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Jeep Renegade

Fomos até a Itália para conhecer o americano Jeep Renegade, que será feito no Brasil. Ele estreia em abril com motor 1.8 gasolina e 2.0 diesel

Por Joaquim Oliveira Atualizado em 8 nov 2016, 17h55 - Publicado em 31 out 2014, 14h13
impressoes

Nem todos sabem, mas o Jeep Willys já foi montado no Brasil, de 1954 a 1982. É um ícone que transportou as tropas aliadas na Segunda Guerra e ajudou a desbravar nossas terras numa época em que asfalto era artigo raro. Em abril de 2015, a estirpe Jeep estará de volta ao país, agora com o tão aguardado Renegade, produzido na fábrica que a Fiat está construindo na cidade de Goiana (PE) – apesar de pertencer ao grupo italiano, ela será identificada com a marca americana. Além do Brasil, esse SUV compacto está sendo feito agora em Melfi (Itália) e no fim de 2016 em Guangzhou (China). Antes da produção nacional, os brasileiros poderão conhece-lo no Salão do Automóvel de São Paulo, de 30 de outubro a 9 de novembro. Mas, enquanto ele não chega, fomos a Balocco, na Itália, para dirigir o carro que promete ser um dos lançamentos mais importantes do ano que vem.

Ao primeiro contato, perde-se a impressão que temos nas fotos de que ele é um carrinho pequeno. Com 4,25 metros, ele está mais para um Chevrolet Tracker que para um Mitsubishi Pajero TR4. Vemos uma bonita carroceria de formas bem quadradas (lembrou do Kia Soul?), com elementos que remetem às formas clássicas do velho Jeep Willys, como faróis redondos e grade de radiador de sete ranhuras, original de 1941. Aliás, essas três referências, estão impressas em vários pontos da cabine, relembrando o dono de onde vem seu DNA: nas costas dos bancos, nos alto-falantes, no parte interna da tampa do porta- malas e na moldura da tela no painel, entre outros. Ele faz questão de prestar tributo a seu antepassado até em detalhes insignificantes. No fundo do porta-copos e centro das lanternas traseiras, vemos os traços do galão de gasolina que o Willys levava na traseira (o famoso jerrycan). A silhueta do velho Willys está no canto do para-brisa e na borda da roda.

O SUV tem entre-eixos similar ao do Tracker e maior que o do Ford EcoSport e, no comprimento, é igual aos rivais. Mas cuidado: os três têm perto de 4,25 metros de ponta a ponta, só que no Eco essa medida inclui o estepe na traseira. Por isso, ele oferece menos espaço interno que o carro da Jeep ou da GM. O Renegade também leva vantagem sobre os rivais no off-road, um valor reconhecido na marca americana. A suspensão é mais alta e independente nas quatro rodas e os ângulos de ataque e saída são superiores – sua plataforma vem do Fiat 500L (o Cinquecento de quatro portas), modificada para permitir o uso em fora de estrada.

Abrimos a porta e nos surpreendemos pela facilidade de acesso: os bancos não são altos demais e o ângulo de abertura das portas é generoso (70 graus nas da frente e 80 atrás). As boas impressões continuam ao analisar o amplo espaço em altura e comprimento da cabine, melhor do que na maioria dos rivais. Assim, o Renegade leva cinco adultos, desde que os de trás não sejam gordinhos ou muito encorpados: sobra espaço para cabeça e joelhos, mas não nos ombros. Já dá para ter uma ideia: eu tenho 1,79 metro e sobrou espaço na cabeça e nas pernas, mesmo com o banco do motorista à frente regulado para minha altura. Acima dos ocupantes, há duas opções de teto solar: um de vidro inteiriço, de funcionamento elétrico, e o MySky, de plástico transparente, também elétrico, mas que pode ser removido em duas partes separadas.

Ao volante, é fácil achar uma boa posição de dirigir, fruto dos amplos ajustes em altura e profundidade da direção e do banco. Os comandos estão bem posicionados, exceto os giratórios da ventilação, muito baixos, que desviam o olhar ao ser manuseados e batem com frequência no joelho numa estrada de terra ou cheia de curvas. A maioria dos SUVs compactos usa plásticos duros no painel, mas o Renegade é diferente: os revestimentos são suaves ao toque e o aspecto é convincente em toda a parte superior e central. Nele há uma tela colorida sensível ao toque (com 5 ou 6,5 polegadas) para a central multimídia e as imagens da câmara de ré.

