Combustível a la carte: saiba escolher o melhor para seu carro

Ir ao posto é algo trivial. Mas escolher o "alimento" certo para o veículo faz diferença no bolso (e no desempenho)

Reportagem tipos de gasolina Os diferentes tipos de gasolina têm propriedades específicas

Os diferentes tipos de gasolina têm propriedades específicas (Mauricio Planel/Quatro Rodas)

Parar no posto e abastecer é uma atividade rotineira e trivial. Mas em tempos de preços assustadores é bom saber o que vale a pena colocar no tanque.

Os diferentes tipos de gasolina, etanol e diesel têm propriedades específicas que podem fazer o motor ter mais eficiência e melhor rendimento. 

QUATRO RODAS ouviu especialistas para mostrar qual combustível é o ideal para o seu automóvel e desvendar lendas a respeito de certas misturas de gasolinas, além de dicas do que fazer quando o motorista distraído não viu quando colocaram diesel no seu carro a gasolina.

Gasolina premium

A Ipiranga tem a Ocatapro; a Shell tem a V-Power Racing; e a Petrobras tem a Podium

A Ipiranga tem a Ocatapro; a Shell tem a V-Power Racing; e a Petrobras tem a Podium (Alexandre Battibugli/Quatro Rodas)

Cada distribuidora batiza sua gasolina de alta octanagem a seu bel-prazer: existe a Octapro, da Ipiranga; a V-Power Racing, da Shell; e a Podium, da Petrobras.

Todas são oriundas de petróleo de melhor qualidade, recebem aditivos e têm baixo teor de enxofre, de 50 ppm (a BR diz que a Podium tem 30 ppm).

O poder calorífico é o mesmo da comum e da aditivada, mas o principal é a octanagem de 91 (IAD) – as demais têm 87.

Muitos fabricantes recomendam esse combustível principalmente para carros com motores de alta performance com elevada taxa de compressão, turbinados ou com injeção direta.

“Nos motores turbo, com maior octanagem aproveita-se melhor a potência do motor”, explica o diretor de Combustíveis da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves.

Carros de baixa cilindrada podem utilizar esse tipo de combustível? Podem, sem problemas. Porém, não é possível afirmar que o motor se beneficiará da maior octanagem, já que a potência máxima é atingida normalmente com combustíveis comuns.

Gasolina de alta performance é recomendada para uso no tanquinho de partida a frio e também para veículos que rodam pouco e ficam com a gasolina parada no tanque por muito tempo. O prazo de validade destas é superior.

Premium em motores menores

Em motores menores, a gasolina premium também pode trazer benefícios

Em motores menores, a gasolina premium também pode trazer benefícios (Acervo/Quatro Rodas)

Para os “mortais”, a gasolina premium também pode trazer benefícios – bem mais discretos, é verdade. A BR até aconselha a gasolina premium para motores com compressão maior ou igual a 10:1, com a promessa de retomadas mais rápidas e ultrapassagens mais seguras.

Motores de baixa cilindrada, de três cilindros, e turbo, por exemplo, podem ser beneficiados. É necessário fazer os cálculos, no entanto, para analisar se o ganho de performance compensa o custo superior.

Contudo, esse ganho depende e varia conforme o motor. “A premium favorece o desempenho e a eficiência. Quando se tem carro com taxa de compressão alta, sistema de injeção mais moderno, que controla o ponto de ignição, consegue-se ganhar mais”, diz o especialista em combustíveis da Petrobras, Alexandre Ferreira Correia.

Gasolina aditivada

Nada mais é do que uma gasolina comum com aditivos que limpam o sistema de injeção

Nada mais é do que uma gasolina comum com aditivos que limpam o sistema de injeção (Acervo/Quatro Rodas)

Essa nada mais é do que a gasolina comum com aditivos que executam a limpeza do sistema de injeção e câmara de combustão, evitam os depósitos formados pelo combustível e que podem conter aditivo modificador de atrito.

Essas características garantem a melhor manutenção do sistema, mas não melhoram desempenho. Por isso, não acredite em promessas acerca de performance superior com esse combustível. Não procede.

A comum não presta?

Os novos processos de refino deixaram a gasolina brasileira com menor teor de enxofre e menos propensa a formar depósitos.

