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Combustível a la carte: saiba escolher o melhor para seu carro

Ir ao posto é algo trivial. Mas escolher o "alimento" certo para o veículo faz diferença no bolso (e no desempenho)

Por Fernando Miragaya - 16 jul 2018, 19h49
Reportagem tipos de gasolina
Os diferentes tipos de gasolina têm propriedades específicas Mauricio Planel/Quatro Rodas

Parar no posto e abastecer é uma atividade rotineira e trivial. Mas em tempos de preços assustadores é bom saber o que vale a pena colocar no tanque.

Os diferentes tipos de gasolina, etanol e diesel têm propriedades específicas que podem fazer o motor ter mais eficiência e melhor rendimento. 

QUATRO RODAS ouviu especialistas para mostrar qual combustível é o ideal para o seu automóvel e desvendar lendas a respeito de certas misturas de gasolinas, além de dicas do que fazer quando o motorista distraído não viu quando colocaram diesel no seu carro a gasolina.

Gasolina premium

A Ipiranga tem a Ocatapro; a Shell tem a V-Power Racing; e a Petrobras tem a Podium Alexandre Battibugli/Quatro Rodas

Cada distribuidora batiza sua gasolina de alta octanagem a seu bel-prazer: existe a Octapro, da Ipiranga; a V-Power Racing, da Shell; e a Podium, da Petrobras.

Todas são oriundas de petróleo de melhor qualidade, recebem aditivos e têm baixo teor de enxofre, de 50 ppm (a BR diz que a Podium tem 30 ppm).

O poder calorífico é o mesmo da comum e da aditivada, mas o principal é a octanagem de 91 (IAD) – as demais têm 87.

Muitos fabricantes recomendam esse combustível principalmente para carros com motores de alta performance com elevada taxa de compressão, turbinados ou com injeção direta.

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“Nos motores turbo, com maior octanagem aproveita-se melhor a potência do motor”, explica o diretor de Combustíveis da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves.

Carros de baixa cilindrada podem utilizar esse tipo de combustível? Podem, sem problemas. Porém, não é possível afirmar que o motor se beneficiará da maior octanagem, já que a potência máxima é atingida normalmente com combustíveis comuns.

Gasolina de alta performance é recomendada para uso no tanquinho de partida a frio e também para veículos que rodam pouco e ficam com a gasolina parada no tanque por muito tempo. O prazo de validade destas é superior.

Premium em motores menores

Em motores menores, a gasolina premium também pode trazer benefícios Acervo/Quatro Rodas

Para os “mortais”, a gasolina premium também pode trazer benefícios – bem mais discretos, é verdade. A BR até aconselha a gasolina premium para motores com compressão maior ou igual a 10:1, com a promessa de retomadas mais rápidas e ultrapassagens mais seguras.

Motores de baixa cilindrada, de três cilindros, e turbo, por exemplo, podem ser beneficiados. É necessário fazer os cálculos, no entanto, para analisar se o ganho de performance compensa o custo superior.

Contudo, esse ganho depende e varia conforme o motor. “A premium favorece o desempenho e a eficiência. Quando se tem carro com taxa de compressão alta, sistema de injeção mais moderno, que controla o ponto de ignição, consegue-se ganhar mais”, diz o especialista em combustíveis da Petrobras, Alexandre Ferreira Correia.

Gasolina aditivada

Nada mais é do que uma gasolina comum com aditivos que limpam o sistema de injeção Acervo/Quatro Rodas

Essa nada mais é do que a gasolina comum com aditivos que executam a limpeza do sistema de injeção e câmara de combustão, evitam os depósitos formados pelo combustível e que podem conter aditivo modificador de atrito.

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Essas características garantem a melhor manutenção do sistema, mas não melhoram desempenho. Por isso, não acredite em promessas acerca de performance superior com esse combustível. Não procede.

A comum não presta?

Os novos processos de refino deixaram a gasolina brasileira com menor teor de enxofre e menos propensa a formar depósitos.

