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Novos sedãs

Com as futuras gerações de Honda Civic e Chevrolet Cruze à frente, 2016 será o ano de renovação dos sedãs

Por Paulo Campo Grande - Atualizado em 9 nov 2016, 14h39 - Publicado em 23 ago 2015, 16h19
comparativos

A indústria automobilística renova sua oferta em ciclos. Enquanto a onda dos SUVs bate na praia dos consumidores, outra já se forma no horizonte das fábricas. A próxima, no caso, é a dos sedãs médios,

esperada para o final de 2016. Ela deve ter tanta força quanto a que se vê agora com os utilitários, afinal o segmento de sedãs médios é o segundo mais importante do país, atrás apenas dos hatches compactos.

Estão começando a aparecer algumas já anunciadas e outras que as empresas ainda mantêm em segredo. Entre elas, estão novas gerações de dois dos mais vendidos modelos de nosso mercado, Chevrolet Cruze e Honda Civic, e também atualizações entre importantes rivais, como o VW Jetta com novo motor e o Peugeot 408 com mudanças visuais e de conteúdo.

A líder Toyota, que renovou o Corolla em 2014, não deve ficar assistindo à concorrência se mexer sem reagir. E, em 2016, chegam ainda os sedãs médios no porte, mas premium no posicionamento: Audi A3 e Mercedes Classe C, fabricados no Brasil. Eles farão companhia ao BMW Série 3 nacional. Veja a seguir o que vem por aí.

A Honda foi a primeira a sinalizar a chegada de novidades no segmento, ao apresentar o Civic Concept, no Salão do Automóvel de New York, em abril deste ano. A empresa exibiu o modelo já com o anúncio de que ele é a base do novo Civic, que está chegando à décima geração. No mês passado, foi a vez da GM mostrar o novo Cruze, que está na segunda geração. Observando os dois modelos, dá para identificar tendências do segmento. É possível afirmar, por exemplo, que os sedãs médios terão outra aparência no que diz respeito às dimensões. Eles ficarão maiores no comprimento e na largura, mas menores na altura. Isso acontece nos dois lançamentos. A Honda não revelou o tamanho do novo Civic, mas no material de divulgação do Concept afirma que ele terá esse tipo de alteração nas medidas. No caso do Cruze, a informação oficial é de que ele ficou 6,8 cm mais longo e 2,5 cm mais baixo.

O crescimento no comprimento e na largura tem o objetivo de ampliar o espaço interno. Com as pessoas passando cada vez mais tempo dentro dos carros, em razão do trânsito, das viagens mais frequentes e também com maior conectividade a bordo, as fábricas acreditam que é importante transformar a cabine em um espaço acolhedor para todos, onde os ocupantes possam se relacionar enquanto se deslocam. Assim, aquele conceito de carro feito a partir da posição do motorista não serve mais para os sedãs. Nós entramos no Cruze, em um evento da GM, nos Estados Unidos, onde o carro foi mostrado (não houve oportunidade de dirigi-lo), e conferimos que o espaço para as pernas melhorou muito para quem viaja no banco traseiro. Em relação à altura, a mudança é bem-vinda para melhorar a aerodinâmica. E reduzir o consumo. Segundo a GM, o Cruze se beneficiou da experiência da empresa durante o desenvolvimento do elétrico Volt, modelo que teve a aerodinâmica aperfeiçoada em túnel de vento. Enquanto o Volt, que possui a dianteira fechada, ficou com um coeficiente de arrasto (cx) de 0,26, o Cruze, que tem a grade dianteira aberta para o motor respirar, conseguiu 0,29.

No design, cada fábrica segue sua identidade visual, mas até aí é possível identificar uma tendência. Os sedãs estão deixando de ser um carro de três volumes, com compartimentos bem definidos para motor, cabine e porta-malas, para se tornarem mais parecidos com cupês ou hatchbacks. Graças a colunas traseiras mais inclinadas e o apoio de falsas vigias (sem vidro), as portas traseiras estão mais discretas e os porta-malas sendo incorporados à cabine.

