Desmanches vendem peças de Kwid que concessionárias não têm

Enquanto pontos de venda da marca só terão estoque em setembro, lojas independentes já possuem vários itens de reposição para o compacto

Quem comprar um Kwid corre a risco de ficar a pé se precisar de peças de reposição

Quem comprar um Kwid corre a risco de ficar a pé se precisar de peças de reposição (Divulgação/Renault)

Há muito tempo um carro não despertava tanto interesse no consumidor como o Renault Kwid. Aliando design moderno a preços atraentes (de R$ 29.990 a R$ 39.990), o popular indica que pode virar um sucesso de vendas.

Diante do sucesso inesperado durante a pré-venda, a marca foi levada a aumentar o ritmo de produção na planta de São José dos Pinhais (PR) para frear as desistências e diminuir o tempo de espera pelo carro.

Já a concorrência faz o possível para não perder clientes. A Fiat, por exemplo, reduziu o preço do Mobi em quase R$ 4 mil.

Faltam peças de reposição nas revendas – e algumas, como as rodas, são difíceis de achar no mercado paralelo

Faltam peças de reposição nas revendas – e algumas, como as rodas, são difíceis de achar no mercado paralelo (Divulgação/Renault)

A rede autorizada Renault também sofre com problemas. Além da longa fila de espera por um Kwid, quem precisar de peças de reposição corre o risco de ficar a pé por alguns dias – ou até semanas.

Isso porque as concessionárias só receberão a maioria dos itens a partir de setembro. Faltam até componentes básicos, como rodas (que só possuem três parafusos, impossibilitando a substituição por outro item genérico), vidros e partes de acabamento.

Em contrapartida, basta fazer uma busca na internet para achar diversos itens do Kwid à venda. Há vários acessórios estéticos, incluindo soleiras, adesivos e pedaleiras. Causa estranheza, porém, a oferta de outros itens difíceis de encontrar, como chave de seta e até o para-choque dianteiro.

Neste segundo caso, não há apenas um anúncio, e sim vários. Alguns vendedores ressaltam que as peças são usadas e aparentemente foram recuperadas após sofrerem danos.

Danos nos para-choques foram feitos próximos à grade na tentativa de inutilizar a peça

Danos nos para-choques foram feitos próximos à grade na tentativa de inutilizar a peça (reprodução/Internet)

Mas qual seria a procedência destes itens? Contatamos os desmanches responsáveis pelos anúncios e descobrimos que as peças pertenciam a veículos utilizados em testes de homologação – daí a variedade de cores.

Fontes ligadas à empresa afirmam que os para-choques são destruídos (possivelmente por uma prensa, explicando o fato de os danos serem feitos sempre no mesmo lugar) antes do descarte para evitar a revenda.

Preço das peças nos desmanches varia de R$ 250 a R$ 400

Preço das peças nos desmanches varia de R$ 250 a R$ 400 (Captura de tela/Internet)

Entretanto, alguém repassa as peças danificadas aos desmanches, que são devidamente reparadas antes de serem vendidas. O “esquema” foi revelado a nós pelo próprio anunciante, que admitiu ter adquirido o para-choque de uma concessionária.

Em um primeiro momento, aparenta ser apenas uma peça, se não fosse por um detalhe

Em um primeiro momento, aparenta ser apenas uma peça, se não fosse por um detalhe (Reprodução/Internet)

O adesivo no componente indica que ele é para o “Projeto XBB”, como o Kwid era chamado internamente na fase de desenvolvimento

O adesivo no componente indica que ele é para o “Projeto XBB”, como o Kwid era chamado internamente na fase de desenvolvimento (Reprodução/Internet)

Consultamos duas revendas nos arredores do bairro do Ipiranga (onde ficam os desmanches), em São Paulo (SP), e ambas disseram não ter peças do Kwid à pronta-entrega. Mas ambas nos forneceram o valor da peça: R$ 1.313,40, sem os custos de pintura e mão de obra. Além disso, ainda seria preciso esperar pelo menos cinco dias úteis até a peça chegar à concessionária.

Concessionárias no Rio de Janeiro e São José dos Pinhais (PR) – inclusive uma a pouco mais de 11 km da fábrica que produz o Kwid no Brasil – também não tinham as peças em estoque.

Cliente precisará pintar peça se a cor do para-choque não for a mesma de seu carro

Cliente precisará pintar peça se a cor do para-choque não for a mesma de seu carro (reprodução/Internet)

Enquanto isso, quem procurar um dos desmanches poderá levar a peça por um valor quase cinco vezes menor, desembolsando de R$ 250 a R$ 400 pela peça – e ainda conseguirá levá-la na hora para casa se for até o estabelecimento.

Procurada pela reportagem de QUATRO RODAS,  a Renault do Brasil se mostrou surpresa diante do fato. Segundo um porta-voz da empresa, a fabricante iniciou uma investigação interna para apurar a procedência das peças que estão à venda na internet.

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  1. Acho lamentável uma publicação procurar formas de prejudicar uma montadora com intuito de ajudar outra. Qual vantagem pode levar?

  2. Jose Alberto Alberto

    Do mesmo jeito que vcs elegeram o carro como melhor compra de 2017!!!

  3. djalma andretta

    Nossa, que interesse né! Não encontrei ninguém ainda que esteja tão interessado no carro e um exemplo disso , foram só as 2800 unidades vendidas em Agosto, sendo 800 no último dia do mes, prova de que a Renault recorreu ao famoso rapel para não passar vexame.

  4. Carros de homologação costumam ser destinados a destruição, devem ser destruídos.
    Falando em pecas a quatro rodas poderia explorar o comércio de vidros de reposição em atenção ao para brisa. Há marcas de origem chinesas com qualidade vergonhosa e que são vendidas aos montes com ajuda das seguradoras que buscam o menor preço na reposição, hoje andei em um onix de locadora que teve o vidro trocado, no meu foco de visão da rua tinha uma ondulação que gerava uma deformação na visão, não muito tempo atras o mesmo com um uno com para brisa trocado, havia uma notável deformidade bem no meio do para brisa, suficiente para incomodar.
    Não é possível que esses vídros de péssima qualidade sejam homologados.

  5. Sergio Bertoni

    Eu não acredito que ainda possa existir pessoas inocentes ao ponto de pedir explicações sobre a origem de peças em desmanche.

  6. Nada justifica um parachoque de plástico custar R$ 1300. NADA! Uma peça que não deve custar nem R$ 100 para ser produzida.