perolizada de tanque e para-lamas em branco, semifosca, é espetacular. Não chega a brilhar, tem reflexos…

O preto sem brilho também adorna as rodas ao estilo bullet holes (furos de bala), com centro sólido, decorado apenas pelos “tiros”. Os escapes de tubos superpostos também adotam nomenclatura belicosa. São conhecidos como shotgun (espingarda cartucheira), por lembrar os canos dessas armas de caça, hoje também adotadas por militares.

Apesar do nome, ela não é uma moto só para garotos grandes – embora suas estocadas exijam braços e punhos bem firmes. Se você tem menos de 1,70 metro, ela é ideal, como verdadeira low rider: o banco está a apenas 67 cm do solo. O assento, em forma de selim individual, também está mais estreito, para facilitar o apoio. Entretanto, não perdeu conforto. Sua espuma mantém excelente rigidez e permite viagens com tranquilidade (ponderada a posição custom, que força os glúteos a sustentar o peso do corpo, sem dividi-lo com as pernas). O garupa vai bem, embora longe dos mimos de uma moto touring, claro.

CÂMBIO TÍPICO As plataformas para os pés são em formato de meia-lua, com enormes pedais de freio e de câmbio. Os engates das marchas são verdadeiros encaixes mecânicos, ruidosos e rudes. É uma característica cultivada pela marca. Faz parte do espírito de uma Harley lembrar, a cada passada de marcha, que não, aquela não é, definitivamente, uma moto japonesa – coisa de maricas para os mais empedernidos Hell’s Angels. O câmbio é o de seis marchas da marca, com a sexta overdrive para estradas longas, a especialidade americana.

O motor, cuja potência a Harley-Davidson mantém em segredo (afinal, se a Rolls-Royce fez isso durante décadas…), é muito forte. Segue a tradição norte-americana segundo a qual não há substituto para a cilindrada (“there’s no replacement for displacement”). Com 1584 cc em dois cilindros a 45 graus, tem torque máximo de quase 13 “quilos” já a 3000 rpm. Acelera forte, sim, com o vigor e a virilidade que sua presença apregoa. Mesmo com trocas lentas de marcha, faz de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos, marca boa para uma custom. A Honda Shadow 750 faz a prova em 8,9 segundos, por exemplo.

A transmissão final é por correia dentada, mais cara que a corrente (e mais barata que o cardã), mas mais durável, silenciosa e limpa. As suspensões são eficientes, embora batam nos batentes em valetas mais agudas – não foram previstas para ruas brasileiras.

Os freios, com ABS, param a moto em espaços confiáveis, sem desvios de trajetória e com pegada firme.

A Fat Boy é uma beldade imponente, uma moto grande, com porte de diva de ópera e temperamento dócil e equilibrado. É quase uma síntese do espírito americano: grandão, aparentemente calmo – mas não o provoque.

TOCADA Se você compra uma Harley-Davidson com um V2 a 45 graus de 1,6 litro, torque é o que você terá. Só não espere fazer curvas como uma esportiva, claro, não tem sentido.

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★★★★

DIA A DIA Francamente: se você quiser apenas uma condução para o trabalho (ou escola), dá perfeitamente para conviver com a grandona, especialmente em cidades mais calmas.

★★★

ESTILO Ponto mais alto. Ícone de imagem, remete a referências do passado e cria uma linguagem própria de design. Todo mundo tenta, poucos conseguem.

★★★★★

MOTOR E TRANSMISSÃO O V2 de alta cilindrada fala alto, com música fina ao fundo (produzida pela percussão ritmada dos escapes). O câmbio é seco, duro e ríspido, exige botas reforçadas e jura que vai durar um século.

★★★

SEGURANÇA

Com ABS, uma beleza. Freios bem dimensionados e bons pneus que garantem a aderência, além de atrair total visibilidade.

★★★★

MERCADO A marca é forte e sua presença de mercado deve, prometem seus executivos, reforçar-se no país. Desvaloriza pouco e tem liquidez.

★★★★

VEREDICTO

Com ABS de série, o preço é atraente. Custa 200 reais a menos na versão em preto fosco, sem a impecável pintura perolizada.

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