Grandes Brasileiros: Fúria GT

Criado por Toni Bianco, o Fúria GT seguiu a rota dos Alfa Romeo nacionais que tiveram vida curta

Fúria GT Estimado para vender 25 ao mês, nunca passou do protótipo

Estimado para vender 25 ao mês, nunca passou do protótipo  (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Esportivos com mecânica Alfa Romeo sempre foram modelos bem-sucedidos… no mercado italiano. No Brasil, a produção da marca nunca alcançou voos longos. Inicialmente os Alfa foram produzidos sob licença pela Fábrica Nacional de Motores (FNM), que colocou seu “cuore sportivo” nas grades dos sedãs como o JK ou o 2300, nos anos 60. Depois de uma tentativa frustrada de produzir o FNM Onça cinco anos antes, em 1971 surgiu oportunidade de se criar um cupê Alfa nacional. Era o GT da Fúria Auto Esporte, empresa do projetista Toni Bianco e do executivo da FNM Vittorio Massari.

A ideia nasceu por sugestão do engenheiro da FNM que cuidava do braço de competições da marca. “Bati martelo por nove meses para construir o carro”, diz Bianco. O protótipo de aço serviria de molde para as carrocerias definitivas de fibra de vidro, material já usado nos para-choques. Linhas retas predominavam como num típico edifício de arquitetura Bauhaus. O cupê fastback 2+2 previa o estilo do 2300 e lembrava mais o Lamborghini Jarama que qualquer Alfa italiano – exceto o GTV, que só surgiria em 1974.

Fúria GT A traseira estilo fastback tinha lanternas de Mercedes

A traseira estilo fastback tinha lanternas de Mercedes  (/)

Os bancos dianteiros tinham formato de concha e apoio de cabeça, enquanto o volante – esportivo com três raios metálicos – era de madeira. A ignição ficava à esquerda do volante num painel que espelhava os traços externos. “Num almoço no Rio, conseguiram vender 50 unidades”, diz o projetista sobre seu primeiro carro de rua, que usava logotipos da Alfa.

Fúria GT A plataforma do esportivo era de competição, italiana, com a base mecânica do sedã nacional FNM 2150

A plataforma do esportivo era de competição, italiana, com a base mecânica do sedã nacional FNM 2150  (/)

A mecânica era a do FNM 2150. Na época dizia-se que Bianco reduziu o entre-eixos para 2,5 metros – o mesmo da 2000 Spider – e adicionou dois carburadores duplos, além de elevar a taxa de compressão. Ele afirma que a plataforma veio da Itália, de um Alfa de competição. Criado para ser 300 kg mais leve que um sedã FNM 2150, o Fúria produzia 130 cv e tinha máxima estimada em 170 km/h. Previa-se a produção de 12 a 25 unidades por mês.

Em novembro de 1971, QUATRO RODAS publicou impressões ao dirigir do protótipo. Os elogios iam para visibilidade, nível de ruído, estabilidade em curvas, freios e posição ao volante, com câmbio e comando bem ao alcance. Já o acelerador e o freio ficavam próximos demais, o que atrapalhava o punta-tacco. A direção era precisa, mas dura. “Aos poucos, a gente vai sentindo seu rodar macio, ajudado pela suspensão original do FNM 2150”, dizia o texto.

Fúria GT O interior era típico Alfa, com volante de três raios de aro de madeira e mostradores ao centro

O interior era típico Alfa, com volante de três raios de aro de madeira e mostradores ao centro  (/)

Porém nunca haveria outro Fúria. Bianco diz que concluiu quatro carrocerias, mas não sabe por que o interesse pelo GT se perdeu. O protótipo do carro que poderia ter feito companhia para o Puma GTB e o Santa Matilde nos anos 70 era vermelho, cor presente até nas rodas de magnésio de aro 15. Segundo o dono atual, um apaixonado por Alfa Romeo, ele foi comprado vermelho e batido fazia cerca de 20 anos. Mas já havia sido pintado de prata antes na própria FNM para eventos posteriores à avaliação da revista.

Fúria GT Posição de dirigir bem baixa, quase no nível do assoalho

Posição de dirigir bem baixa, quase no nível do assoalho  (/)

“Como é um JK encurtado, trepida muito. Numa viagem ao Rio, os limpadores queriam levantar e forro do teto formava uma bolha”, afirma o dono. “É o carro em que se fica mais longe do painel e direção. O banco tem efeito de mergulho, senta-se no assoalho.” Depois do Fúria GT, os Alfa Romeo brasileiros sempre tiveram quatro portas. Mas Toni Bianco não desistiria: criaria depois os fora de série Bianco S e Dardo nos anos 70.

Bianco S

Outro Fúria criado por Toni Bianco, o Bianco S, ficou até mais conhecido nas pistas do fim da década de 60 e início dos anos 70. Ele em nada parecia o GT de 1971. Usou vários motores, como o do FNM 2150, o seis-cilindros do Opala, o V8 da Chrysler, além de motores de BMW e Lamborghini. Em 1976, ele seria lançado em versão de rua, mais largo e com motor VW.

Ficha Técnica
Motor: 4 cilindros em linha, longitudinal, 2 131 cm³, 2 carburadores Solex 42 duplos horizontais, 2 comandos de válvulas no cabeçote, refrigeração a água, a gasolina. Diâmetro x curso: 84,5 x 95 mm. Taxa de compressão: 9,5:1. Potência: 130 cv a 5 700 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
Carroceria: cupê 2+2
Suspensão: Dianteira: independente, molas espirais, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos. Traseira: eixo rígido, molas helicoidais, barras tensoras, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos
Freios: disco na dianteira e tambor na traseira, servoassistidos
Rodas e pneus: magnésio, 6×15, pneus 185 RS 15 radiais
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