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Rodas e pneus

Rodas raiadas ou de liga? Pneus com ou sem câmara?

Por Edu Zampier Atualizado em 9 nov 2016, 11h55 - Publicado em 28 dez 2011, 12h02
Rodas e pneus

São muito comuns as dúvidas e as falsas certezas em rodinhas de motociclistas – sem trocadilho, por favor. Quando os pilotos se juntam para falar de moto, sempre aparece alguém cheio de opiniões e é preciso ser cuidadoso com aquilo em que se acredita, afinal, um erro na manutenção rotineira da moto pode ser trágico.

Já vi, por exemplo, quem defenda que instalar uma câmara de ar em um conjunto roda/pneu originalmente sem câmara pode reforçar a segurança contra furos e vazamentos de ar; ou que as rodas de liga leve são só enfeites, sem função prática…Tudo errado.

Para uma moto de motocross ou rali, em que impactos, pedras e saltos são constantes, uma roda raiada é bem mais recomendável que uma roda de liga leve de alumínio. O aro pode até amassar durante a transposição de obstáculos fora de estrada, mas a câmara não vai deixar o pneu esvaziar, mantendo a dirigibilidade. Há pouco tempo, utilizar roda raiada exigia exclusivamente a utilização de pneus com câmara – e é por isso que os sem câmara demoraram muito mais para chegar às motos que aos carros. Você já sabe que os pneus sem câmara são muito mais seguros, pois em caso de furo causado por prego (ou outro elemento perfurante) esvaziam bem mais lentamente que as câmaras de ar convencionais. Se isso já tem valor em automóveis, imagine em uma moto. Além disso, eventualmente podem ser consertados sem desmontagem, o que é, outra vez sem nenhum trocadilho, uma mão na roda. O tipo de conserto com o uso de “macarrãozinho” (o tal que pode ser feito com a roda montada se o furo for fácil de localizar) é provisório, e alguns fabricantes não o recomendam para uso em pneus de alta performance, mas é extremamente útil em viagens, por exemplo, em que o risco de desmontar um cardã ou uma correia de transmissão pode ser maior.

A tentativa de instalar pneus sem câmara em uma roda raiada poderia resultar infrutífera, pois a pressão correria o risco de escapar pelos niples que conectam cada raio ao aro. Atualmente, já existem aros para raios convencionais dotados de lâminas duplas sobrepostas ao aro. Nessa arquitetura de construção do aro, o niple não o atravessa totalmente. Alguns pilotos de supermotard, no início da categoria, utilizavam rodas raiadas e não colocavam câmara. Eles selavam cada niple e ainda utilizavam uma cinta interna que impedia um raio de entrar demais para dentro da roda. O objetivo era facilitar as trocas de pneus e deixar o conjunto capaz de aguentar saltos, além de torná-lo mais leve (sem o peso da câmara), facilitando a pilotagem.

Roda leve facilita a pilotagem e o trabalho das suspensões, aliviando o chamado “peso não suspenso”, aquele que não está sujeito à ação de molas e amortecedores. Na categoria supermotard, atualmente, os pilotos de ponta utilizam rodas leves, às vezes até de carbono – e sem câmara, pois no circuito misto não há tantos buracos e pedras como no enduro, rali e motocross.

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O pneu sem câmara é mais seguro, porque sua construção é totalmente hermética, diferentemente do pneu que tem a necessidade de usar câmara. O pneu sem câmara conta com uma camada interna chamada de liner (lê- se láiner). É uma fina camada de borracha que serve como impermeabilizante e reveste todo o interior do pneu, impedindo que o ar escape pelas camadas de lonas. O liner torna a câmara desnecessária e elimina a possibilidade de estouro súbito. No pneu sem câmara, evidentemente, também é possível que um prego penetre, mas o pneu tende a reter o prego que, a grosso modo, funciona como uma rolha de seu próprio furo por algum tempo. Isso torna a perda de ar mais lenta, o que diminui o risco de queda por perda de controle causada por um pneu murcho.

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Com pneu sem câmara, a sensibilidade de pilotagem é mais precisa, o piloto sente melhor as imperfeições do piso em virtude do menor peso e da espessura do pneu. Claro, foi eliminada, precisamente, a espessura da câmara. As paredes do pneu ficam mais flexíveis, aumentando a área de contato com o solo e absorvendo melhor os impactos provocados pelas irregularidades da estrada.

A montagem de pneu sem câmara também é mais fácil que a de pneu com câmara. Mas é tarefa que deve ser realizada com cuidado, assegurando-se de que os talões assentem bem sobre a flange do aro e verificando, finalmente, se o conjunto está bem vedado. Cuidado para não colocar pneu sem câmara numa roda que não foi projetada para recebê-lo. O bico, ou válvula, é diferente no sistema sem câmara.

Num pneu sem câmara, a válvula é fixada na roda. O talão do pneu sem câmara também é especial. Além de ter importância no acabamento da estrutura do pneu, também tem as funções de reter o ar e fixar o pneu no aro, impedindo que gire e cause seu esvaziamento. A construção de um talão de pneu com câmara é mais simples.

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Em superesportivas, o peso da roda, principalmente a dianteira, é importante para que o piloto não faça muita força no momento de mudanças rápidas de direção. Quanto mais leve for a roda e todo o conjunto “não suspenso”, que resulta no efeito giroscópico, melhor e mais fácil a pilotagem.

Com ou sem câmara, os pneus devem ser objeto de constante atenção. Afinal, na moto, mais do que em qualquer outro veículo automotor, perder aderência com o solo, nem que seja por uma só fração de segundo, acarreta uma situação crítica.

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