A grande diferença é que ela não recebe aditivos. “A comum hoje em dia funciona bem. Desde que o combustível não seja adulterado”, afirma Gonçalves.

Misturar as gasolinas

A prática é possível. Não é verdade que não se pode misturar gasolinas.

No caso de comum e aditivada, tal procedimento apenas diminui o poder de limpeza da aditivada, porque a comum misturada diminui a concentração dos aditivos.

Se a mistura for entre comum ou aditivada com premium, o prejuízo é na redução da octanagem característica da premium.

“Nos dois casos não há problemas ou riscos”, afirma o gerente executivo de Planejamento de Varejo da Ipiranga, Marcio Neves.

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E quem só usa comum?

Em casos extremos existe a possibilidade de um automóvel apresentar falhas em razão do acúmulo de sujeira que foi limpa pelos aditivos.

Mas isso pode ocorrer com o veículo que sempre rodou apenas com gasolina comum e fez pouca ou nenhuma manutenção por longo tempo (coisa de cinco anos). 

Alternar o combustível nos flex

Os motores flex são projetados para se adaptar rapidamente à mistura que está no tanque Acervo/Quatro Rodas

Essa é outra recomendação que não passa de mito. Os motores flex são projetados para se adaptar rapidamente à mistura que está no tanque.

O único detalhe é para quem mora em locais frios, com temperaturas abaixo dos 18oC, onde a partida do motor com o tanque com mais gasolina vai ser mais rápida e eficiente.

Nesses locais, aliás, quem prefere utilizar só etanol pode acrescentar uma pequena porcentagem de gasolina para facilitar o funcionamento do motor na fase fria.

Etanol aditivado

Caiu em desuso. Isso porque a própria composição química do etanol é mais limpa que a da gasolina, ou seja, não forma resíduos. Mesmo assim, vale pelos modificadores de atrito, que podem melhorar a eficiência do motor.

Diesel S10 em motor velho

O S10 promove queima mais rápida e gera mais desempenho Acervo/Quatro Rodas

Alguns mecânicos alardeiam que motor projetado para receber o diesel S500 apresenta problemas quando recebe o S10, com bem menos teor de enxofre. Pura lenda.

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“Pelo contrário, o veículo terá ganho. O S10 promove queima mais rápida e gera mais desempenho. O oposto é que não deve ser feito. Usar S500 nos veículos projetados para o S10 pode degradar o sistema de controle de emissões aos poucos”, alerta Correia, da BR.

Carros com motores modernos a diesel têm alertas ao usuário para que não utilize S500 (ou S50), sob pena de provocar danos ao veículo.

E vale a pena prestar atenção a esse detalhe: danos ao motor provocados pelo uso incorreto de combustível não são cobertos pela garantia (se houver).

Coloquei o combustível errado

Você estava distraído e o frentista desatento colocou diesel no seu carro a gasolina.

O motor dificilmente vai pegar, tanto pela baixa resistência do diesel à detonação quanto pelas baixas pressões dos injetores do motor a gasolina, muito menores do que as pressões dos injetores dos projetos a diesel.

Já o contrário, ao abastecer o veículo a diesel com gasolina, ocasionará falhas e perda de potência, por conta da alta resistência à detonação da gasolina. “Além disso, pela baixa lubricidade da gasolina, devem ocorrer danos à bomba de combustível”, diz Neves, da Ipiranga.

E como devo limpar esse tanque?

Chame um reboque e nem tente retirar o combustível que foi colocado erradamente. Este deve ser drenado em uma oficina especializada, que tem maquinário apropriado – o dreno pode ser feito pela bomba de combustível ou pela boca do tanque.

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Nâo insista em “queimar” o combustível com o carro rodando, pois a prática irá potencializar os danos.

Gasolina formulada

Também conhecida como gasolina C, é uma espécie de combustível reaproveitado.

Ela é produzida por formuladores que apenas misturam matérias-primas que sobram de refinarias, centrais petroquímicas ou importadas.

Essas sobras são utilizadas pelas distribuidoras dentro do prazo de validade estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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