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O show da virada do Volvo XC90

A segunda geração do modelo inaugura o que a Volvo chama de um novo capítulo de sua história

Por Péricles Malheiros - Atualizado em 23 nov 2016, 19h58 - Publicado em 18 set 2015, 14h30
Volvo XC90
O visual discreto e convencional quase disfarça o interior tecnológico

A preocupação com a segurança sempre foi o bem maior da Volvo. E muito do que você vê por aí em termos de tecnologia de proteção às pessoas e prevenção de acidentes foi inventado por essa tradicional marca sueca. Por que, então, ela nunca teve o mesmo prestígio de Mercedes-Benz e BMW? Simples: o foco tão estreito em segurança deixava em segundo plano todos os demais ingredientes essenciais a um carro de sucesso. Esse é o resumo da trajetória da Volvo que a própria Volvo quer (e precisa) mudar. E o carro abre-alas para essa missão é o jipão aqui embaixo: o XC90 de segunda geração.

Volvo XC90
Dianteira exibe o novo padrão visual da Volvo

Quer ter uma ideia da responsabilidade do novo XC90? Ele faz parte de um programa de investimento de 11 bilhões de dólares, inaugura a utilização de uma plataforma modular multiconfigurável (SPA) – a primeira do tipo na companhia -, estreia a nova linguagem de design da Volvo e é recheado com diversos itens que se tornarão padrão na casa. Como se não bastasse, o XC90 traz em seu material de apresentação a seguinte frase, atribuída ao presidente Hakan Samuelsson: “Nós não estamos lançando apenas um carro, mas sim relançando nossa marca”. Após alguns dias com o XC90, posso lhe garantir: tantos atributos teóricos não são mera promessa de campanha.

Volvo XC90
Na cabine, acrílico, alumínio e muito couro

MAIS QUE OS ALEMÃES

A cada lançamento da Volvo, eu tinha a incômoda sensação de entrar na cabine de um BMW ou Mercedes dez anos mais velho. A história agora é outra: o interior do XC é adulto, maduro, como convém a um carro de luxo, mas sem aquela timidez que soterrava todo e qualquer traço de tecnologia sueca.

Volvo XC90
Tela digital configurável no lugar do painel de instrumentos

Livre do recalque, o XC se mostra, inclusive, mais atual que os rivais diretos: Mercedes ML e BMW X5 – ambos, aliás, também estrearão em nova geração no Brasil até o fim do ano. No centro do painel, uma enorme tela dá ao condutor acesso a um sistema intuitivo de controle total da cabine.

Volvo XC90
Tela touch: controle total das funções

Ventilação dos bancos, sistema multimídia, ar-condicionado, navegador GPS, internet: tudo comandado pelo deslizar do dedo. O SUV revela uma Volvo mais atrevida até nos detalhes. No volante e nas portas, chama atenção o layout dos botões: retroiluminados e protegidos por uma grossa parede acrílica. No console central, entre os bancos, tanto o botão de partida do motor como o que seleciona os modos de condução têm corpo metálico multifacetado, o que lhes confere um aspecto de joia.

Volvo XC90
Partida do motor pode ser feita ? distância

A alavanca seletora de posição do câmbio é outro detalhe cuja escultura merece destaque. No acabamento, nada fica a dever aos alemães, referência no assunto desde sempre. Encaixe e alinhamento das partes são perfeitos, vidros e bancos elétricos correm silenciosos, portas transmitem solidez ao serem fechadas, o ar-condicionado sopra forte e sem ruído.

Volvo XC90
Classe executiva: bancos são macios e envolventes

Volvo XC90
No centro, assento elevado retrátil para crianças

A flexibilidade da plataforma SPA se mostra principalmente na terceira fileira de bancos (de série no Brasil), onde vão o sexto e sétimo ocupantes. Ao contrário do que normalmente se vê, são bancos utilizáveis até por adultos, tamanha a oferta de espaço. E o melhor: mesmo com os passageiros extras, há lugar para bagagem, cujo volume varia de 314 a 1.057 litros.

Volvo XC90
Bancos se deslocam para dar acesso ? traseira

Volvo XC90
Com a terceira fileira rebatida, volume é de 692 l

No caso dos equipamentos, uma verdadeira avalanche toma conta do XC90 2016, especialmente na versão testada, a top Inscription, de R$ 363.000 – há ainda a Momentum, de R$ 319.000. Respire fundo, vamos lá. Há head-up display, sensores para ativação automática de faróis e limpadores, faróis de led ativos (nivelamento, antiofuscante e direcionador), câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, assistente de partida em ladeira, teto solar panorâmico, ar-condicionado com controles nas três fileiras, entre outros. Ou melhor, muitos outros.

Volvo XC90
As três fileiras de bancos possuem ajuste do ar-condicionado

SALA DE CONCERTO

Destaque absoluto para o sistema de áudio Bowers & Wilkins, com 19 alto-falantes e 1 400 watts de potência. Ao ser aplicado no XC90, o refinado conjunto da marca inglesa foi calibrado para proporcionar aos ocupantes a sensação de estar na sala de concerto da Orquestra Sinfônica de Gotemburgo.

