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Comparativo: Chevrolet Prisma LTZ x VW Voyage Comfortline

Eles são sedãs compactos, mas oferecem espaço para toda uma família

Por Guilherme Fontana - Atualizado em 23 mar 2018, 17h12 - Publicado em 4 jul 2017, 16h34
Sedãs compactos mais vendidos do país, Prisma e Voyage travam uma batalha entre modernidade e conservadorismo Fernando Pires/Quatro Rodas

Prisma e Voyage são os principais representantes do segmento de sedãs compactos. No entanto, eles se apresentam de formas muito distintas ao mercado.

De um lado, um sedã com certo ar de modernidade e algumas atrações tecnológicas. De outro, um modelo de aparência mais conservadora e concepção defasada – mas que ainda rende bons números de vendas.

Afinal, qual deles cumpre melhor a proposta de um carro familiar bem equipado, confortável e relativamente espaçoso?

Prisma e Voyage se diferenciam pelas linhas mais modernas e sólidas, respectivamente Fernando Pires/Quatro Rodas

A relativa modernidade do Prisma se reflete em suas dimensões mais generosas e, consequentemente, no melhor acolhimento dos ocupantes. Tanto quem vai atrás, quanto quem vai na frente, tem bom espaço para as pernas graças ao entre-eixos de 252,8 cm (6,1 cm a mais em relação ao Voyage) e para a cabeça, pelos 147,8 cm de altura (contra 421,8 do rival).

Na largura, o Chevrolet tem 6,6 cm a mais do que o Volks, ajudando também na acomodação lateral de pernas e ombros de quem vai atrás.

No porta-malas, mais diferenças de tamanho: 500 litros no Prisma e 480 no Voyage. Os bancos do GM, maiores e mais encorpados, são também mais confortáveis, além de terem revestimento parcial em couro na versão avaliada, LTZ.

No Voyage Comfortline, os bancos mais retos, firmes e sem tantos volumes, são revestidos apenas com tecido – couro nem como opcional. 

Além de mais espaçoso, o sedã da GM tem bancos mais confortáveis e revestidos de couro Fernando Pires/Quatro Rodas

No dia a dia, o Prisma revela um comportamento mais dócil pelo acerto macio e longo da suspensão, além dos pneus com perfil mais alto (185/65). Com isso, imperfeições do solo, lombadas e valetas são superadas sem que os ocupantes sofram com os impactos. Para o motorista, a direção elétrica é muito bem vinda em manobras.

No entanto, se o conjunto garante comportamento exemplar na cidade, prejudica a sensação de segurança na estrada. Em velocidades entre 100 e 120 km/h, ele parece flutuar e tende a sair de traseira nas curvas. Nada que provoque grandes sustos, porém.

Enquanto isso, o Voyage tem ajustes típicos de um carro alemão, com suspensão mais firme e pneus de perfil mais baixo (195/50 com as rodas de liga leve da unidade avaliada). Ao contrário do Prisma, os ocupantes do Voyage sofrem um pouco mais com os buracos e o motorista se vê obrigado a passar com mais cautela por valetas e lombadas.

Na estrada, o acerto garante mais esportividade, estabilidade e segurança ao sedã da Volks, já que ele fica mais preso ao solo. A direção, apesar de hidráulica, é mais direta em relação a elétrica do concorrente.

No modelo da VW, os bancos são mais retos e sempre de tecido. Teto também é mais baixo Fernando Pires/Quatro Rodas

Em nossa pista de testes, os números dos sedãs (com gasolina) ficaram muito próximos. Equipado com motor 1.4 de 106/98 cv e 13,9/13 mkgf com etanol/gasolina e câmbio manual de seis marchas, o Prisma foi de 0 a 100 km/h em 11,6 segundos e de 80 a 120 km/h em 16,9.

O grande destaque do conjunto do GM é o câmbio com seis marchas, que permite ao modelo atingir velocidades mais altas em rotações mais baixas, melhorando o consumo e o conforto acústico da cabine. Ele registrou as médias de 11,7 km/l na cidade e 17,5 km/l na rodovia.

