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Clássicos: Volkswagen Santana EX é considerado o melhor de todos os tempos

Executivo de carreira curta, seu currículo incluía injeção eletrônica como a do Gol GTi e amortecedores a gás

Por Fabiano Pereira Atualizado em 14 set 2021, 18h26 - Publicado em 13 set 2020, 12h57
O Santana Executivo trouxe a injeção eletrônica estreada pelo Gol GTi e 125 cv
O Santana Executivo trouxe a injeção eletrônica estreada pelo Gol GTi e 125 cv Christian Castanho/Quatro Rodas

Publicado originalmente em julho de 2009

O EX do logotipo na traseira se referia a Executivo, nome da nova série especial do Santana. Mas podia ser associado a palavras como exclusividade, exigência ou mesmo exibição. Lançado em fevereiro de 1990, foi o primeiro Santana com injeção eletrônica, recurso que só o Gol GTi teve antes.

Além do melhor desempenho, o EX trazia uma série de requintes exclusivos. Aos discos de freio ventilados do Gol GTi somaram-se amortecedores pressurizados a gás, recurso inédito entre os VW nacionais.

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As rodas de liga leve douradas parecidas com as BBS alemãs rendiam um aspecto mais luxuoso e o aerofólio com luz adicional de freio que contornava toda a borda do porta-malas deixava claro que aquele não era um Santana qualquer.

Vinha equipado com aerofólio, amortecedores pressurizados a gás e bancos Recaro
Vinha equipado com aerofólio, amortecedores pressurizados a gás e bancos Recaro Christian Castanho/Quatro Rodas

Para justificar o preço 60% maior que o da versão até então mais luxuosa, a GLS, o EX precisava ser diferenciado de longe. Ele só era disponível com quatro portas e em azul (Mônaco, a cor do primeiro Gol GTi), preto ou vermelho, sempre metálico. A grade tinha desenho próprio de apenas três frisos, cor grafite e o logotipo VW era cromado.

 

Moldura de vidros, retrovisores e frisos eram cinza e a parte superior dos para-choques vinha na cor grafite. Lanternas fumê, escapamento oval, antena no teto, molduras sob as portas, pneus 185/60 HR 14 Pirelli P-600 e vidros laterais e traseiro verdes complementavam o visual.

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Apenas 5.000 unidades do Santana EX foram produzidas
Apenas 5.000 unidades do Santana EX foram produzidas Christian Castanho/Quatro Rodas

Por dentro, havia trava central e sobre o carpete cinza ficavam tapetes com a sigla EX. O câmbio manual era o do Gol GTi. Iluminação vermelha tingia os instrumentos e os bancos Recaro e a forração eram de couro cinza, mas podiam ser pedidos de tecido. Rodas com pintura prata e câmbio automático de três marchas eram outros opcionais. Tudo isso saía por 1,4 milhão de cruzados novos, hoje cerca de R$ 420.811.

Apenas 5.000 unidades do Santana EX foram produzidas
Christian Castanho/Quatro Rodas

Enquanto no GTi a injeção roubava a cena, no EX a suspensão tinha brilho próprio. “Com amortecedores a gás (que são melhores que os convencionais porque não perdem eficiência sob uso intermitente), o Santana ficou suave sem ser mole e estável sem ser duro”, escreveu em janeiro de 1990 Luiz Bartolomais Jr., para quem o EX era quase outro Santana.

Câmbio do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck.
Câmbio do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck. Christian Castanho/Quatro Rodas

“O melhor, porém, é que a essa característica juntaram-se a potência e as respostas rapidíssimas do motor 2.0 com injeção.” Segundo Thyago Szoke, presidente do Santana Fahrer Club, mais que melhor controle em curvas, os amortecedores a gás atenuaram as empinadas que faziam o Santana perder tração nas saídas.

  • Quando a impressão foi traduzida em números no teste duas edições depois, o resultado não impressionou tanto. Foi de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e atingiu 168,5 km/h. Ainda assim, estabilidade, silêncio, suavidade do motor e qualidade do ar-condicionado e da direção hidráulica progressiva se destacaram. Já itens como a falta de regulagem de altura do volante e de computador de bordo e uma borracha tapando o buraco original da antena no para-lama eram falhas que não condiziam com seu preço.

    Motor do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck.
    Motor do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck. Christian Castanho/Quatro Rodas

    Desde novo, o exemplar fotografado pertence à família do administrador de empresas paulista Werner Fleck. Segundo Szoke, muitos ainda consideram o EX o melhor Santana produzido. Ele explica que, no total, foram fabricadas 5.000 unidades da série especial.

    Já em 1991, o EX virava “ex”, ao desaparecer abrindo caminho para a nova geração do Santana, que oferecia até catalisador e o primeiro ABS em carro nacional de série. A tradição de inovação era mantida. Já a exclusividade e o status do Executivo até hoje não se repetiram na história dos VW brasileiros.

    Ficha técnica

    • Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1984 cm³, injeção eletrônica
    • Diâmetro x curso: 82,5 x 92,8 mm
    • Taxa de compressão: 10:1
    • Potência: 125 cv a 5 800 rpm
    • Torque: 19,5 mkgf a 3 000 rpm
    • Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
    • Dimensões: comprimento, 453 cm; largura, 169 cm; altura, 140 cm; entre-eixos, 255 cm; peso: 1 150 kg
    • Suspensão: Dianteira: independente, McPherson, braços inferiores triangulares, barra estabilizadora. Traseira: eixo em V trabalhando em torção, braços longitudinais tubulares
    • Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira, com servo
    • Rodas: liga leve, 14 x 6, pneus 195/60 HR 14
    Motor do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck.
    Acervo/Quatro Rodas

    Teste QUATRO RODAS – Março de 1990

    • Aceleração 0 a 100 km/h – 11,5 s
    • Velocidade máxima – 168,5 km/h
    • Frenagem 80 km/h a 0 – n/d
    • Consumo – 8,84 km/l (cidade) e 11,99/12,90 km/l (estrada, a 100 km/h, carregado/vazio)

    Preço

    Fevereiro 1990 – NCz$ 1.400.000

    Atualizado – R$ 420.811 (IPC-SP, agosto de 2020)

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