Volvo XC90
Sistema de som da Bowers & Wilkins tem qualidade de sala de concerto

Outra virada significativa da Volvo está no Drive-E, nome de sua nova família de motores. Hoje pertencente à marca chinesa Geely, a Volvo parece ter aprendido (e aprimorado) uma lição nos tempos em que pertenceu à Ford (de 1999 a 2010): todos os seus lançamentos terão variantes do Drive-E 2.0, um bloco com quatro cilindros sobrealimentado, assim como o EcoBoost, da Ford.

Nos XC90 que virão para o Brasil, são excelentes 320 cv obtidos com o auxílio de turbo e distribuídos pelo câmbio automático de oito marchas e tração 4×4. Como comparação, a BMW tem um 2.0 turbo de 184 cv. No mercado europeu, o SUV da Volvo tem uma versão ainda mais potente do Drive-E 2.0: 400 cv extraídos de um conjunto empurrado por compressor mecânico, turbocompressor e motor elétrico. Essa versão só deve chegar ao Brasil em 2016, como ação de contra-ataque às versões top das novas gerações dos rivais.

Volvo XC90
Motor 2.0 turbo de quatro cilindros gera 320 cv

Mesmo com números tão positivos extraídos em nosso campo de provas, como 7 segundos no 0 a 100 km/h, é na cidade que o XC surpreende. O pacote City Safety é um prato cheio para quem sonha com carros autônomos. Distraído, você não nota que está em rota de colisão com o veículo à frente, parado ou bem mais lento. Sensores e câmeras enviam os dados para centrais eletrônicas com alta capacidade de processamento que, ao detectarem a situação de perigo, acionam os freios em sua capacidade máxima. Ao mesmo tempo, os cintos se enrolam para manter o ocupante colado ao banco. Os sistemas de visão noturna e de detecção de pedestres e ciclistas trabalham integrados ao City Safety.

Volvo XC90
Câmeras conferem visão 360° graus

Ao volante, o jipão mostra fôlego quando o câmbio administra o motor acima de 3 000 rpm. Abaixo disso, o corpanzil de 2 125 kg torna o deslocamento um tanto preguiçoso. Os cerca de 150 kg de uma blindagem certamente agravam a situação. Curvas longas colocam à prova a suspensão pneumática. E ela não decepciona: não deixa a carroceria inclinar demais e proporciona ao motorista controle preciso do carro, evitando sustos e ativações em excesso dos controles de estabilidade e tração.

Renovado e surpreendentemente jovial e tecnológico, o XC90 atingiu seu objetivo: estamos ansiosos pelos futuros Volvo da nova safra.

Volvo XC90
Faróis com iluminação integral por leds

AVALIAÇÃO DO EDITOR

Motor e câmbio – A transmissão de oito marchas e tração integral trabalha em boa sintonia com o 2.0 turbo.

Dirigibilidade – Obediente, mas com direção e suspensão um tanto anestesiadas, o XC é confortável, mas desconectado do piloto.

Segurança – O novo XC90 é uma espécie de vitrine com o que há de mais avançado em itens de segurança.

Seu bolso – Mais barato que os rivais, agora o XC90 tem uma chance real de incomodar os alemães.

Conteúdo – O XC permite ao piloto o controle fácil e intuitivo de seus recursos, a maioria por meio da tela sensível ao toque.

Vida a bordo – Espaçoso e democrático, o XC concede aos ocupantes o direito de seleção da temperatura do ar, independentemente da fileira de bancos em que estejam.

Qualidade – Padrão e estilo não devem nada aos alemães.

Volvo XC90
Rodas aro 20 se destacam no perfil de cintura alta

VEREDICTO

Poucos modelos do mercado acomodam sete adultos com tanto espaço. Fãs de tecnologia embarcada, sobretudo de proteção aos ocupantes, têm no XC90 a nova referência do segmento.

FICHA TÉCNICA
Motor: gasolina, diant., 4 cil., 16V
Cilindrada: 1 969 cm³
Diâmetro x curso: 82 x 93,2 mm
Taxa de compressão: 10,3:1
Potência: 320 cv a 5 700 rpm
Torque: 40,8 mkgf a 2 200 rpm
Câmbio: automático, 8 marchas, 4×4
Dimensões: comprimento, 495 cm; largura, 200,8 cm; altura, 177,6 cm; entre-eixos, 298,4 cm
Peso: 2.125 kg
Peso/potência: 6,64 kg/cv
Peso/torque: 52,08 kg/mkgf
Porta-malas: de 314 a 1.057 l
Tanque: 71 l
Suspensão dianteira: duplo A
Suspensão traseira: multilink
Freios: discos ventilados
Direção: elétrica, 11,9 m (diâmetro de giro)
Pneus: 275/45 R20
Equipamentos: ar-condicionado com controle nas três fileiras, teto solar panorâmico elétrico, painel com tela horizontal de 12,3 polegadas, painel central com tela vertical de 9 polegadas, alerta de risco de colisão frontal, lateral e traseira
Consumo urbano: 7,8 km/l
Consumo rodoviário: 11 km/l
Aceleração de 0 a 100 km/h: 7 s
Aceleração de 0 a 1.000 m: 27,2 s – 196,9 km/h
Retomada 40 a 80 km/h: 3,3 s
Retomada 60 a 100 km/h: 3,9 s
Retomada 80 a 120 km/h: 5,1 s
Frenagem (60 / 80 / 120 km/h a 0): 15,2/27,1/60,4 m
Ruído interno (ponto morto/RPM máx): 46,7/66,1 dBA
Ruído interno a 80 / 120 km/h: 58,8/65,4 dBA
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