Diferencial do Prisma está no câmbio de seis marchas Fernando Pires/Quatro Rodas

Já o Voyage, com um 1.6 de 104/101 cv e 15,6/15,4 mkgf com etanol/gasolina e câmbio manual de cinco marchas, foi de 0 a 100 km/h em 11,8 segundos e de 80 a 120 km/h em 18,2.

No caso do torque, além dos números superiores, a força é entregue mais rápido, a 2.500 rpm, contra 6.000 do Prisma. Entretanto, o consumo mostra a defasagem do conjunto e a falta da sexta marcha: 10,9 km/l em ciclo urbano e 14,5 km/l no rodoviário. 

Apesar do motor maior, o conjunto do Voyage é defasado: o câmbio, por exemplo, é de cinco marchas Fernando Pires/Quatro Rodas

O QUE VEM?

Para mostrar as opções equipadas com câmbios manuais, escolhemos as versões que se equivaliam em preços e equipamentos: o Prisma na LTZ e o Voyage na Comfortline completa.

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Na linha 2018, o Prisma LTZ manual parte de R$ 63.190 com ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, direção, travas e retrovisores elétricos, sensores de estacionamento traseiros, câmera de ré, faróis e lanternas de neblina, monitoramento de pressão dos pneus, rodas aro 15 e sistema OnStar.

Apesar das linhas mais modernas, interior do Prisma sofre com problemas de ergonomia Fernando Pires/Quatro Rodas

A central multimídia MyLink com tela de 7 polegadas sensível ao toque tem integração com Android Auto, Apple CarPlay, além de Bluetooth, USB, AUX e AM/FM também é de série. Como opcional, o Prisma tem o pacote R8K, que adiciona piloto automático e câmbio automático de seis marchas por R$ 6.150 extras.

Para a carroceria, o preto metálico é a única opção sem cobrança adicional. O branco sólido custa R$ 650, enquanto as demais metálicas (prata, cinza, vermelho e azul) saem por R$ 1.400.

Já o Voyage, na versão intermediária Comfortline, sai por R$ 56.300 iniciais na linha 2017. Entre os itens de série, ele traz ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, faróis de neblina, travas e vidros dianteiros elétricos.

Para igualá-lo ao Prisma LTZ, acrescentamos dois pacotes de opcionais. O primeiro, de R$ 1.896, adiciona alarme, sensores de estacionamento traseiros, retrovisores elétricos com função tilt down, porta-malas com abertura elétrica, vidros traseiros elétricos e rodas aro 16.

Painel do Voyage tem linhas retas e horizontais, o que ajuda a disfarçar sua idade Divulgação/Divulgação

O segundo kit inclui ainda volante multifuncional, suporte para celular e central multimídia com tela sensível ao toque, GPS, Bluetooth e integração com App-Connect por mais R$ 2.691.

Ao todo, com os dois pacotes, o Voyage Comfortline sai por R$ 60.887. Entre as pinturas, preto e branco sólidos são gratuitos, enquanto o vermelho sólido custa R$ 456 e as cores metálicas, R$ 1.494.

COMO SE APRESENTAM?

O Prisma tem desenho mais atraente – ponto reforçado na reestilização de 2016 para a linha 2017 – com um misto de esportividade e refinamento. Na versão LTZ, o sedã recebe cromados na grade e leds nos faróis (que pecam por não serem diurnos). As rodas aumentam a sensação de requinte pelo acabamento diamantado.

Já o veterano Voyage tem formas mais sólidas e discretas, exalando a identidade VW em cada centímetro – o que para alguns é um pecado. As rodas de 16 polegadas, opcionais, melhoram o resultado visual (de série, ele vem com rodas de aço e calotas aro 15).

Rodas aro 15 e leds nos faróis são de série no Prisma Fernando Pires/Quatro Rodas

Por dentro, as percepções são exatamente as mesmas para ambos os sedãs. O interior do Prisma tem linhas mais arredondadas e fluidas.

