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Montadoras tentam se reinventar para um futuro sem carro próprio

GM, VW, Toyota e Peugeot, entre outras, investem em mobilidade urbana e conectividade, mercado que será trilionário em 2030

Por Isadora Carvalho - 1 Maio 2017, 13h59
O aplicativo Maven permite alugar e compartilhar Cruze e Cobalt
O aplicativo Maven permite alugar e compartilhar Cruze e Cobalt divulgação/Chevrolet

“O carro vai se transformar em um aplicativo para smartphones”, costuma dizer Stefan Ketter, presidente da FCA (Fiat Chrysler Automobiles). A afirmação só confirma que a mudança na forma como boa parte do público irá consumir automóveis será inevitável.

Para muitos usuários, não fará mais sentido gastar uma enorme soma de dinheiro na compra um veículo se for possível chamar um pelo celular. E melhor ainda, dividir uma viagem com outro passageiro que segue para o mesmo destino, como o Uber Pool, impactando na redução da frota e do tráfego, na emissão de poluentes e no custo, substancialmente menor do que ter um carro próprio.

Uma pesquisa da consultoria americana McKinsey prevê que os serviços tecnológicos, que incluem compartilhamento e venda de aplicativos para centrais multimídias dos automóveis, serão responsáveis por uma receita de US$ 1,5 trilhão em 2030. Essa cifra representa 43% do que a indústria automotiva fatura atualmente. A consultora também prevê que um em cada dez veículos vendidos será compartilhado.

“A prova de que o setor de serviços ganha muito espaço e ameaça a produção e venda de carros é o fato de que praticamente todas as montadoras estão investindo em aplicativos de mobilidade”, explica o professor da FGV, Antonio Jorge Martins.

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As montadoras sabem que o compartilhamento reduzirá o consumo de veículos e, assim, decidiram unir-se com empresas como Uber ou Lyft, com o objetivo de vender carros a essas companhias, o que surge como uma fonte de renda no longo prazo, compensando a queda nas vendas para particulares.

Confira as principais parcerias do mercado

Marca Novos negócios
Volkswagen No fim de 2016, a marca alemã lançou o aplicativo Moia, que oferecerá serviços de transporte sob demanda. A empresa investiu ainda US$ 300 milhões no app Gett, que também concorre com o Uber
Chevrolet A General Motors investiu US$ 500 milhões na empresa Lyft, principal
concorrente do Uber. A GM também criou a marca Maven, uma
divisão que oferece aluguel por hora de seus modelos
Mercedes-Benz A Mercedes criou o programa Car2Go em 2008 e atualmente já tem mais de 2 milhões de associados nos EUA, Europa e China. Sua frota funciona com modelos compactos da marca Smart, reservados via smartphone
Toyota A Toyota fechou uma parceria com o Uber. O acordo prevê locar modelos para os motoristas com possibilidade de compra, além de incentivar o desenvolvimento de pesquisas sobre carros autonômos
Peugeot A Peugeot investiu 100 milhões de euros na Free2Move, que integra serviços como compartilhamento, gestão de frotas de veículos elétricos e locação de automóveis entre particulares
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