A grande diferença é que ela não recebe aditivos. “A comum hoje em dia funciona bem. Desde que o combustível não seja adulterado”, afirma Gonçalves.

Misturar as gasolinas

A prática é possível. Não é verdade que não se pode misturar gasolinas.

No caso de comum e aditivada, tal procedimento apenas diminui o poder de limpeza da aditivada, porque a comum misturada diminui a concentração dos aditivos.

Se a mistura for entre comum ou aditivada com premium, o prejuízo é na redução da octanagem característica da premium.

“Nos dois casos não há problemas ou riscos”, afirma o gerente executivo de Planejamento de Varejo da Ipiranga, Marcio Neves.

E quem só usa comum?

Em casos extremos existe a possibilidade de um automóvel apresentar falhas em razão do acúmulo de sujeira que foi limpa pelos aditivos.

Mas isso pode ocorrer com o veículo que sempre rodou apenas com gasolina comum e fez pouca ou nenhuma manutenção por longo tempo (coisa de cinco anos). 

Alternar o combustível nos flex

Os motores flex são projetados para se adaptar rapidamente à mistura que está no tanque

Os motores flex são projetados para se adaptar rapidamente à mistura que está no tanque (Acervo/Quatro Rodas)

Essa é outra recomendação que não passa de mito. Os motores flex são projetados para se adaptar rapidamente à mistura que está no tanque.

O único detalhe é para quem mora em locais frios, com temperaturas abaixo dos 18oC, onde a partida do motor com o tanque com mais gasolina vai ser mais rápida e eficiente.

Nesses locais, aliás, quem prefere utilizar só etanol pode acrescentar uma pequena porcentagem de gasolina para facilitar o funcionamento do motor na fase fria.

Etanol aditivado

Caiu em desuso. Isso porque a própria composição química do etanol é mais limpa que a da gasolina, ou seja, não forma resíduos. Mesmo assim, vale pelos modificadores de atrito, que podem melhorar a eficiência do motor.

Diesel S10 em motor velho

O S10 promove queima mais rápida e gera mais desempenho

O S10 promove queima mais rápida e gera mais desempenho (Acervo/Quatro Rodas)

Alguns mecânicos alardeiam que motor projetado para receber o diesel S500 apresenta problemas quando recebe o S10, com bem menos teor de enxofre. Pura lenda.

“Pelo contrário, o veículo terá ganho. O S10 promove queima mais rápida e gera mais desempenho. O oposto é que não deve ser feito. Usar S500 nos veículos projetados para o S10 pode degradar o sistema de controle de emissões aos poucos”, alerta Correia, da BR.

Carros com motores modernos a diesel têm alertas ao usuário para que não utilize S500 (ou S50), sob pena de provocar danos ao veículo.

E vale a pena prestar atenção a esse detalhe: danos ao motor provocados pelo uso incorreto de combustível não são cobertos pela garantia (se houver).

Coloquei o combustível errado

Você estava distraído e o frentista desatento colocou diesel no seu carro a gasolina.

O motor dificilmente vai pegar, tanto pela baixa resistência do diesel à detonação quanto pelas baixas pressões dos injetores do motor a gasolina, muito menores do que as pressões dos injetores dos projetos a diesel.

Já o contrário, ao abastecer o veículo a diesel com gasolina, ocasionará falhas e perda de potência, por conta da alta resistência à detonação da gasolina. “Além disso, pela baixa lubricidade da gasolina, devem ocorrer danos à bomba de combustível”, diz Neves, da Ipiranga.

E como devo limpar esse tanque?

Chame um reboque e nem tente retirar o combustível que foi colocado erradamente. Este deve ser drenado em uma oficina especializada, que tem maquinário apropriado – o dreno pode ser feito pela bomba de combustível ou pela boca do tanque.

Nâo insista em “queimar” o combustível com o carro rodando, pois a prática irá potencializar os danos.

Gasolina formulada

Também conhecida como gasolina C, é uma espécie de combustível reaproveitado.

Ela é produzida por formuladores que apenas misturam matérias-primas que sobram de refinarias, centrais petroquímicas ou importadas.

Essas sobras são utilizadas pelas distribuidoras dentro do prazo de validade estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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