Porém, os comandos do ar-condicionado estão localizados em uma posição mais baixa do que o normal, enquanto os botões dos retrovisores elétricos (na coluna dianteira) também estão mal posicionados – o motorista tem que se inclinar para a frente para ajustá-los e, quando volta para a posição de dirigir, nem sempre os espelhos estão nos ângulos corretos.

Faróis de neblina são de série no Voyage, mas rodas aro 16 fazem parte de um pacote que sai por R$ 1.821 Fernando Pires/Quatro Rodas

O quadro de instrumentos que remete aos de motos é herança do Spark, de 2010, e ainda divide opiniões pelo visual minimalista. Deixando a aparência de lado, porém, os mostradores são funcionais e completos, assim como os do Voyage, de formato tradicional com um display central.

No Volks, as linhas retas e horizontais parecem as mesmas há longos anos, mas são plenamente funcionais, e atingem o objetivo de manter a coerência e a identidade da marca.

O resultado é bom, principalmente pelos bons encaixes das peças e a mistura de texturas no acabamento. Diferente do Prisma, ele não tem problemas de ergonomia, com comandos sempre à mão. Ponto para a Volks.

VEREDICTO

As qualidades do Prisma LTZ fazem valer os R$ 2.303 de diferença em relação ao Voyage Comfortline mais equipado. Mais espaçoso, equipado e confortável, o Chevrolet honra as 68.988 unidades emplacadas em 2017 (contra 40.822 do Volks) e leva o prêmio para casa.

O Voyage, por seu lado, não decepciona os clientes fiés da marca. Tem boa dirigibilidade e melhor ergonomia para o motorista. Se tivesse o motor 1.6 MSI de 16 válvulas e o câmbio de seis marchas (ofertados no Fox e no Golf), venceria o comparativo.

TESTE DE PISTA (GASOLINA) – PRISMA LTZ x VOYAGE COMFORTLINE

Chevrolet Prisma LTZ VW Voyage Comfortline
Aceleração de 0 a 100 km/h 11,6 s 11,8 s
Aceleração de 0 a 1000 m 33,2 s – 157,4 km/h 33,4 s – 154,9 km/h
Retomada de 40 a 80 km/h 7,2 s 8 s
Retomada de 60 a 100 km/h 11,1 s 11,4 s
Retomada de 80 a 120 km/h 16,9 s 18,2 s
Frenagens de 60 / 80 / 120 km/h a 0 16,8/29,3/68,1 m 15/27/64 m
Consumo urbano 11,7 km/l 10,9 km/l
Consumo rodoviário 17,5 km/l 14,5 km/l

 

FICHA TÉCNICA – PRISMA LTZ x VOYAGE COMFORTLINE

Chevrolet Prisma LTZ VW Voyage Comfortline
Motor flex, diant., transv., 4 cil., 1.389 cm3, 8V, 106/98 cv (E/G) a 6.000 rpm, 13,9/13 mkgf a 4.800 rpm flex, diant., transv., 4 cil., 1.598 cm3, 8V, 104/101 cv (E/G) a 5.250 rpm, 15,6/15,4 mkgf a 2.500 rpm
Câmbio manual, 6 marchas,
tração dianteira
manual, 5 marchas,
tração dianteira
Suspensão McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.) McPherson (diant.) e eixo
de torção (tras.)
Freios disco ventilado (diant.) e tambor (tras.) disco ventilado (diant.) e
tambor (tras.)
Direção elétrica hidráulica
Rodas e pneus liga leve, 185/65 R15 195/50 R16
Dimensões comp., 428,2 cm; altura, 147,8 cm; largura, 196,4 cm; entre-eixos, 252,8 cm; peso, 1.054 kg; porta-malas, 500 l; tanque, 54 l comp., 421,8 cm; altura, 146,8 cm; largura, 189,8 cm; entre-eixos, 246,7 cm; peso, 1.067 kg; porta-malas, 480 l; tanque, 55 l
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