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Clássicos: Volkswagen Santana EX é considerado o melhor de todos os tempos

Executivo de carreira curta, seu currículo incluía injeção eletrônica como a do Gol GTi e amortecedores a gás

Por Fabiano Pereira - Atualizado em 15 set 2020, 01h24 - Publicado em 13 set 2020, 12h57
O Santana Executivo trouxe a injeção eletrônica estreada pelo Gol GTi e 125 cv Christian Castanho/Quatro Rodas

Publicado originalmente em julho de 2009

O EX do logotipo na traseira se referia a Executivo, nome da nova série especial do Santana. Mas podia ser associado a palavras como exclusividade, exigência ou mesmo exibição. Lançado em fevereiro de 1990, foi o primeiro Santana com injeção eletrônica, recurso que só o Gol GTi teve antes.

Além do melhor desempenho, o EX trazia uma série de requintes exclusivos. Aos discos de freio ventilados do Gol GTi somaram-se amortecedores pressurizados a gás, recurso inédito entre os VW nacionais.

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As rodas de liga leve douradas parecidas com as BBS alemãs rendiam um aspecto mais luxuoso e o aerofólio com luz adicional de freio que contornava toda a borda do porta-malas deixava claro que aquele não era um Santana qualquer.

Vinha equipado com aerofólio, amortecedores pressurizados a gás e bancos Recaro Christian Castanho/Quatro Rodas

Para justificar o preço 60% maior que o da versão até então mais luxuosa, a GLS, o EX precisava ser diferenciado de longe. Ele só era disponível com quatro portas e em azul (Mônaco, a cor do primeiro Gol GTi), preto ou vermelho, sempre metálico. A grade tinha desenho próprio de apenas três frisos, cor grafite e o logotipo VW era cromado.

Moldura de vidros, retrovisores e frisos eram cinza e a parte superior dos para-choques vinha na cor grafite. Lanternas fumê, escapamento oval, antena no teto, molduras sob as portas, pneus 185/60 HR 14 Pirelli P-600 e vidros laterais e traseiro verdes complementavam o visual.

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Apenas 5.000 unidades do Santana EX foram produzidas Christian Castanho/Quatro Rodas

Por dentro, havia trava central e sobre o carpete cinza ficavam tapetes com a sigla EX. O câmbio manual era o do Gol GTi. Iluminação vermelha tingia os instrumentos e os bancos Recaro e a forração eram de couro cinza, mas podiam ser pedidos de tecido. Rodas com pintura prata e câmbio automático de três marchas eram outros opcionais. Tudo isso saía por 1,4 milhão de cruzados novos, hoje cerca de R$ 420.811.

Christian Castanho/Quatro Rodas

Enquanto no GTi a injeção roubava a cena, no EX a suspensão tinha brilho próprio. “Com amortecedores a gás (que são melhores que os convencionais porque não perdem eficiência sob uso intermitente), o Santana ficou suave sem ser mole e estável sem ser duro”, escreveu em janeiro de 1990 Luiz Bartolomais Jr., para quem o EX era quase outro Santana.

Câmbio do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck. Christian Castanho/Quatro Rodas

“O melhor, porém, é que a essa característica juntaram-se a potência e as respostas rapidíssimas do motor 2.0 com injeção.” Segundo Thyago Szoke, presidente do Santana Fahrer Club, mais que melhor controle em curvas, os amortecedores a gás atenuaram as empinadas que faziam o Santana perder tração nas saídas.

Quando a impressão foi traduzida em números no teste duas edições depois, o resultado não impressionou tanto. Foi de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e atingiu 168,5 km/h. Ainda assim, estabilidade, silêncio, suavidade do motor e qualidade do ar-condicionado e da direção hidráulica progressiva se destacaram. Já itens como a falta de regulagem de altura do volante e de computador de bordo e uma borracha tapando o buraco original da antena no para-lama eram falhas que não condiziam com seu preço.

Motor do Santana Ex, modelo 1990 da Volkswagen, do administrador de empresas Werner Fleck. Christian Castanho/Quatro Rodas

Desde novo, o exemplar fotografado pertence à família do administrador de empresas paulista Werner Fleck. Segundo Szoke, muitos ainda consideram o EX o melhor Santana produzido. Ele explica que, no total, foram fabricadas 5.000 unidades da série especial.

Já em 1991, o EX virava “ex”, ao desaparecer abrindo caminho para a nova geração do Santana, que oferecia até catalisador e o primeiro ABS em carro nacional de série. A tradição de inovação era mantida. Já a exclusividade e o status do Executivo até hoje não se repetiram na história dos VW brasileiros.

Ficha técnica

  • Motor: dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1984 cm³, injeção eletrônica
  • Diâmetro x curso: 82,5 x 92,8 mm
  • Taxa de compressão: 10:1
  • Potência: 125 cv a 5 800 rpm
  • Torque: 19,5 mkgf a 3 000 rpm
  • Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
  • Dimensões: comprimento, 453 cm; largura, 169 cm; altura, 140 cm; entre-eixos, 255 cm; peso: 1 150 kg
  • Suspensão: Dianteira: independente, McPherson, braços inferiores triangulares, barra estabilizadora. Traseira: eixo em V trabalhando em torção, braços longitudinais tubulares
  • Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira, com servo
  • Rodas: liga leve, 14 x 6, pneus 195/60 HR 14
Acervo/Quatro Rodas

Teste QUATRO RODAS – Março de 1990

  • Aceleração 0 a 100 km/h – 11,5 s
  • Velocidade máxima – 168,5 km/h
  • Frenagem 80 km/h a 0 – n/d
  • Consumo – 8,84 km/l (cidade) e 11,99/12,90 km/l (estrada, a 100 km/h, carregado/vazio)

Preço

Fevereiro 1990 – NCz$ 1.400.000

Atualizado – R$ 420.811 (IPC-SP, agosto de 2020)

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