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Montadoras planejam manter carros com preços altos e fila após a pandemia

Com clientes "acostumados" aos preços atuais, BMW e Mercedes já assumem que querem mantê-los altos daqui em diante

Por Eduardo Passos Atualizado em 14 set 2021, 09h46 - Publicado em 13 set 2021, 20h02
BMW M3 1
Para a BMW, pandemia ensinou que fila de espera eleva sensação de exclusividade Fernando Pires/Quatro Rodas

Se você está esperando o fim da pandemia e de todas as suas consequências econômicas para pagar mais barato em um carro novo, é melhor ficar atento. Segundo reportagem do Financial Times, montadoras como BMW e Mercedes-Benz já vêm se articulando para manter os altíssimos preços de tabela atuais como regra, e não exceção.

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A matéria vai além de especulações e traz depoimentos de executivos das fabricantes, que tiveram seus preços inflados pela crise de matéria-prima que assola a indústria. Em países como o Brasil o baque foi dobrado, com a desvalorização do real amplificando o aumento.

“Um dia a questão dos semicondutores estará resolvida, mas seguiremos com o preço e margem (de lucro atuais)”, disse o vice-presidente da Daimler, Harald Wilhelm, ao jornal. Segundo o executivo, a Mercedes irá “produzir conscientemente abaixo da demanda”, focando em produtos mais caros e exclusivos.

Mercedes-AMG EQS 53 4MATIC+ visto 3/4 de frente
Mercedes-Benz quer produzir menos e lucrar mais por unidade, focando no alto de luxo de lançamentos como o EQS Divulgação/Mercedes-Benz

A conterrânea BMW é ainda mais engenhosa, e quer se aproveitar da paciência que os clientes tiveram que desenvolver à força durante os quase dois anos de covid-19 para diluir cobranças.

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  • “Consumidores estão prontos para esperar de três a quatro meses (por um carro), e isso está ajudando nosso poder mercado. Claro que não pode demorar muito, mas se você compra um automóvel de luxo como uma BMW, é uma decisão emocional”, explicou o vice de finanças Nicolas Peter, que acha a demora um atrativo extra na experiência de aquisição.

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    Porsche bateu recorde de vendas no Brasil durante a pandemia Fernando Pires/Quatro Rodas

    Quem também deve mudar o jogo são os concessionários, que no mercado americano, por exemplo, abandonaram o desconto médio de 15% para vender carros muitas vezes mais caros que o valor de tabela. Uma vez que, segundo fontes citadas pelo FT, cada 1% a menos de desconto representa cerca de US$ 20 bilhões a menos às montadoras, pode-se esperar cada vez menos promoções à moda antiga.

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    Ram mais barata do Brasil custa R$ 427.990 e, mesmo assim, tem unidades disputadas pelos interessados Divulgação/Ram

    A proposta, claro, parece tentadora ao Brasil, onde o preço dos automóveis não para de subir por conta dos problemas globais e nacionais. Ao mesmo tempo, segmentos de luxo vêm registrando fartura, e marcas como Porsche e Ram acumulam recordes de vendas de portfólios que partem das centenas de milhares de reais. “Se está vendendo bem assim, por que baratear?”

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