Assine QUATRO RODAS por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Inovar álcool

Investimentos da indústria podem trazer os motores 100% movidos a etanol de volta

Por Gustavo Henrique Ruffo | Ilustração Tato Araújo
Atualizado em 9 nov 2016, 12h59 - Publicado em 16 jan 2014, 16h38
geral

Carro flex é bom para o consumidor se equilibrar na corda bamba dos preços e do risco de desabastecimento, como já aconteceu com o álcool no passado. Tecnicamente, porém, não faltam argumentos contrários a essa tecnologia. Do ponto de vista energético, melhor seria ter carros monocombustível, porque assim ganha-se em desempenho e consumo. O flex é um meio-termo: apenas razoável quando roda com o etanol e o mesmo com a gasolina. Para os críticos do flex, o Inovar-Auto pode se tornar uma oportunidade de corrigir o erro, cabendo aos brasileiros o desenvolvimento de novos motores a álcool.

Nesse sentido, já existem iniciativas pipocando em diferentes segmentos da indústria. Fiat e PSA (Peugeot-Citroën) anunciaram que estão desenvolvendo, em pareceria com universidades brasileiras, motores para rodar exclusivamente com etanol, desde a fase de projeto. Ou seja: serão inteiramente dedicados ao etanol e não adaptações feitas a partir de motores nascidos para queimar gasolina.

Fiat e PSA ainda não divulgam resultados nem quando seus projetos podem chegar às ruas, mas essas são iniciativas que podem ajudar os fabricantes na sua missão de conseguir tanto a necessária redução de poluentes das leis de emissão cada vez mais rígidas no país quanto as cotas de investimento em tecnologia a que elas estão sujeitas pelo programa do governo. A seguir, veja alguns dos projetos que estão em andamento no mundo para possibilitar o surgimento dos novos motores 100% etanol.

Continua após a publicidade

PLANILHA DE SOLUÇÕES TURBOCOMPRESSOR

651_novas_01.jpeg

A britânica Ricardo desenvolveu um V6 3.2 movido a etanol que, segundo a empresa, tem rendimento semelhante ao de um motor 6.6 turbodiesel, com uma diferença: o ciclo é Otto. O conceito EBDI (Ethanol Boosted Direct Injection) une turbocompressor, injeção direta, comando variável de válvulas e um sistema de tratamento de gases EGR de alta carga, refrigerado. Flex, ele rende, com etanol, até 85% acima do que renderia com gasolina, enquando os flex atuais conseguem rendimento ao redor de 70%, em média.

Continua após a publicidade

CÂMARAS PARA COMBUSTÃO

651_novas_03.jpeg

Estudos como a dissertação de mestrado de Sandro Guimarães Souza, da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, mostram que motores movidos exclusivamente a etanol podem ter câmaras hemisféricas com velas centrais, o que ajuda na formação da mistura ar-combustível, ou câmaras otimizadas para injeção direta, que permitiriam uma vaporização mais adequada do etanol.

Continua após a publicidade

INJEÇÃO DIRETA

651_novas_04.jpeg

Com aplicação já disponível no 2.0 flex do Ford Focus, o sistema de injeção direta tem a capacidade de melhorar o consumo dos motores e de eliminar qualquer sistema de partida a frio, com o chamado CCAS (Compressed Crank Assisted Start). Ele faz o motor girar dois ou três ciclos e, com a participação da injeção direta, aquecer o ar na câmara para promover a vaporização do etanol em temperaturas de até -10 ºC.

Continua após a publicidade

CICLO DIESEL

651_novas_02.jpeg

Como o álcool admite taxas de compressão altas, é perfeitamente viável ter um motor ciclo Diesel movido pelo combustível vegetal. A Scania já roda com um caminhão a diesel, o semipesado P270, que utiliza etanol com 5% de aditivo para ajudar na detonação e na lubrificação de componentes internos. Segundo Celso Mendonça, gerente da área de pré-vendas da empresa, esses benefícios são obtidos praticamente sem perda da eficiência energética – 43% rodando apenas com diesel contra 42% da mistura com etanol.

Continua após a publicidade

MOTORES HÍBRIDOS

651_novas_05.jpeg

O etanol também teria espaço em um cenário de veículos com propulsão híbrida, considerando um projeto que reúna motores elétricos e de combustão interna. A Eletrobras criou um ônibus híbrido movido a etanol, no fim de 2010, do
tipo plug-in, ou seja, permitia a recarga das baterias na rede elétrica. A própria Toyota já acenou com a possibilidade de ter no Brasil um Prius com motor flex.

FONTES DE PRODUÇÃO

651_novas_06.jpeg

Além da cana-de-açúcar, já está a caminho o etanol de segunda geração, produzido com biomassa, e o fabricado a partir de sorgo, uma planta que permite produção de etanol na entressafra da cana. Isso evitaria as grandes oscilações de preço que o combustível sofre ao longo do ano, dando uma folga aos estoques reguladores ou às importações de etanol dos EUA.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Quatro Rodas impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.