Inovar álcool

Investimentos da indústria podem trazer os motores 100% movidos a etanol de volta

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Carro flex é bom para o consumidor se equilibrar na corda bamba dos preços e do risco de desabastecimento, como já aconteceu com o álcool no passado. Tecnicamente, porém, não faltam argumentos contrários a essa tecnologia. Do ponto de vista energético, melhor seria ter carros monocombustível, porque assim ganha-se em desempenho e consumo. O flex é um meio-termo: apenas razoável quando roda com o etanol e o mesmo com a gasolina. Para os críticos do flex, o Inovar-Auto pode se tornar uma oportunidade de corrigir o erro, cabendo aos brasileiros o desenvolvimento de novos motores a álcool.

Nesse sentido, já existem iniciativas pipocando em diferentes segmentos da indústria. Fiat e PSA (Peugeot-Citroën) anunciaram que estão desenvolvendo, em pareceria com universidades brasileiras, motores para rodar exclusivamente com etanol, desde a fase de projeto. Ou seja: serão inteiramente dedicados ao etanol e não adaptações feitas a partir de motores nascidos para queimar gasolina.

Fiat e PSA ainda não divulgam resultados nem quando seus projetos podem chegar às ruas, mas essas são iniciativas que podem ajudar os fabricantes na sua missão de conseguir tanto a necessária redução de poluentes das leis de emissão cada vez mais rígidas no país quanto as cotas de investimento em tecnologia a que elas estão sujeitas pelo programa do governo. A seguir, veja alguns dos projetos que estão em andamento no mundo para possibilitar o surgimento dos novos motores 100% etanol.

PLANILHA DE SOLUÇÕES TURBOCOMPRESSOR

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A britânica Ricardo desenvolveu um V6 3.2 movido a etanol que, segundo a empresa, tem rendimento semelhante ao de um motor 6.6 turbodiesel, com uma diferença: o ciclo é Otto. O conceito EBDI (Ethanol Boosted Direct Injection) une turbocompressor, injeção direta, comando variável de válvulas e um sistema de tratamento de gases EGR de alta carga, refrigerado. Flex, ele rende, com etanol, até 85% acima do que renderia com gasolina, enquando os flex atuais conseguem rendimento ao redor de 70%, em média.

CÂMARAS PARA COMBUSTÃO

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Estudos como a dissertação de mestrado de Sandro Guimarães Souza, da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, mostram que motores movidos exclusivamente a etanol podem ter câmaras hemisféricas com velas centrais, o que ajuda na formação da mistura ar-combustível, ou câmaras otimizadas para injeção direta, que permitiriam uma vaporização mais adequada do etanol.

INJEÇÃO DIRETA

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Com aplicação já disponível no 2.0 flex do Ford Focus, o sistema de injeção direta tem a capacidade de melhorar o consumo dos motores e de eliminar qualquer sistema de partida a frio, com o chamado CCAS (Compressed Crank Assisted Start). Ele faz o motor girar dois ou três ciclos e, com a participação da injeção direta, aquecer o ar na câmara para promover a vaporização do etanol em temperaturas de até -10 ºC.

CICLO DIESEL

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Como o álcool admite taxas de compressão altas, é perfeitamente viável ter um motor ciclo Diesel movido pelo combustível vegetal. A Scania já roda com um caminhão a diesel, o semipesado P270, que utiliza etanol com 5% de aditivo para ajudar na detonação e na lubrificação de componentes internos. Segundo Celso Mendonça, gerente da área de pré-vendas da empresa, esses benefícios são obtidos praticamente sem perda da eficiência energética – 43% rodando apenas com diesel contra 42% da mistura com etanol.

MOTORES HÍBRIDOS

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O etanol também teria espaço em um cenário de veículos com propulsão híbrida, considerando um projeto que reúna motores elétricos e de combustão interna. A Eletrobras criou um ônibus híbrido movido a etanol, no fim de 2010, do
tipo plug-in, ou seja, permitia a recarga das baterias na rede elétrica. A própria Toyota já acenou com a possibilidade de ter no Brasil um Prius com motor flex.

FONTES DE PRODUÇÃO

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Além da cana-de-açúcar, já está a caminho o etanol de segunda geração, produzido com biomassa, e o fabricado a partir de sorgo, uma planta que permite produção de etanol na entressafra da cana. Isso evitaria as grandes oscilações de preço que o combustível sofre ao longo do ano, dando uma folga aos estoques reguladores ou às importações de etanol dos EUA.

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