Fórum Direções: as melhores análises e debates

Evento organizado pela QUATRO RODAS reuniu os protagonistas da indústria e do mercado para discutir os rumos do setor automotivo no Brasil

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A segunda edição do Fórum Direções ocorreu num dos momentos mais delicados da indústria automotiva brasileira. Com a produção sofrendo queda de mais de 25% e recuando aos patamares de 2005, o encontro trouxe alguns dos principais executivos do setor para esclarecer os efeitos da crise e encontrar as melhores maneiras de enfrentá-la. A seguir, um resumo das mesas de debate e apresentações.

Os caminhos para a retomada

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Presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e com mais de 30 anos de experiência no setor, Luiz Moan deu início ao Fórum Direções afirmando que a queda nas vendas totais de veículos novos no Brasil deve ficar entre 23% e 24% em 2015. Por outro lado, ele explicou que o mercado de automóveis como um todo não caiu. “Juntando a venda de veículos novos com usados, o mercado cresceu 3% até agosto, ante o mesmo período de 2014”. Moan também lembrou que a crise vivida na década de 80 foi pior, com quedas de mais de 40%.

O executivo da Anfavea citou algumas medidas já adotadas para contornar a recessão, como a simplificação da transferência de veículos usados e os novos acordos de financiamento para empresas do setor, que visam diminuir o spread de risco para empréstimos para pequenos e médios fornecedores. Moan acredita que os três primeiros trimestres de 2016 serão um período de estabilização, seguido por um leve crescimento a partir do quarto trimestre. Ele também destaca que, com a alta do dólar, os números de exportação dos fabricantes instalados no Brasil já aumentou, e que este será um movimento importante para equilibrar os investimentos em produção feitos nos últimos anos frente à queda no mercado interno.

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A mesa composta por Antonio Megale (Diretor de Assuntos Governamentais da VW), Luiz Carlos Andrade Jr. (Vice-presidente da Toyota no Brasil) e Flávio Del Soldato (Conselho de Administração do Sindipeças) avaliou como positivos os resultados da primeira fase do programa Inovar-auto, em vigor desde 2011. Para eles, a iniciativa – apesar da polêmica em seus aspectos protecionistas – fortaleceu a indústria brasileira como um todo, principalmente no investimento em engenharia, pesquisa e desenvolvimento. “Não podemos ser apenas um grande mercado, mas um grande gerador de tecnologia e desenvolvimento”, disse Megale.

Sobre a segunda etapa do projeto, os participantes concordam que ele deverá focar na eficiência energética. “O país ainda trata a tributação sobre o ponto de vista de tamanho do motor. O caminho lógico e racional é a combinação de eficiência (consumo) com emissões, beneficiando as empresas com maiores avanços nesses quesitos”, afirmou Andrade.

É hora de investir: a GM e o futuro do mercado brasileiro

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O presidente do grupo GM no país, Santiago Chamorro, afirmou que a empresa deve investir R$ 6,5 bilhões no Brasil até 2019, incluindo nesse aporte a produção de uma nova família global de veículos. Além disso, o valor complementaria outros R$ 6,5 bilhões já anunciados no ano passado. “O Brasil voltará a crescer. Esperávamos que o mercado alcançasse 4 milhões de unidades em 2015. Hoje, esperamos atingir isso entre 2019 e 2021. É um investimento a longo prazo”, explicou.

Para Chamorro, os consumidores brasileiros estão cada vez mais exigentes em relação aos equipamentos de conforto e tecnologia embarcada, mesmo os compradores de modelos de entrada. A longo prazo, a empresa deve apostar nos SUVs como foco de crescimento, investindo cada vez mais em conectividade e motores mais eficientes. “Estamos passando por um choque no curto prazo. No longo prazo, não vemos mudanças. Há um potencial gigante que vale a pena investir”.

Os riscos e as oportunidades da crise

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Presidente do grupo Caoa, Antônio Maciel Neto começou sua apresentação com um número preocupante. Considerando que o Brasil hoje possui ao redor de 8 mil concessionárias de todas as marcas, e que o mercado deverá diminuir em mais de 20% em 2015, ele estima que cerca de 1.600 concessionárias deverão fechar as portas no país. Maciel também expressou sua preocupação com a tremenda variação do dólar nas últimas semanas, e seus efeitos não apenas entre os importadores, mas também entre os fabricantes que dependem de componentes vindos do exterior. “Vejo a cotação a cada 15 minutos”.

Por outro lado, o executivo descreveu com entusiasmo as mudanças no processo de compra de automóveis. Segundo estudos da Caoa, apesar de as lojas terem registrado queda no movimento, o fechamento de negócios aumentou. “As visitas caíram porque hoje as pessoas pequisam muito mais. Pelo menos 80% dos compradores chegam às concessionárias sabendo mais do veículo do que do vendedor”. Para se adequar a essa nova realidade, serão necessárias três ações: oferecer cada vez mais opções de serviços online (de agendamento de test-drive a atendimento pós-venda), investir no treinamento e capacitação de vendedores e apostar em novos atrativos para seus pontos físicos de venda. “Antes, o cliente vinha até a concessionária. Hoje, a concessionária precisa ir até o cliente”, explica.

