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Dança das cadeiras

Após a alta em 2013, mercado de novos enfrenta queda nas vendas. Antes em crise, setor de usados agora só tem a comemorar

Por Gustavo Henrique Ruffo Atualizado em 1 jul 2021, 14h33 - Publicado em 4 dez 2014, 15h54
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As coisas não vão bem para as montadoras. De janeiro a setembro, as vendas de carros novos caíram 8,9%, comparadas ao mesmo período de 2013, segundo a Fenabrave (associação dos fabricantes). Só em julho, a queda foi de 16,8% em relação ao mesmo mês de 2013. Enquanto as concessionárias sofrem, o setor de usados é pura alegria: em julho, a alta foi de 22,8%, segundo a Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores). No acumulado de 2014, elas estão 6,2% acima do ano passado.

Esse crescimento é reflexo principalmente de três fatores: o aumento de preço dos veículos novos nos

últimos anos, o prazo médio de garantia de fábrica, que subiu para três anos, e a queda nas taxas de

financiamento dos seminovos. “Quando a tabela do carro novo sobe, a do usado não sobe na mesma

velocidade. Isso torna o usado muito atraente por cerca de um mês, que é o tempo que ele leva, em média, para voltar a se valorizar diante do zero-quilômetro”, diz Paulo Garbossa, diretor da consultoria ADK Automotive. “Além disso, agora é possível comprar um seminovo ainda na garantia. No passado, essa era a grande vantagem de um carro zero.”

Dados da Fenauto confirmam o que afirma Garbossa. Segundo a entidade, o maior crescimento das vendas está justamente na faixa dos veículos com até três anos de uso – não por coincidência, o mesmo tempo médio de garantia oferecido hoje. Se apenas os seminovos fossem considerados, o aumento de vendas no acumulado do ano seria de 13,2%. “O mercado de novos puxou todos os preços para cima”, diz Ilídio Gonçalves dos Santos, presidente da Fenauto.

George Assad Chahade, presidente da Assovesp (associação paulista dos lojistas independentes), lembra que o setor de usados amargou um longo período de vacas magras. “O mercado está se recuperando da forte crise de 2011 a 2013. Uma recuperação que até demorou para vir.”

Antonio Sarzi Neto, da loja multimarcas Porsche Veículos, sabe bem o que é isso. No período de crise, ele comercializava em média 15 carros por mês. “De uns seis meses para cá, estamos vendendo em torno de 30. É o dobro, comparado ao perío do mais duro, mas isso é uma normalização. Antes da crise, vendíamos mais ou menos isso.” Ele confirma que a recuperação se deve ao aumento da tabela das montadoras, mas também a condições melhores de financiamento. “Tem bancos me oferecendo as mesmas taxas que as do carro zero. Os juros estão excelentes.”

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