Grandes Brasileiros: Ford F-1000

Com motor a diesel e tração 4x4, ela ajudou a popularizar as picapes nas grandes cidades

Ford F-1000 ano 1986 Em 1986, faróis duplos e elementos vazados na grade

Em 1986, faróis duplos e elementos vazados na grade  (/)

Com a F-100, a Ford inaugurou em 1957 o segmento das picapes grandes nacionais. O V8 da marca sempre foi referência de força em utilitários até que, em 1979, surgiu a F-1000. O zero a mais no nome indicava seu motor a diesel, de quatro cilindros e capaz de levar 1 000 kg. Ela foi uma resposta à D-10 da Chevrolet, lançada no mesmo ano, quando as duas marcas passavam por um processo de atualização de seus motores.

O da F-1000 era o D229-4 de 83 cv, da MWM, que produzia motores para tratores. A economia no bolso era de 40% em relação ao V8, que saiu de catálogo no mesmo ano. Ela manteve a carroceria que a F-100 adotava desde 1971. Mesmo sendo bem mais cara que a irmã F-100, que continuava em linha, a F-1000 chegou a ser vendida com ágio no início. Trazia freio a disco na dianteira, servofreio e direção hidráulica opcional.

O aspecto mais rural durou até meados dos anos 80, quando veio a febre de picapes nas cidades, fossem elas transformadas (convertidas para cabine dupla ou SUV), fossem antigas customizadas como hot rod. Os modelos de série ganhavam acabamento esportivo para atrair o público mais jovem, como faixas laterais de cores vivas e rodas diferenciadas.

Ford F-1000 ano 1986 Lanterna traseira igual ? da picape leve Ford Pampa

Lanterna traseira igual ? da picape leve Ford Pampa  (/)

Essa aproximação do universo urbano possibilitou em junho de 1985 seu primeiro teste na revista, que não avaliava picapes grandes desde os anos 60. Foi um comparativo com a recém-lançada Chevrolet D-20. Na série limitada SSS (Super Série Special), a F-1000 demonstrou equilíbrio com a rival e se destacou em estabilidade e maciez da suspensão. Foi ligeiramente melhor no desempenho, mas ficou um pouco atrás em espaço na caçamba, ruído e escalonamento de marchas.

Na mesma época surgiu a F-1000-A, com um seis-cilindros argentino a álcool. Para 1986 vieram faróis retangulares e grade nova. O banco 2/3 de tecido era item de série, assim como o novo sistema de ventilação (inclusive com teto solar), as calotas de alumínio, os pneus radiais e a pintura em dois tons.

Ford F-1000 ano 1986 Cabine vinha com o tradicional banco 1/3 para motorista e 2/3 para dois passageiros

Cabine vinha com o tradicional banco 1/3 para motorista e 2/3 para dois passageiros  (/)

É desse ano a F-1000 a diesel das fotos, que está com o médico Sergio Minervini desde 1988. O painel é completo e os espelhos retrovisores, grandes. Firme, o banco do motorista encaixa bem o corpo. O motor mostra bom torque, soando como um trator domesticado, mas falta força em ladeiras. O câmbio seco faz seus estalos, lembrando o do Opala. A suspensão é firme e os freios são eficientes com a caçamba vazia.

Ford F-1000 ano 1986 A picape tinha capacidade de transportar até 1.000 kg

A picape tinha capacidade de transportar até 1.000 kg  (/)

Para 1991, veio a versão Turbo, com 119 cv. Rápida como um carro de passeio, em nosso teste fez de 0 a 100 km/h em 18 segundos e atingiu 143 km/h. “E, mais importante: carregada com o peso máximo (1 005 kg), ela atingiu 140 km/h, enquanto a picape com motor aspirado estacionava nos 108 km/h”, dizia o texto de janeiro de 1991. No ano seguinte viria uma nova carroceria, como a da americana. Em 1993, chegou a tração 4×4. “Mesmo pesando 2.395 kg, ela consegue arrancar em quinta marcha, até mesmo em subidas”, afirmava a edição de setembro.

Essa história de força e versatilidade só teria fim em 1998, ao dar lugar à F-250 e se tornar a picape que ensinou ao povo da cidade os prazeres de guiar um veículo que deu tanta alegria no campo.

Teste – junho de 1985 – F-1000 SSS
Aceleração de 0 a 100 km/h 32,19 s
Velocidade máxima 119,6 km/h
Frenagem de 80 km/h a 0 38,11 m
Consumo urbano 12,90 km/l
Consumo rodoviário 14,05 km/l
Preço (maio de 1985) Cr$ 61.064.209
Preço (atualizado IPC-A/IBGE) R$ 139.358
Ficha Técnica
Motor dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 3 922 cm³, injeção direta, a diesel
Diâmetro x curso 102 x 120 mm
Taxa de compressão 16,6:1
Potência 86,4 cv a 3.000 rpm
Torque 26,3 mkgf a 1.600 rpm
Câmbio manual de 5 marchas, tração traseira
Dimensões comprimento, 486 cm; largura, 203 cm; altura, 182 cm; entre-eixos, 292 cm; peso, 2 045 kg
Suspensão Dianteira: independente, sistema de barras duplas, molas helicoidais. Traseira: feixe de molas semielípticas
Freios disco ventilado na dianteira, tambor na traseira
Rodas e pneus aço, 6×16; pneus, 7,00 x 16/8L
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