Grandes Brasileiros: Dodge Charger R/T 1979, civilizado e fino

Completamente revisto, o Charger R/T abriu mão do caráter intimidador para ostentar um visual esporte fino

Na linha 1979, o R/T mudou com a grade “bicuda” de quatro faróis

Na linha 1979, o R/T mudou com a grade “bicuda” de quatro faróis (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A década de 1970 foi complicada para a indústria americana: controles de emissões e falta de combustível fizeram as montadoras mudarem o foco da esportividade para o requinte.

Um dos casos mais emblemáticos veio em 1975, quando o Dodge Charger deixou de ser muscle car para se tornar cupê de luxo.

Frente do Charger R/T 1979 ficou mais refinado

Frente do Charger R/T 1979 ficou mais refinado (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Algo semelhante ocorreu aqui: com quase dez anos, a família Dart havia perdido parte do apelo. Assolada pela crise, a matriz deixou a Chrysler do Brasil decidir o futuro dos Dodges nacionais, especialmente seu modelo mais carismático: o Charger R/T.

Lançado na linha 1971, o R/T nacional foi criado pelo chefe de estilo Celso Lamas e virou um dos carros mais cobiçados do país pelo desempenho e estilo agressivo: faróis ocultos pela grade cromada, teto revestido de vinil e colunas traseiras que se prolongavam sobre os para-lamas.

As persianas nas laterais simulavam as colunas B

As persianas nas laterais simulavam as colunas B (Christian Castanho/Quatro Rodas)

A mudança radical veio no modelo 1979: a linha Dart se baseou no americano de 1974. O par de lanternas verticais deu lugar às quatro horizontais.

No Charger R/T, o estilo hardtop foi modificado sem os prolongamentos e com persianas laterais inspiradas no Dodge Aspen R/T 1978.

Sai o banco de couro, entra o interior de veludo

Sai o banco de couro, entra o interior de veludo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

O teto de vinil foi eliminado: ficou exclusivo do Magnum, que substituiu o R/T na hierarquia de luxo da Dodge. Sem as faixas esportivas, veio a pintura em dois tons: a parte escura no capô e parte do teto e a clara no resto da carroceria.

Como nos EUA, o Charger R/T tornara-se exclusivamente num cupê de luxo. Última obra de Lamas, a dianteira ganhou quatro faróis numa grade bipartida de fibra de vidro. Como no Magnum, o centro da grade formava um bico, dando origem a um ressalto central por toda a extensão do capô.

O câmbio é automático de 3 marchas

O câmbio é automático de 3 marchas (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Assim, a sigla R/T (Road and Track, estrada e pista) perdia todo o sentido, sensação reforçada pela supressão do conta-giros, substituído por um relógio. Os bancos de couro também se foram: o interior recebia veludo acrílico, cuja cor variava com a da lataria.

Mesmo descaracterizado, o Charger R/T 1979 ainda era uma boa opção ao seleto público que não tinha mais acesso aos importados, proibidos em 1976.

Foi o primeiro nacional a adotar rodas de liga de alumínio como item de série. Comum à toda linha Dart, a suspensão foi recalibrada para o conforto, comprometendo a estabilidade em altas velocidades.

Instrumentação no Charger é mais simples

Instrumentação no Charger é mais simples (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Apesar de indestrutível, o eixo traseiro exigia cautela em frenagens de emergência, pois provocava mudanças na trajetória. O melhor era esquecer a pretensão esportiva e aproveitar o conforto proporcionado pela direção hidráulica e opcionais como o ar-condicionado, câmbio automático e toca-fitas com antena elétrica.

O importante ainda estava lá: o enorme V8 5.2 com 42 mkgf a só 2.400 rpm, garantindo retomadas rápidas em qualquer marcha. Na pista, foi de 0 a 100 km/h em 12,25 s e chegou a 171,83 km/h.

O consumo era proporcional à pisada no acelerador: de 3,8 a 9,2 km/l. O novo tanque de 107 litros garantia autonomia em época de posto fechado no fim de semana. Mas as vendas continuavam em declínio.

Motor V8 com 5,2 litros de 208 cv

Motor V8 com 5,2 litros de 208 cv (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Em 1979, a VW assumiu a Chrysler do Brasil e em maio o Charger R/T recebeu um novo câmbio automático. Em vão: no total, só 180 foram produzidos em 1979, como este exemplar, do colecionador Reinaldo Silveira.

O “canto do Charger” foi na linha 1980: a decoração adotou um padrão mais discreto, com pintura em um único tom e o fim das persianas nas janelas. “Foram produzidas apenas 19 unidades”, conta Alexandre Badolato, fundador do Museu do Dodge.

Ficha técnica – Dodge Charger R/T 1979

  • Motor: longitudinal, V8, 5.212 cm³, comando de válvulas simples no bloco, carburador de corpo duplo; 208 cv a 4.400 rpm; 42 mkgf a 2.400 rpm
  • Câmbio: automático de 3 marchas, tração traseira
  • Dimensões: comprimento, 508 cm; largura, 183 cm;altura, 139 cm; entre-eixos, 282 cm; peso, 1.678 kg
  • Pneus: 185 SR 14

Teste QUATRO RODAS – fevereiro de 1979

  • Aceleração: 0 a 100 km/h em 12,25 s
  • Velocidade máxima: 171,83 km/h
  • Consumo: 6,35 km/l (média geral, gasolina)
  • Preço (fevereiro de 1979): CR$ 210.395
  • Preço (atualizado IGP-DI): R$ 127.700
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