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TV, neon e inteligência artificial: Miura X11 é tecnológico até hoje

Preparado para enfrentar a invasão estrangeira, ele representou (literalmente) a última palavra de sofisticação e requinte entre os fora de série

Por Felipe Bitu Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 23 jan 2021, 12h40 - Publicado em 23 jan 2021, 08h00
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Cupês esportivos de tração dianteira eram tendência nos anos 80 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Falecido em outubro, o empresário Itelmar Gobbi será sempre lembrado como o espírito criativo nas linhas dos esportivos Miura, produzidos em Porto Alegre pela Besson Gobbi & Cia. desde 1977.

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A parceria com o sócio Aldo Besson resultou em um grau de refinamento incomum para carros nacionais, não havendo limites para a extravagância: o pináculo da sofisticação seria alcançado em 1990 com o cupê X11.

O conceito original do Miura X11 (assim batizado por ser o 11º modelo do fabricante) era o de ser uma versão mais acessível do cupê X8, com bancos revestidos de tecido e sem opção do ar-condicionado.

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A baixa procura pelo modelo espartano fez com que a ideia fosse rapidamente abandonada. Um grupo de executivos viu no X11 a oportunidade perfeita para ir no sentido oposto: mostrar que a empresa era capaz de enfrentar a invasão dos importados. E assim ele fez sua primeira aparição na 16a edição do Salão de São Paulo.

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Apresentado no Salão de São Paulo, o X11 era avançado mesmo para padrões internacionais (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Seu nível de equipamentos era superior ao do já consagrado X8, representando o que havia de mais exclusivo na indústria nacional: direção hidráulica, ar-condicionado, teto solar, interior revestido de couro, trio elétrico, abertura das portas por chave presencial, bancos e coluna de direção com ajustes elétricos, retrovisor fotocrômico, televisão no painel, computador de bordo com sintetizador de voz (o carro falava com o motorista) e o bargraph – uma barra de luz rítmica na dianteira que acompanhava a fonética do sintetizador.

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O painel utilizava o mesmo padrão de instrumentação do Alfa Romeo 2300, mas com grafismo próprio (Fernando Pires/Quatro Rodas)

“O X11 foi desenvolvido em tempo recorde, tão rápido que nem sequer houve tempo ou recursos para ser homologado junto ao Denatran”, conta Sandro Zgur, presidente do Miura Clube do Rio de Janeiro. “O que pouca gente sabe é que, tecnicamente falando, todo X11 tem seus documentos registrados como X8, situação curiosa que ainda confunde muitos entusiastas do esportivo gaúcho.”

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Faróis escamoteáveis entregavam a idade do projeto (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Renomeada Besson, Gobbi S.A., a empresa também fez questão de abandonar o anacrônico e incoerente carburador do motor Volkswagen AP-2000 até então utilizado do X8 pela injeção eletrônica analógica Bosch LE-Jetronic de quatro bicos, a mesma do Gol GTi. Os freios eram a disco nas quatro rodas e contavam com o auxílio do sistema ABS desenvolvido pela Varga.

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Motor VW AP 2.0i do Gol GTi: referência em desempenho para a época (Fernando Pires/Quatro Rodas)

As suspensões, as mesmas do VW Santana EX, ofereciam outro opcional interessante: amortecedores eletrônicos fornecidos pela Cofap, com três calibrações distintas (asfalto, cascalho e paralelepípedo). O comportamento dinâmico era favorecido pelas rodas de 14 polegadas de liga leve com pneus 195/70. Rodas BBS de 15 polegadas eram opcionais.

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Refrigeração era auxiliada por entradas de ar abaixo e acima do para-choque (Fernando Pires/Quatro Rodas)

A carroceria do X11 seguia o mesmo estilo básico dos modelos X8, caracterizado pela frente em cunha com faróis escamoteáveis e supressão dos tradicionais faróis de neblina. Praticamente artesanal, o interior do X11 era quase totalmente revestido de couro: o material estava presente nos painéis de porta, colunas, painel, console e volante.

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Pavor da causa animal: couro legítimo por toda parte (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Completo, o painel utilizava o mesmo padrão de instrumentação do Alfa Romeo 2300, mas com grafismo próprio. Outro equipamento que causava sensação era o piloto automático Speedostat, com comandos inseridos na manopla do câmbio.

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Piloto automático acionado na manopla do câmbio (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O ponto negativo de tanta sofisticação e requinte era o peso: o Miura era cerca de 120 kg mais pesado que um VW Santana, motivo pelo qual seu material publicitário jamais enfatizou números de desempenho. A ambição do fabricante era cativar e fidelizar sua clientela pela exclusividade, não pela esportividade.

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Apenas 2,48 metros entre os eixos: um legítimo cupê 2+2 (Fernando Pires/Quatro Rodas)

No total, cerca de 20 unidades do Miura X11 foram produzidas. O último X11 deixou a fábrica no bairro de Navegantes em 1992, finalizando em definitivo a produção dos requintados cupês. A Besson, Gobbi S.A. encerraria suas atividades em 1995, com as caminhonetes BG Truck de cabine estendida e cabine dupla.

Ficha técnica do Miura X11 1991:

Motor: longitudinal, 4 cilindros, 1984 cm³, SOHC, injeção eletrônica
Potência: 125 cv a 5.800 rpm
Torque: 19,5 kgfm a 3.000 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, dianteira
Dimensões: comprimento, 436 cm; largura, 169 cm; altura, 128 cm; entre-eixos, 248 cm; peso, 1.200 kg
Pneus: 195/70 R 14
Preço: Cr$ 14.000.000 (julho de 1991)
R$ 399.977 (atualizado)

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(arte/Quatro Rodas)
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