As vantagens e desvantagens do tucho hidráulico

Dispositivo ajuda a eliminar folgas e ruídos na abertura das válvulas

Comandos e válvulas são peças fundamentais ao motor, mas entre elas estão outros componentes igualmente importantes: os tuchos. A função deles é eliminar as folgas provocadas por desgaste e preservar a regulagem fina do tempo de abertura e fechamento das válvulas.

Toda válvula do motor tem um tucho atribuído. E todo o conjunto funciona em sincronia, com tempo de funcionamento dependente da árvore de válvulas (ou comando de válvulas). Ao girar, o ressalto dos câmes desse eixo empurra os tuchos, que pressiona a válvula correspondente, abrindo o canal de fluxo de gases.

 

 

Kit de tuchos hidráulicos de um motor 1.0 Chevrolet

Kit de tuchos hidráulicos de um motor 1.0 Chevrolet (Reprodução)

Todo esse movimento gera atrito. Nas últimas décadas, os balancins passaram a ser roletados, facilitando a movimentação do comando de válvulas. Os tuchos passaram a ser hidráulicos, tecnologia que compensa as possíveis folgas de forma automática, graças a um pistão interno que é alimentado pelo próprio óleo do motor pressurizado.

O sistema hidráulico provê o funcionamento gradual, como um amortecedor, ao acionamento dos tuchos – isso reduz os ruídos provocados pelo impacto do comando no topo do tucho, e também o atrito. Na lateral desse tipo de tucho, um orifício lateral serve para dar vazão ao fluxo de óleo que o pressuriza. Outro benefício dessa estratégia é a redução de calor e maior durabilidade do conjunto.

Para que a gravidade não esvazie o tucho, há uma válvula de retenção. Ocorre que, em casos de desgaste moderado, esta válvula começa a falhar e o motor faz um característico “tec tec tec” por alguns segundos, até que o tucho seja pressurizado. Isso também pode ter relação com baixa pressão na bomba de óleo. O ideal neste caso é levar o carro em um mecânico de confiança para que o profissional faça a distinção dos problemas.

Tuchos mecânicos do Honda Civic 1.6 2000

Tuchos mecânicos do Honda Civic 1.6 2000 (Reprodução)

Em carros com tuchos mecânicos (sim, eles ainda existem e os Honda Fit, City, HR-V e Civic são exemplos), o acionamento das peças é mais barulhento e há um desgaste da superfície do tucho.

Nos Honda, a cada 40.000 km, a manutenção envolve a abertura da tampa de válvulas para a troca da pastilha que fica acima do tucho. Essa providência preventiva corrige a folga entre os componentes e ajusta as válvulas. Como é necessário trocar a junta desta tampa, que se danifica no momento em que abre a tampa de válvulas, o procedimento tende a ter valor elevado.

A Honda diz manter os tuchos mecânicos até hoje em prol da confiabilidade. O argumento tem justificativa: tuchos hidráulicos podem travar se a troca de óleo não for feita no tempo certo. E mais: como o óleo que circula nos tuchos é o mesmo do motor, pode acumular óleo velho mesmo após a troca do fluido que circula no motor. Para fazer a limpeza correta desses pequenos componentes, claro, é necessário desmontar todo o conjunto – operação que tem custo de mão-de-obra onerosa.

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  1. Leandro Alvarez

    A Honda não usa pastilha, e sim parafuso com contra porca. A Toyota usa pastilhas.

  2. Boa matéria!

  3. Paulo Henrique

    Boa matéria, mostrando mais uma vez a importância dá troca do óleo no momento recomendado pelo fabricante, não apenas quando o usuário achar que deve.

  4. Dax Consultoria Automotiva

    Leandro ALvarez está correto, Honda usa parafuso e contra-porca, e a junta da tampa de válvulas do Civic é bem em conta, menos da metade do preço da do Focus, por exemplo.