Grandes Brasileiros: Chevrolet Amazona

Com porte avantajado e resistência para encarar maus caminhos, a perua GM trabalhava na cidade e no campo

Chevrolet Amazona Versão nacional da Suburban, ela seria substituída pela Veraneio

Versão nacional da Suburban, ela seria substituída pela Veraneio (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Com 82 anos de história, a Chevrolet Suburban americana é o carro há mais tempo em produção no mundo. Embora pouco conhecida no Brasil, ela chegou a ter uma versão nacional, que seria a antecessora da Veraneio.

Lançada no fim de 1959, a Amazona (sem “s”, o feminino de cavaleiro) derivava da 3100, conhecida como Chevrolet Brasil, a picape que marcou a nacionalização dos produtos da General Motors, com diferenças em relação ao modelo americano.

Um dos diretores do Chevrolet Clube do Brasil de Carros Antigos, o colecionador Jerônimo Ardito afirma que a Brasil era derivada da terceira geração americana, que durou até 1954, mas com a cabine e os para-lamas parecidos com os da 3100 “Martha Rocha” de 1955.

É dessa receita nacional que deriva a Amazona, feita para as demandas do campo, como a Brasil, mas da cidade também. Pelo vocabulário da época, era uma camioneta ou camionete.

Chevrolet Amazona Apenas a parte de baixo datraseira dava acesso ao porta-malas: o vidro era fixo

Apenas a parte de baixo datraseira dava acesso ao porta-malas: o vidro era fixo (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Com três filas de bancos revestidos de plástico, levava oito pessoas ou, sem os bancos de trás, até 650 kg de carga. Só o lado do passageiro dava acesso aos assentos traseiros, por uma terceira porta. A tampa do porta-malas abria da linha da cintura para baixo, como na maioria das picapes.

Na primeira QUATRO RODAS, em agosto de 1960, a Amazona foi o primeiro anúncio da GM na revista, como veículo escolar.

Chevrolet Amazona Atrás iam cinco passageiros ou, sem os bancos, até 650 kg de carga

Atrás iam cinco passageiros ou, sem os bancos, até 650 kg de carga (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Na linha 1963, os faróis simples foram trocados por duplos e os elementos em V que pareciam formar duas asas sobre a grade deram lugar a uma barra que incluía os piscas nas pontas.

A mecânica era velha conhecida entre os Chevrolet, um motor de seis cilindros em linha com 142 cv com câmbio manual de três velocidades. A Amazona ainda foi o primeiro modelo da GM testado pela revista, em maio de 1963, e o primeiro derivado de picape avaliado por ela – antes de um teste com picape.

Chevrolet Amazona O motor era um seis-cilindros de 142 cv

O motor era um seis-cilindros de 142 cv (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Na reportagem foram registradas queixas como a trepidação do volante, grande oscilação em estradas de terra, freio de mão acionado mesmo com a alavanca abaixada, pintura dos para-lamas traseiros que não resistia tão bem às pedrinhas lançadas pelas rodas da frente, borracha da tampa traseira deslocada, qualidade das fechaduras, dureza da abertura das janelas e infiltrações de água e pó.

O espaço e o acabamento dos assentos, com ajustes de seis posições longitudinais, agradavam. A partida era feita por um botão junto ao acelerador. Mesmo sem assistência hidráulica, era fácil manobrar a perua.

Chevrolet Amazona Câmbio na direção permitia o uso de banco dianteiro inteiriço

Câmbio na direção permitia o uso de banco dianteiro inteiriço (Christian Castanho/Quatro Rodas)

“Não obstante as proporções da Amazona, a direção é leve: tem-se a impressão de que se conduz um veículo de passeio”, elogiava a revista, que ainda considerava seu consumo muito razoável e a aceleração boa, “graças à excelência do motor e da transmissão”.

No estojo de ferramentas vinha até uma prática bomba para enchimento dos pneus. Opcional atraente era a tração positiva, sistema de diferencial autoblocante.

A perua das fotos abaixo foi comprada em Sorocaba (SP). Foi de um único dono. “Apesar de rusticidade, ela deu bastante trabalho na funilaria e pintura por causa do tamanho”, diz o dono atual. As bordas do teto estavam podres. Pelo menos, a mecânica é bem conhecida.

Chevrolet Amazona Acabamento ganhou destaque na restauração deste exemplar

Acabamento ganhou destaque na restauração deste exemplar (Christian Castanho/Quatro Rodas)

Até 1963, foram produzidas 2.626 Amazona. Em 1964, a C-1416, mais tarde chamada de Veraneio, tirou o modelo de linha, mas manteve aqui por mais 30 anos uma linhagem que hoje prossegue com a recordista Suburban.

Ficha técnica – Chevrolet Amazona

  • Motor: dianteiro, longitudinal, 6 cilindros em linha, 4278 cm³, carburação simples, comando de válvulas no bloco, a gasolina
  • Diâmetro x curso: 95,25 x 100 mm
  • Taxa de compressão: 7,3:1
  • Potência: 142 cv a 4.000 rpm
  • Torque: 31,7 mkgf a 2.000 rpm
  • Câmbio: manual de 3 marchas, tração traseira
  • Dimensões: comprimento, 513 cm; largura, 210 cm; altura, 196 cm; entre-eixos, 305 cm
  • Peso: 1.850 kg
  • Suspensão: eixo rígido e molas semielípticas nas 4 rodas
  • Freios: a tambor
  • Pneus: Goodyear 7,10 x15

Teste QUATRO RODAS – maio de 1963

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 21,1 s (com 200 kg) e 24,2 s (com 650 kg)
  • Velocidade máxima: 138 km/h
  • Frenagem de 80 km/h a 0: 27,7 metros
  • Consumo: 5,1 km/l (urbano) e 6,4 km/l (estrada)
  • Preço (abril de 1963): Cr$ 2.979.000
  • Preço (atualizado IGP-DI/FGV): R$ 177.8727
Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s