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Fiat abate Toro para lançar centro de segurança de R$ 40 milhões no Brasil

Fabricante passará enfim a contar com um laboratório local, em Betim (MG), para realizar testes reais de impacto em seus veículos

Por Felipe Bitu, em Betim (MG) - Atualizado em 19 jul 2019, 11h46 - Publicado em 18 jul 2019, 07h35
Teste de impacto daToro no novo centro de segurança da FCA em Betim (MG) Felipe Bitu/Quatro Rodas

Parece estranho que o grupo FCA (Fiat Chrysler Automóveis) não tivesse até hoje um espaço dedicado a testes de impacto em automóveis no Brasil. Mas não tinha, e passou a tê-lo nesta quarta-feira (17).

Batizado como Safety Center (ou, simplesmente, centro de segurança), o espaço fica na fábrica de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

O novíssimo Safety Center da Fiat em Betim (MG) e a Toro, antes do abate Divulgação/Fiat

Trata-se do quarto laboratório de segurança da fabricante no mundo. E já que ele foi construído só agora, pelo menos surge como o mais atualizado de todo o grupo, incluindo Europa e Estados Unidos.

Foram investidos cerca de R$ 40 milhões para erguer o complexo de 7,6 mil metros quadrados entre maio de 2018 e maio de 2019. Mais de 50 engenheiros irão trabalhar no local.

“O Safety Center representa um momento histórico para a FCA, pois agora temos autonomia completa para desenvolver novos modelos sem depender da matriz”, afirma Márcio Tonani, diretor de desenvolvimento de produto.

Com o centro, FCA do Brasil quer ficar menos dependente da matriz no desenvolvimento de novos produtos Divulgação/Fiat

Coube a uma Fiat Toro o papel de ser abatida para realizar o primeiro teste de impacto.

Após percorrer 130 metros, a picape colidiu contra um bloco de concreto rígido de 140 toneladas a 48,3 km/h. Trata-se de um teste que nem o Latin NCAP, programa de segurança viária para América Latina e Caribe, possui em seu protocolo.

Habitáculo ficou praticamente intacto após colisão frontal em obstáculo rígido a 44 km/h Felipe Bitu/Quatro Rodas

Positivamente, a picape manteve o habitáculo bastante íntegro após a colisão, graças à absorção de energia pela zona de deformação dianteira.

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Alguns trincos no para-brisa, para-lamas levemente encostados às portas dianteira e um estepe solto sob o carro foram as únicas consequências.

O piso do local é transparente e permite registrar os efeitos do impacto na parte inferior do veículo testado com auxílio de leds e câmeras de alta velocidade e resolução, capazes de captar 1.940 quadros por segundo. Confira:

Felipe Bitu/Quatro Rodas

O laboratório tem capacidade para avaliar veículos de até 4 toneladas a no máximo 100 km/h. Ao mesmo tempo, os equipamentos resistem a impactos de até 1.000 G (sendo G a unidade de aceleração da gravidade).

“O teste de impacto confirma os resultados dos cerca de 800 ensaios virtuais”, conta Silvio Piancastelli, gerente de Conceito de Engenharia.

Segundo a Fiat, o labotarório tem capacidade para fazer até 96 provas de colisões por ano. Só em 2019 serão 72 veículos abatidos testados.

Toro no Latin NCAP

Avaliação de impacto lateral da Fiat Toro no Latin NCAP Latin NCAP/Divulgação

Vale lembrar que em março de 2018 a Toro passou pelos testes frontal parcial a 64 km/h e lateral a 50 km/h no Latin NCAP. Mas não gabaritou.

Foram quatro estrelas tanto em proteção para adultos quanto para crianças, de cinco possíveis.

Apesar de o órgão ter constatado a estabilidade do habitáculo, a ausência de airbags laterais comprometeu a segurança dos passageiros na prova de impacto lateral.

Muito mais recentemente, esta semana, os compactos Argo e Cronos foram avaliados com três estrelas no programa, fruto da ausência de controle de estabilidade nas versões avaliadas (o item é disponível apenas nas configurações 1.3 automatizada e 1.8 automática).

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