Conectividade

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Com participação de David Borges (Supervisor de Veículos Conectados da Ford Brasil), Dirlei Dias (Gerente Sênior de Vendas da Mercedes-Benz no Brasil) e Marcelo Mattar (Media Solution da Samsung para a América Latina), a mesa de debates teve como assunto a conectividade cada vez maior entre veículo e condutor oferecida não apenas em automóveis premium, mas também em modelos de entrada – caso dos exemplos citados por Borges, como a central SYNC oferecida no Ford Ka. Já Dias descreveu os principais avanços da Mercedes-Benz na área tecnológica, e trouxe um dado que mostra o impacto da sofisticação dos sistemas na hora da venda: enquanto antes uma entrega técnica para o cliente demorava 30 minutos, hoje são necessárias 3 horas para abordar tudo o que o automóvel oferece ao condutor.

Como contraponto aos profissionais do setor automotivo, Marcelo Mattar ofereceu a visão de uma empresa de tecnologia a respeito dos rumos da conectividade. Para ele, as aplicações no cotidiano dos motoristas são quase infinitas. Dois exemplos: smartphones já poderiam substituir os controles de portão eletrônico utilizados em casas e prédios com muito mais segurança e praticidade; no tráfego, o uso de chips em veículos automotores poderia ajudar no funcionamento de semáforos, principalmente de madrugada e em períodos em que a abertura e fechamento de sinais poderiam ser feitas sob demanda. O problema, para ele, é a falta de condições de infra-estrutura no país. “O Brasil ainda não está preparado para integrar condutores, automóveis e vias em torno das novas tecnologias”.

Caminhos do carro elétrico: mercado, tecnologia e mobilidade

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Diretor de Engenharia da BMW no Brasil, o alemão Elmar Hockgeiger fez uma apresentação detalhada a respeito dos projetos e da abordagem que a fabricante bávara adotou para produzir veículos cada vez mais eficientes em termos energéticos, sem perder de vista o prazer ao conduzir que sempre caracterizou a marca. Para isso, foi necessário criar uma empresa à parte dentro da própria BMW – o chamado Project i, uma iniciativa de mobilidade que inclui não apenas os automóveis em si, mas também as condições sustentáveis de produção, o contexto de infraestrutura das vias e de suporte à operação de veículos elétricos, tudo isso formando um ecossistema digital positivo para a sociedade.

Hockgeiger também afirmou que a ideia de veículos revolucionários passa pela conectividade com smartphones e smartwaches, permitindo que o proprietário se mantenha informado a respeito da autonomia do veículo e dos pontos de recarga mais próximos, mesmo à distância.

Os jovens e os carros

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Os jovens da geração “Millennial” não se interessam mais por automóveis da mesma forma que as gerações anteriores. A partir dessa constatação, a mesa formada por Luiz Lara (Chairman da Lew’Lara/TBWA), Malu Antônio (gerente de publicidade da Fiat) e Alexandre Caldini (Presidente da Editora Abril) discutiu os novos hábitos de um tipo de consumidor que já não faz questão de comprar – ou ganhar – um carro ao completar 18 anos. “O jovem hoje está muito mais ligado ao ser do que ao ter, à experiência do que à posse. Ao mesmo tempo, há um paradoxo: ao casar e ter filhos, ele certamente vai precisar de um automóvel”, diz Lara.

Malu Antônio cita uma pesquisa feita com jovens de diversos países que mostra que 71% deles comprariam um carro da Apple ou da Google. “O consumidor hoje está muito mais propenso a experimentar novas marcas, seja o produto um carro, um celular ou um remédio. Para conquistá-lo, não basta apenas um bom produto – é preciso criar uma relação de identidade, sensação e experiência. As relações com as marcas tornaram-se bem mais complexas, e muito aceleradas”.

As transformações do consumidor brasileiro

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Após 19 anos de experiência na indústria automotiva, incluindo passagens por Volkswagen e Audi do Brasil – da qual foi presidente de 2009 a 2912 – , Paulo Kakinoff hoje é presidente da Gol Linhas Aéreas. Sua relação e interesse com o setor automotivo, porém, continuam fortes, e a visão do lado de fora dessa indústria foi a inspiração enriquecedora para sua palestra sobre as transformações do consumidor brasileiro nos últimos anos.

“Há um paralelo entre o comprador de carros e o comprador de passagens aéreas, que é a fidelidade aos produtos, não às marcas. Antigamente, as montadoras precisavam convencer as pessoas a comprar um carro de sua marca; hoje, elas precisam convencer os consumidores a comprar um carro, o que é muito mais difícil”, diz Kakinoff.

Para ele, toda empresa deveria passar por uma crise de tempos em tempos. “Crises podem ser positivas, pois são um exercício de gestão com foco na produtividade, na eficiência e no corte de custos, incentivando medidas que não ocorreriam em períodos de céu azul”.

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