O Grupo Volkswagen teve efetivo interesse na compra da Fiat Chrysler Automobiles no início de 2014, mas, diante de um panorama interno preocupante, o negócio não avançou. Essa é uma das informações reveladas pela revista britânica Autocar em longa matéria publicada na semana passada.
De acordo com a reportagem, a ambição da companhia alemã em ultrapassar a Toyota e se tornar a número 1 do mundo em vendas fez com que a fusão com a FCA fosse cogitada. Seriam compradas ações em quantidade suficiente para tornar a Volkswagen majoritária, resultando num conglomerado com 17 marcas que teria o nome de Auto Union. Se o termo soa familiar, não é por acaso, já que o nome original da Audi também era Auto Union.
Caso o negócio tivesse sido concluído, imediatamente a companhia saltaria para um número anual de vendas próximo a 15 milhões de veículos. A quantidade seria mais do que suficiente para ultrapassar a Toyota, com seus estimados 10 milhões de exemplares comercializados.
No entanto, em abril deste ano, a ideia já teria perdido força devido a uma situação interna pouco animadora: a progressiva queda da margem de lucro da marca Volkswagen. Ao final do semestre, foi constatado um ganho inferior a 2%, bastante inferior na comparação com outras marcas do segmento “mass-market”, como a própria Toyota e a Hyundai (acima de 8%).
Desse modo, Martin Winterkorn, CEO da Volkswagen, teria decidido promover um corte equivalente a 4 bilhões de libras nos custos anuais da montadora. Deixar de fabricar os modelos menos rentáveis seria a opção prioritária, colocando em risco a sequência de produção de carros como o conversível Eos e o coupé Scirocco.
Nesse contexto, o compacto Up!, lançado no Brasil há alguns meses, também estaria ameaçado. Na Europa, ele compartilha plataforma (NSF) com modelos da Seat e da Skoda, e a média de vendas de 200 mil carros ao ano (somando todos os modelos) seria insuficiente para justificar sua continuidade. As avaliações deverão ser feitas nos próximos dois anos.
Entre os outros obstáculos que impediram o avanço nas negociações, a Autocar aponta a força da Fiat no mercado sul-americano, tendo em vista a liderança da marca italiana na região – especialmente, no Brasil. Uma solução seria a venda das operações da montadora no continente para, provavelmente, um grupo chinês.