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Com último lote produzido, Renault Sandero R.S. sai de linha no Brasil

Os Renault Sandero R.S. que começam a reabastecer as concessionárias após parada na produção tendem a ser os últimos

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Guilherme Fontana Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 13 fev 2023, 19h00 - Publicado em 24 set 2021, 22h20
Renault Sandero R.S.
Renault Sandero R.S. (Divulgação/Renault)

Os últimos dois meses de 2021 prometem ser de despedidas. Além de Fiat Grand Siena, Hyundai iX35, Volkswagen Fox e Fiat Doblò, quem também será vitimado pelas novas regras de emissões e ruído Proconve PL 7, que passam a valer a partir de 1° de janeiro 2022, é o Renault Sandero R.S. 

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Mesmo tabelado em R$ 95.790, o hatch esportivo se tornou raridade nas concessionárias nas últimas semanas e a paralisação da fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR) em agosto só agravou essa falta. Contudo, os novos Renault Sandero R.S. que começarão a chegar às concessionárias tendem a ser os últimos.

 

Fontes de mercado apontam que um último lote de produção do Sandero R.S. contemplou 130 unidades, sendo que 100 delas ficarão no Brasil e 30 unidades serão enviadas para o mercado argentino. Os carros foram montados ao longo de setembro.

Sandero R.S

Questionada por nossa reportagem sobre essas informações, a Renault optou por não se pronunciar.

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Parece pouco, mas trata-se de um lote considerável. De janeiro a setembro de 2020 foram vendidos 200 unidades do Sandero R.S, 1% dos 19.653 Renault Sandero vendidos naquele período. E as vendas do hatch só caíram em 2021: foram emplacados 10.175 unidades até agosto. 

Os instrumentos do Sandero R.S. são iguais aos das demais versões, mudando apenas o aplique vermelho
Os instrumentos do Sandero R.S. são iguais aos das demais versões, mudando apenas o aplique vermelho (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Então, a não ser que haja uma corrida às concessionárias para aproveitar o último hatch esportivo com câmbio manual do Brasil, essas 100 unidades podem garantir estoque por alguns meses. Além disso, a legislação obriga que esses carros sejam vendidos até março. Não adiantaria manter a produção do modelo até dezembro, portanto.

Bancos abraçam o motorista, mas são curtos
Bancos abraçam o motorista, mas são curtos (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Esse lote derradeiro se dá por conta das exigências de emissões (de motor e evaporativas), e também de ruído, impostas pelo Proconve PL 7. Com participação tão pequena, não convém à Renault investir em retrabalho no motor 2.0 16V F4R, que já foi abandonado por Duster e Oroch, apenas para a aplicação no esportivo. Hoje o Sandero R.S. tem nota E no Conpet, mesma nota dos Sandero 1.6 16V já extintos.

Motor 1.3 turbo seria sonho

Os 170/162 cv e 27,5 kgfm do novo motor 1.3 TCe, turbo com injeção direta, que estreou no Renault Captur 2022 cairia como uma luva para manter o Renault Sandero R.S. em produção. Mas é improvável.

O motor 2.0 é antigo, mas girador e emite ronco empolgante
O motor 2.0 é antigo, mas girador e emite ronco empolgante (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Primeiro por a Renault não ter um projeto futuro para o hatch (a nova geração foi cancelada para o Brasil). Em segundo lugar, porque seria um desenvolvimento ainda mais caro do que fazer a mecânica atual cumprir o PL 7. Por fim, um Sandero R.S. 1.3 turbo ficaria ainda mais caro, e faz um bom tempo que o hatch deixou de ser um esportivo acessível.

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Câmbio manual de seis marchas tem relações curtas
Câmbio manual de seis marchas tem relações curtas (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Pelo menos o legado fica. O Sandero R.S. foi o único carro desenvolvido pela RenaultSport, divisão esportiva da marca francesa, fabricado fora da França. Mais que isso: foi o único feito sobre um projeto Dacia. A despeito do preço praticado aqui, o Sandero esportivo ainda é mais barato que um Clio na França.

Onde o bicho pega

A grande corrida dos fabricantes neste momento não é, necessariamente, para enquadrar emissões e consumo do motor.

O mais complicado é cumprir as regras de emissões evaporativas de 0,5 g de combustível por dia em um ensaio de dois dias. Isso obriga o uso de cânisters (dispositivo que filtra os vapores de combustível) com maior capacidade e de tanques ou de metal, ou feito com várias camadas de plástico e, portanto, menos permeáveis. 

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Sandero RS
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Isso pode implicar no desenvolvimento de novos circuitos de combustível e gases, além de retrabalho do catalisador e no mapa de injeção do motor. Muitos dos carros que sairão de linha até dezembro têm projetos antiquados que, ou não podem receber um cânister maior, ou o custo do retrabalho não compensa o volume de vendas. Afinal, muitos seriam forçados a sair de linha em 2024 quando controles de estabilidade e tração se tornarem obrigatórios.

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