Clássicos: Simca 1000, um pequeno gigante francês

Criado em parceria com a Fiat, o Simca 1000 evoluiu de um carro econômico para um dos mais memoráveis esportivos

O Simca 1000 deu origem à célebre versão Rallye em 1970 O Simca 1000 deu origem à célebre versão Rallye em 1970

O Simca 1000 deu origem à célebre versão Rallye em 1970 (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Fundada pela Fiat em 1935, a Simca (Société Industrielle Mécanique et Carrosserie Automobile) vivia um ótimo momento no final dos anos 50. A empresa comandada por Henri Pigozzi era o segundo maior fabricante francês e estava disposta a aumentar a participação no mercado com um modelo popular todo novo: o Simca 1000.

A relação de Pigozzi com a família Agnelli deu acesso à engenharia da Fiat, que ajudou no desenvolvimento. Lançado no Salão de Paris de 1961, o 1000 mantinha motor e tração traseiros do Fiat 600. O estilo era assinado por Mario Revelli di Beaumont e Mario Boano.

O Simca tinha 4 portas e comportava 4 lugares O Simca tinha quatro portas e comportava quatro pessoas

O Simca tinha quatro portas e comportava quatro pessoas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

É dessa fase o carro das fotos, um modelo 1962 que pertence aos colecionadores Moisés e Júnior Almeida. Moderno, o motor de quatro cilindros e 944 cm3 exibia recursos incomuns, como cinco mancais de apoio para o virabrequim e cabeçote com fluxo cruzado.

Projetado para trabalhar em alto giro sem esforço, tinha torque e potência bem distribuídos (7,5 mkgf a 2.750 rpm e 45 cv a 5.000 rpm) e impulsionava os 711 kg através de um câmbio de quatro marchas.

Fazia 13 km/l, evitando a sobretaxa imposta pelo governo francês a automóveis de consumo elevado. Ia de 0 a 96 km/h em 26,6 s, com máxima de 115 km/h. A direção era imprecisa, mas tinha suspensão independente nas quatro rodas e freios superdimensionados. Era arisco e divertido: a concentração de peso no eixo traseiro o tornava sobresterçante.

Ia de 0 a 96 Km/h em 26,6 segundos Ia de 0 a 96 Km/h em 26,6 segundos

Ia de 0 a 96 Km/h em 26,6 segundos (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O 1000 conquistou logo seu espaço no mercado. Era muito superior a Citroën Ami e Renault Dauphine e foi capaz de conter a concorrência de novos projetos como  Renault R8, Morris 1100 e Peugeot 204.

As quatro portas e o espaço interno faziam dele uma opção mais versátil que outros europeus como Fiat 850, VW Fusca, Ford Anglia, Hillman Imp e Opel Kadett. 

Apesar de ter só 3,8 metros, levava quatro pessoas Apesar de ter só 3,8 metros, levava quatro pessoas

Apesar de ter só 3,8 metros, levava quatro pessoas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Desenhado por Giorgetto Giugiaro, o belo 1000 Coupé foi apresentado em 1962. No ano seguinte, os primeiros 1000 desembarcavam nos EUA e Canadá, importados pela Chrysler (acionista da Simca desde 1958). Nessa época, Carlo Abarth apresentava o Simca Abarth 1150, com cilindrada aumentada para 1,1 litro e potência variando de 55 a 85 cv.

Recebia freios a disco nas quatro rodas e sua versão mais potente era capaz de chegar a incríveis 170 km/h, sendo o principal rival do Renault R8 R1134, preparado por Amédée Gordini.

Ainda em 1963 eram lançadas a versão de entrada, 900 (com potência reduzida para 36 cv), e a topo de linha, 1000 GL (pintura metálica, cromados e acabamento mais luxuoso). Em 1966, surgiu o câmbio semiautomático de três marchas.

Motor, radiador e tanque sobre o eixo traseiro Motor, radiador e tanque sobre o eixo traseiro

Motor, radiador e tanque sobre o eixo traseiro (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Sob o controle da Chrysler, a Simca ampliou a garantia para dois anos ou 60.000 km na tentativa de manter o apelo do pequeno sedã. A concorrência com o novo modelo 1100 (primeiro Simca de tração dianteira) fez a produção anual despencar para menos de 100.000 unidades em 1968.

A queda motivou uma reestilização em 1969. A dirigibilidade melhorou com um novo motor de 1.118 cm3, modificações nas suspensões e uma nova caixa de direção com pinhão e cremalheira.

As rodas cresceram de 12 para 13 polegadas, com pneus radiais e freios dianteiros a disco. A marca de 1 milhão de unidades produzidas foi alcançada em 1970.

As malas viajavam na frente As malas viajavam na frente, em compartimento sem proteção ou isolantes

As malas viajavam na frente, em compartimento sem proteção ou isolantes (Christian Castanho/Quatro Rodas)

No mesmo ano, o 1000 ganhou a versão esportiva Rallye, caracterizada pelo capô preto fosco, rodas e faixas pretas e faróis de milha. Trazia ainda bancos concha, cinto de três pontos, volante de diâmetro reduzido e instrumentação completa com conta-giros, voltímetro e termômetro de óleo. Seu motor tinha 1.294 cm3, rendia 60 cv e o levava a 155 km/h.

Chegava nos incríveis 170Km/h

O Rallye 2 foi lançado no Salão de Paris de 1972, com dois carburadores, que geravam 82 cv. Chegava a 170 km/h e tinha freios a disco nas quatro rodas. Foi sucedido pelo Rallye 3 em 1977, com 103 cv e 178 km/h de máxima.

Agressivo, era um carro de pista homologado para as ruas. Por isso, tornou-se muito popular em corridas para carros de baixa cilindrada.

Com o tempo, o 1000 foi superado por Fiat 127, Renault 5 e VW Polo. Faróis retangulares vieram em 1977, mas a produção acabou um ano depois: a Chrysler encerrou as atividades na Europa e entregou a fábrica de Poissy ao Grupo PSA.

Mas ele foi um sucesso: em 17 anos, quase 2 milhões de unidades produzidas na França, Espanha, Colômbia e Marrocos.

Veja também

Ficha técnica – Simca 1000 1962

  • Motor: 4 cilindros em linha de 944 cm3, 45 cv a 5.000 rpm, 7,5 mkgf a 2.750 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas
  • Carroceria: fechada, 4 portas, 4 lugares
  • Dimensões: comprimento, 379 cm; largura, 148 cm; altura, 139 cm; entre-eixos, 222 cm; peso, 711 kg
  • Desempenho: 0 a 96 km/h em 26,6 segundos; velocidade máxima de 115 km/h
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