O novo Honda Civic é o melhor exemplo dessa transformação. Ele terá cinco portas. A tampa do porta-

-malas será aberta junto com o vidro, como nos hatchbacks, e as pessoas poderão acessar a bagagem de dentro da cabine. O objetivo das fábricas é deixar os sedãs com visual mais esportivo. No caso do Honda e do Chevrolet essa intenção é reforçada pelas grandes tomadas de ar dianteiras e também pelos vincos laterais mais bem definidos.

As imagens do Civic mostradas aqui foram feitas com base em fotos oficiais do Concept e também com projeções que circularam na internet de como será a versão comercial do modelo. Para o nosso mercado pode ser que a Honda modifique alguma coisa, como é de costume. Isso ocorre por adequação ao gosto do brasileiro mas também pelo posicionamento, do carro. Aqui, os sedãs médios têm status mais nobre que nos Estados Unidos, onde são considerados modelos de entrada – aquele primeiro carro que os pais dão para os filhos quando eles entram nas universidades. Já o Cruze vendido no Brasil será gêmeo idêntico do Cruze americano. Antes da apresentação do carro, chegou-se a pensar que o nosso Cruze seria igual ao coreano Daewoo Lacetti, porque na primeira geração existiu essa coincidência. Mas naquele tempo até o modelo americano era igual ao coreano. Só agora houve a diferenciação. E a GM optou pela versão americana para o mercado brasileiro. O Cruze coreano, que foi inspirado no conceito Tru 140S, mostrado no Salão de Genebra de 2012, tem visual mais conservador.

Outra tendência comum aos novos sedãs é o aumento de conteúdo, principalmente com equipamentos de segurança e de conectividade. Mas ainda é um mistério como isso vai chegar ao Brasil, uma vez que diminuir a quantidade de equipamentos é o primeiro recurso das fábricas para diminuir custos. A GM já anunciou, por exemplo, que o nosso Cruze virá com uma nova central multimídia, compatível com telefones celulares com sistemas Android e Apple e serviço de assistência e localização OnStar. Mas outros dispositivos presentes no Cruze americano, como sensor de mudança involuntária de faixa, alerta de pontos cegos e monitor de pressão dos pneus, podem ficar de fora do modelo nacional. No caso da Honda, há o exemplo recente do HR-V vendido aqui com menos dispositivos do que a versão comercializada no Japão, entre eles o sistema de freio autônomo. Essa redução nos equipamentos pode ocorrer mesmo nas versões mais caras de cada linha, uma vez que, em razão do posicionamento dos modelos diante da concorrência, seus preços não devem fugir muito do que é cobrado pelas atuais versões.

Mecanicamente, é certo que o Cruze brasileiro terá o mesmo motor com que foi apresentado nos Estados Unidos. Trata-se do novo 1.4 Ecotec Turbo de 155cv, que será produzido na fábrica da GM, na Argentina. A diferença é que o nosso será Flex e, com a nova calibragem, poderá ganhar uns cavalos a mais. Esse motor tem três cilindros, injeção direta e sistema start/stop (que desliga e liga no anda-e-para do trânsito). E virá acompanhado de duas novas opções de câmbio, manual ou automático, de seis marchas. Para o Civic nacional, a Honda ainda estuda a possibilidade de equipá-lo com o mesmo motor que terá na versão americana, que é o novo 1.5 VTEC Turbo com injeção direta de gasolina que rende 200 cv. O câmbio, no caso, seria um CVT de seis marchas. Mas a fábrica tem os motores da linha atual (1.8, de 140 cv, e 2.0, de 155cv), com câmbio automático de cinco marchas, que já são flex, como alternativas.

