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Primeiro acidente de carro do Brasil foi a 4 km/h e envolveu Olavo Bilac

Primeiro automóvel do Rio de Janeiro tinha motor a vapor e pertencia ao abolicionista José do Patrocínio, amigo de Bilac

Por Henrique Rodriguez - Atualizado em 13 Maio 2020, 18h06 - Publicado em 13 Maio 2020, 18h03
Um Serpollet a vapor modelo 1891 Reprodução/Internet

Não dá para dizer que o Rio de Janeiro ainda era mato quando o primeiro automóvel chegou na cidade. Mas nem todas as principais ruas eram pavimentadas.

Estamos falando de 1897, quando o abolicionista e jornalista José do Patrocinio, dono do jornal A Cidade do Rio retornou de uma viagem a Paris com uma novidade: o Serpollet.

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O primeiro automóvel do Rio de Janeiro era um triciclo com motor a vapor importado completamente desmontado. Seu inventor, o francês Léon Serpollet, havia inventado um tipo de caldeira menor e mais controlável, eficiente para o uso em um automóvel, apenas um ano antes. 

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“Trago de Paris um carro a vapor… O Veículo do Futuro, meus amigos. Um prodígio! Léguas por hora. Não há aclives para ele: com um hábil maquinista vai pelo Corcovado acima, garanto a vocês, pelo Corcovado acima como um cabrito. Em meia hora faremos o trajeto do Largo do São Francisco ao Alto da Tijuca. Imaginem! É a morte de tudo, dos tílburis, dos carros, do bonde… até da estrada de ferro. Ficamos senhores da viação. É a fortuna.”, anunciou Patrocínio a seus amigos.

A tecnologia era novidade na Europa, mas no Brasil o automóvel em si era algo incomum.

Na crônica “A era do automóvel”, o cronista João do Rio relata a reação da população ao se deparar com um automóvel.

O primeiro (carro), de Patrocínio, foi motivo de escandalosa atenção. Gente de guarda-chuva debaixo do braço parava estarrecida, como se tivesse visto um bicho de Marte ou um aparelho de morte imediata.”

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José do Patrocínio e Olavo Bilac Reprodução/Internet

Olavo Bilac, o príncipe dos poetas brasileiros, era próximo de Patrocínio a ponto de ter sido convidado não apenas para dar uma volta, mas para dirigir o Serpollet.

Patrocínio, então, sentou no banco do carona (à esquerda, pois os carros ainda eram projetados em mão inglesa) e Bilac assumiu a direção sem, obviamente, nunca ter tido contato com um automóvel.

Patrocínio deu algumas instruções ao amigo, que partiu de Botafogo ruma à Estrada Velha da Tijuca, no Alto da Boa Vista. O carro a vapor teria chegado aos 4 km/h antes da primeira curva, onde Olavo Bilac perdeu o controle e bateu em uma árvore. Bilac e Patrocínio não se machucaram, mas o carro teve perda total.

Mais tarde, em 1906, Coelho Neto descreveu as desventuras dos amigos no jornal “Correio da Manhã”:

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“Patrocinio insistia com o machinista para que desse mais pressão e o poeta (Bilac) sorria desvanecido guiando a catastrophe através da cidade alarmada. Por fim, num tranco, o carro ficou encravado em uma cova, lá para as bandas da Tijuca e, para trazel-o ao seu abrigo, foram necessários muitos bois e grossas correntes novas. Enferrujou-se. Quando, mais tarde, o vi, nas suas fornalhas dormiam gallinhas. Foi vendido a um ferro velho”.

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