O parque de diversões dos gearheads: visitamos o Campo de Provas da Ford

Com 4,66 milhões de m2, complexo tem 50 km de pistas de vários tipos

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Longe do acesso à Rodovia Castello Branco existe um lugar capaz de deixar qualquer fã de carro alucinado. Um forte esquema de segurança protege alguns dos segredos mais bem-guardados da indústria automobilística dos olhares curiosos. Lá são desenvolvidos e testados modelos que estarão nas ruas brasileiras nos próximos anos.

Estamos no Campo de Provas da Ford (chamado pela marca de TPG, de Tatuí Proving Ground), localizado na cidade de Tatuí, no interior paulista. Inaugurado há 37 anos, o local ocupa uma área de 4,66 milhões de metros quadrados, tomada por 50 quilômetros de pistas de testes simulando vários tipos de situações. A marca de 250 milhões de quilômetros rodados em testes (com direito até a vídeo mostrando as dependências do local de forma lúdica; veja acima) realizados ao longo destas quase quatro décadas de vida do local foi o pretexto para abrir as portas do local à imprensa especializada. Durante o evento, a montadora ressaltou o tempo todo que a estrutura do local foi fundamental não só para o desenvolvimento do primeiro projeto global realizado no Brasil (a segunda geração do EcoSport) como também para realizar os trabalhos de adaptação e tropicalização de projetos internacionais, como Fusion, Ranger, Focus e New Fiesta.

Feitas as apresentações do campo de provas, pegamos uma carona com um dos pilotos de testes da empresa e conhecemos todas as pistas em detalhes. De asfalto perfeito a vias cheias de irregularidades, os engenheiros da Ford reproduzem diversos tipos de condições encontradas na péssima malha viária brasileira.

Uma das pistas mais divertidas é a que reproduz um trecho de serra, repleta de aclives e curvas “cegas”, mas há trechos com paralelepípedos, tanques de água, rampas de inclinações diferentes e estradas de terra batida. O vídeo acima mostra tudo sob a perspectiva de dentro do carro.

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Além destas pistas, a estrutura de Tatuí inclui laboratórios preparados para realizar testes de desempenho e consumo de combustível, emissões, freios, infiltração de água e poeira na cabine, nível de ruído interno e externo, dinâmica veicular e desenvolvimento de motores e durabilidade.

Uma das áreas mais modernas do complexo é o Simulador de Rodagem. Batizado pela Ford de “Four Posters”, ele é composto por quatro pilares que movimentam cada roda por meio de atuadores hidráulicos, simulando diversos tipos de pistas existentes no Brasil e em várias partes do planeta. Caso os engenheiros queiram emular o comportamento de um veículo rodando por vias chinesas, por exemplo, basta reproduzir um arquivo digital contendo informações de relevo e condições de conservação das pistas encontradas na China.

O Laboratório de Emissões realiza os testes de emissões de gases e consumo de combustível de automóveis de passeio e comerciais leves. As estações de testes contam com dinamômetros que permitem analisar o desempenho e a emissão de poluentes de motores a gasolina, bicombustível ou diesel. Segundo a Ford, são realizados mais de sete mil ensaios por ano, que consomem aproximadamente 35 mil litros de combustível. A montadora precisa assegurar que o veículo consiga rodar pelo menos 80 mil quilômetros sem infringir as normas de emissões de poluentes.

Já o Laboratório de Ruídos conta com tecnologias avançadas para identificar diversas fontes de ruídos. São aparelhos dotados de várias câmeras e microfones, que são colocados em várias partes de cada veículo, incluindo o interior e até o motor. Um dos equipamentos utilizados pelos engenheiros da área de Ruídos, Vibrações e Asperezas (NVH) é o VisiSonics, que conta com múltiplos microfones e câmeras para gerar um mapa de 360 graus capaz de sobrepor sons e imagens.

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A tecnologia não só permite identificar a origem de sons em cada ponto da cabine como oferece a localização exata da fonte de ruído. “O objetivo é buscar o menor nível de ruído interno na cabine do veículo, considerando diferentes tipos de pistas, para permitir, por exemplo, uma melhor compreensão da fala entre os ocupantes e, consequentemente, um melhor conforto acústico”, afirma Jorge Marano, engenheiro de testes de NVH.

Durante a visita vimos alguns veículos curiosos pelo local, como algumas unidades do New Fiesta europeu (provavelmente utilizadas para os testes de tropicalização e homologação do projeto) utilizadas nas dependências do complexo e até a última geração do Figo, nada mais do que a versão indiana do nosso Ka. Mas obviamente os profissionais da Ford tiveram todo o cuidado do mundo para esconder qualquer segredo dos jornalistas. Afinal, ninguém recebe visitas sem arrumar a casa antes. Quem sabe da próxima vez?

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