As fábricas prometem esportividade não só no visual, mas também no comportamento dos sedãs. A Honda fala em prazer ao dirigir e a GM, mais enfática, anuncia que calibrou a direção e a suspensão do Cruze para permitir um modo de condução mais agressivo. Mas, nesse caso, os brasileiros também terão de esperar para ver como os carros serão adaptados às condições de rodagem locais. Por aqui, é comum mudar a calibragem de molas e amortecedores, bem como a altura dos carros em relação ao piso, para enfrentar ruas e estradas mal conservadas.

Em relação ao desempenho, a GM afirma que o Cruze 1.4 com câmbio automático acelera de 0 a 100 km em 8 segundos. E a Honda não dá informações sobre o Civic. Se for equipado com o motor 1.5 VTEC Turbo, pode-se esperar um rendimento melhor. Mas, com os motores 1.8 e 2.0 atuais, os tempos de aceleração ficariam em torno dos 11 segundos.

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Como se vê, o futuro dos sedãs reserva boas novidades para quem já andava cansado de lançamentos só no segmento de SUVs.

COROLLA E AEGEA

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A Toyota deve promover mudanças no Corolla, em 2016. Como já é tradição na marca, as mudanças visuais deverão ser discretas. Um friso aqui, outro ali. Mas pode-se esperar novidades nos pacotes de equipamentos, como a inclusão de uma central multimídia de última geração. Serão leves ajustes no modelo que é líder do segmento. Mais trabalho terá a Fiat, que nega ter planos de um novo sedã médio na linha, mas que conta com algumas cartas na manga. Como o Linea não conquistou o espaço pretendido, a empresa reposicionou o modelo e abriu espaço para outro. Esse novo sedã sairia da plataforma X6H (veja na página xx), ou seria uma versão nacionalizada do Aegea, sedã médio apresentado este ano no Salão de Istambul. O Aegea foi anunciado como um sedã com 4,5 m de comprimento, porta-malas com 510 l de capacidade e motores diesel e gasolina, para mercados emergentes.

JETTA E 408

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A versão nacional do Jetta chegou às lojas em julho deste ano apenas na configuração 2.0 Comfortline

automática. Em 2016, porém, o sedã da VW deve ganhar outras opções produzidas no Brasil, incluindo uma equipada com o motor do 1.4 TSI do Golf, em versão flex. Outra boa nova entre os modelos que já estão nomercado vem da Peugeot que reestilizou o 408. O novo design do 408 foi exibido no Salão do Automóvel de Buenos Aires, em junho, mas só deve chegar por aqui no final de 2015, ou no começo de 2016. O 408 ganhou a nova grade característica da marca, apresentada no 208, e faróis com desenho irregular, iguais aos do 2008. Na traseira, as lanternas também são novas e ficaram parecidas com a do hatch. Além do visual atualizado, o sedã era equipado com o motor 1.6 16V THP, de 165 cv, e contava com mudanças no acabamento e na lista de equipamentos.

AUDI A3 E CLASSE C

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Na faixa de preço superior, as estreias ficam por conta dos modelos premium que serão fabricados no

Brasil, onde hoje o BMW 320i está sozinho. O primeiro a chegar será o Audi A3. Ele sairá da fábrica da VW, em São José dos Pinhais (PR), produzido sob a mesma plataforma mundial MQB do Grupo VW, que também é a base do Golf. O A3 deverá ter duas opções de motor: 1.4 TFI flex, o mesmo que virá no Jetta, e 1.8 TFSI. Sua estreia está prevista para janeiro de 2016. O outro a entrar em cena será o Mercedes-Benz Classe C, fabricado na nova unidade da empresa em Iracemápolis (SP). O lançamento deve ocorrer um mês depois do Audi: em fevereiro. O Classe C virá na versão C 180, equipada com motor 1.6 de 156 cv e câmbio automático 7G-Tronic, de sete marchas. Não se sabe ainda a configuração de acabamento. Atualmente o carro é oferecido nas versões Avantgarde e Exclusive.

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