O quadro de instrumentos tem boa visibilidade e um visual divertido (o conta-giros traz uma parte de terra onde seria o vermelho nas rotações mais altas), com uma tela digital entre os dois mostradores principais nas versões mais equipadas. Destaque ainda para os espaços para pequenos objetos espalhados no habitáculo, ainda que não sejam muito volumosos, especialmente os das portas dianteiras.

O porta-malas dispõe de formas bem retangulares, portanto muito aproveitáveis, com 351 litros, menos que no EcoSport (375). Há ainda uma tampa divisória que é encaixada nos trilhos nas laterais do porta-malas, como no VW Up!, que pode ser colocada em duas posições (alta e baixa), além de quatro argolas para prender a carga e uma tomada 12V.

A gama de motores será farta, mas o que nos interessa são os dois que serão vendidos na estreia

no Brasil: 1.8 16V E.torQ flex de 132/130 cv e 2.0 16V MultiJet diesel de 170 cv. Um evidente sinal do avanço tecnológico são as opções de transmissão: câmbio manual de cinco marchas ou automático de nove com conversor de torque (o mesmo do novo Cherokee). Ambos estarão disponíveis nos dois motores, mas o gasolina só terá tração 4×2 e o diesel pode vir com 4×2 ou 4×4 – neste caso, com reduzida e ajustes de tração para cada tipo de terreno. O Renegade está um passo à frente em modernidade, com recursos como controle de tração e estabilidade (ESP), freio de estacionamento elétrico e controle de descida de rampa (este presente na 4×4).

No nosso test-drive em Balocco, a única opção a gasolina disponível no lançamento europeu era o 1.4 MultiAir de 140 cv, mais próximo dos 132 cv do 1.8 E.torQ. Nos primeiros quilômetros de estrada, a impressão geral era muito positiva, começando pelo bom isolamento acústico da cabine e baixo ruído de vento. Em asfalto, a direção mostra-se suficientemente precisa e comunicativa e, em pisos escorregadios, ela ajuda a reduzir a saída de frente, com uma mãozinha do ESP, que não tem uma ação muito intrusiva. Chama atenção a ótima estabilidade do Renegade, mais próxima de um automóvel que de um SUV, com pouca tendência para mergulhar em frenagens bruscas ou levantar a frente em acelerações fortes. Parabéns também ao câmbio manual de engates rápidos, silenciosos e precisos.

O pacote como um todo é bem atraente, mas nada disso adianta se ele não tiver um preço à altura. E, segundo fontes da fábrica, ele vai dar trabalho aos rivais: fala-se em R$ 69 000 para o 1.8 4×2 manual básico, bem atraente perto dos R$ 67 500 do Eco 1.6 Freestyle (o mais vendido) e R$ 81 050 do Tracker 1.8. O Renegade 2.0 diesel 4×4 automático completo deve ficar perto dos R$ 100 000. Se for isso mesmo, é bom se preparar para as filas nas lojas.

VEREDICTO

Para quem quer só um SUV, ele é bonito e oferece espaço traseiro, acabamento acima da média e sacadas de design. Para os que curtem off-road, traz também bons recursos e faz jus à fama da Jeep.

A guerra vai começar

O Renegade vem para esquentar a briga no mais desejado segmento de carros no Brasil. Conheça seus adversários e suas medidas

Renegade

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O belo design e a reputação off-road da marca vão ajudar a levar os interessados às lojas – R$ 69.000

Sinais vitais

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Motor: 1.8 de 132 cv

Entre-eixos (cm): 257

Comprimento (cm): 425,5

Altura/largura (cm): 169,7/180,5

Porta-malas (litros): 351

Ecosport

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Líder do segmento dos SUVs compactos, é a referência em design e modernidade – R$ 62.990

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Sinais vitais

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Motor: 1.6 de 115 cv

Entre-eixos (cm): 252,1

Comprimento (cm): 424,1

Altura/largura (cm): 169,6/176,5

Porta-malas (litros): 362

Tracker

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Ele já vem com câmbio automático, mas o preço alto sempre limitou suas vendas – R$ 81.050

Sinais vitais

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Motor: 1.8 de 144 cv

Entre-eixos (cm): 255,5

Comprimento (cm): 424,8

Altura/largura (cm): 177,6/164,7

Porta-malas (litros): 306

Duster

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É o maior da turma e com mais espaço, mas peca em acabamento e itens de série

Sinais vitais

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Motor: 1.6 de 115 cv

Entre-eixos (cm): 267,3

Comprimento (cm): 431,5

Altura/largura (cm): 169/182,2

Porta-malas (litros): 475

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