Grandes Brasileiros: Miura Kabrio

O conversível foi uma fracassada experiência da Miura na tentativa final de popularizar a marca

O Kabrio nasceu para ser barato e fácil de manter O Kabrio nasceu para ser barato e fácil de manter

O Kabrio nasceu para ser barato e fácil de manter (Christian Castanho/)

Se não fosse pelo nome no capô, quem visse o carro acima nunca imaginaria que ele é um Miura. Não é para menos: trata-se de uma raridade que poderia ter mudado a história da marca. Mas para saber da sua importância é preciso voltar a 1976, quando a Aldo Auto Capas, uma empresa gaúcha que fazia acessórios, ganhou fama nacional ao criar o primeiro Miura, ousado fora de série com chassi e mecânica Volks.

Bonito e sofisticado, o esportivo caiu nas graças de um seleto público que não abria mão da exclusividade. E fez sucesso: com o país fechado aos importados, a demanda cresceu. Em 1979 a fábrica passou de 60 para 120 funcionários, com produção de 28 carros mensais. Os sócios Aldo Besson e Itelmar Gobbi chegaram ao auge da produção em 1980, quando foram fabricados 350 Miura, alguns exportados. Só que a dupla não contava com a recessão econômica do ano seguinte, que quase fechou as portas da empresa.

Superada a crise, a fábrica de Porto Alegre apostou em 1982 no Targa: seu chassi tubular possibilitava o uso de motor e tração dianteiros doVW Passat. A partir dele surgiram o conversível Spider (1983) e o cupê 2+2 Saga (1984), que logo receberam o motor 1.8 do Santana.

Mas o susto deixou sequelas: os sócios decidiram que era a hora de um conversível barato e menos sensível às instabilidades econômicas. Assim surgiu o Kabrio, o mais raro dos Miura e última aposta da marca na mecânica VW refrigerada a ar: ele custava apenas 40% de um Spider.

Frente em cunha, como nos outros Miura Frente em cunha, como nos outros Miura

Frente em cunha, como nos outros Miura (Christian Castanho/)

Mantendo a frente em cunha do Spider, o Kabrio foi o primeiro (e único) Miura sem os faróis escamoteáveis: no lugar surgiam os do Fusca, com a lente de vidro raiada quase na horizontal. Os faróis auxiliares eram integrados ao para-choque e as rodas de liga leve eram do tipo gaúcha, fornecidas pela Scorro.

Seu principal rival era o defasado Puma GTC, que não conseguia esconder as linhas da década de 60. Já o Kabrio ostentava ares de modernidade, com lanternas traseiras e retrovisores do VW Gol. A harmonia de suas linhas só era quebrada pela inclinação quase vertical do para-brisa, maior ponto negativo de seu estilo.

As lanternas vinham do então moderno VW Gol As lanternas vinham do então moderno VW Gol

As lanternas vinham do então moderno VW Gol (Christian Castanho/)

O interior exibia o mesmo capricho e qualidade presentes nos outros Miura: os iniciados sentiriam falta apenas da regulagem elétrica da coluna de direção e os mais atentos logo notavam os instrumentos do Ford Escort XR3.

Painel e console central formavam uma peça única, onde havia apenas o indispensável para a época: volante Walrod, rádio, acendedor de cigarros e ventilação forçada para desembaçar o para-brisa com a capota fechada em dias frios. Havia cinco opções de pintura: branco Polar, vermelho Carraro, preto Cadillac, branco e bege perolizados.

Interior simples, com instrumentos herdados do Escort XR3 Interior simples, com instrumentos herdados do Escort XR3

Interior simples, com instrumentos herdados do Escort XR3 (Christian Castanho/)

O exemplar das fotos pertence ao acervo do Miura Clube do Rio de Janeiro: “O Kabrio ainda podia ser montado sobre um chassi de VW Brasília usado, fornecido pelo cliente. Mesmo assim a proposta não vingou”, conta Sandro Zgur, presidente do clube. “O mercado estava cansado das limitações da mecânica refrigerada a ar e também não havia interesse por parte da VW, já que o Fusca estava prestes a sair de linha.”

Ao todo, só 14 carros foram produzidos, sendo 13 em 1984 e apenas um em 1985: rebatizada Besson & Gobbi S/A, a empresa seguiu seu caminho produzindo exclusivos cupês com a mecânicaVW refrigerada a água até 1992, quando finalmente a marca sucumbiu à concorrência dos importados.

Veja também

Ficha Técnica – Miura Kabrio 1984

Motor longitudinal, 4 cilindros opostos, duas válvulas por cilindro, comando de válvulas no bloco, alimentação por dois carburadores
Cilindrada 1584 cm³
Potência 65 cv a 4 600 rpm
Torque 12 mkgf a 3 000 rpm
Câmbio manual de 4 marchas, tração traseira
Dimensões comprimento, 366 cm; largura, 170 cm; altura, 120 cm; entre-eixos, 240 cm
Peso 890 kg
Pneus 185/70 R14 radiais
0 a 100 km/h 23 segundos
Velocidade máxima 135 km/h
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