Clique e assine por apenas 8,90/mês

Estes itens não estão no carro para te agradar, mas para reduzir impostos

Equipamentos vindos de carros de luxo, como faróis de leds e bancos ventilados, ganham espaço entre os compactos para melhorar notas de eficiência

Por Henrique Rodriguez - Atualizado em 22 Maio 2020, 17h09 - Publicado em 26 Maio 2020, 07h00
BMW 330e tem grade ativa: na foto da direita está aberta e na esquerda, fechada Fernando Pires/Quatro Rodas

Você pode já ter percebido que carros mais baratos começaram a ganhar equipamentos antes restritos a modelos mais caros. É o caso de monitor de pressão dos pneus, faróis e lanternas de led, start-stop, grade ativa e até bancos ventilados.

Acredite: todos eles, de alguma forma, ajudam a economizar combustível. Mas estão ganhando espaço por serem um meio relativamente fácil de melhorar a eficiência energética dos veículos e, com isso, reduzir a carga de impostos que incide sobre o custo do carro.

Quer ter acesso a todos os conteúdos exclusivos de Quatro Rodas? Clique aqui e assine com 64% de desconto.

Acontece que os fabricantes que se inscreveram no Rota 2030 precisam, entre outras coisas, cumprir metas de eficiência para conseguir abatimento de até 2 pontos percentuais do IPI.

Até 2023 automóveis comercializados no Brasil precisarão estar pelo menos 11% mais eficientes, alcançando o índice médio de eficiência de 1,65 MJ/km. Uma redução no peso médio da frota, também prevista, deverá ajudar a alcançar esta meta. 

Ao fim da primeira, justamente em 2023, existe a possibilidade de o IPI (imposto sobre produtos industrializados) passar a ser aplicado não mais pela capacidade cúbica do motor, mais pelo seu índice de eficiência. 

Um dos meios de melhorar a nota de eficiência é adotar equipamentos que promovem redução de consumo na vida real, mas que dificilmente (para não dizer impossível) teriam impacto no consumo em ciclo normal de testes de eficiência.

Continua após a publicidade
Carro mais barato do Brasil, Renault Kwid tem indicador de troca de marcha de série Renault/Divulgação

Por exemplo, rodar com pneus na pressão correta e trocar as marchas no momento certo sempre ajudam a economizar combustível, desde que o motorista não os ignore.

Já o impacto do start-stop no consumo depende do tempo de cada parada e a grade ativa, capaz de abrir e fechar as aletas da grade para romper o ar com mais facilidade, atua em função de condições específicas de temperatura do motor e do ambiente.

Eles não teriam efeito sobre a nota de eficiência divulgada pelo Inmetro, calculada por meio de testes feitos em laboratório, com dinamômetro. Mas na vida real ajudam, sim, a fazer o combustível render um pouco mais no tanque.

Então, como estimular a presença destes equipamentos que promovem redução de consumo nos carros novos?

Renault Sandero tem lanternas com leds em todas as versões Divulgação/Renault

A solução foi garantir créditos sobre a nota de consumo aos modelos dotados com equipamentos que promovem redução real de consumo, ainda que indiretamente.

Até mesmo vidros refletivos, bancos ventilados – que ajudariam na eficiência térmica do ar-condicionado –, freios regenerativos e o simples fato de usar motor flex também garantem um abatimento no cálculo de eficiência, ajudando a melhorar a nota de cada carro.

Só não vale se o equipamento for opcional. Para ser considerado, os itens que garantem créditos precisam ser de série da versão.

Continua após a publicidade

Isso começou em 2018. O Inovar-Auto, regime automotivo que vigorou entre 2012 e 2017 para estimular a indústria automotiva e a eficiência de carros novos, não considerava estes equipamentos em seu projeto original. Mas os fabricantes pleitearam mudança.

A partir de 2015 ficou garantido uma espécie de crédito-bônus no cálculo de eficiência energética, que continua válido no Rota 2030 – substituto do Inovar-Auto lançado no final de 2018.

Este índice, obtido em megajoules por quilômetro (MJ/km) vem do programa de etiquetagem veicular do Conpet, que contempla medições de consumo e emissões, e classifica cada modelo vendido no mercado por meio de um índice de eficiência energética.

Start-stop no Fiat Argo: presença do equipamento melhora nota de eficiência instantãneamente Christian Castanho/Quatro Rodas

O cálculo de eficiência energética é complexo, mas os créditos podem ser facilmente resumidos. Veja na lista abaixo:

Start-stop: 0,0227 MJ/km em automóveis e 0,0439 MJ/km em comerciais leves;

Freios regenerativos: elevam o crédito do start-stop a 0,06 MJ/km;

Grade frontal ativa: 0,0049 MJ/km;

Continua após a publicidade
Honda Fit é o carro mais barato do Brasil com faróis full led Divulgação/Honda

Iluminação por leds: limitado a 0,0079 MJ/km, respeitado os valores individuais de cada tecnologia conforme tabela abaixo:

DOU/Reprodução

Sistema de monitoramento de pressão dos pneus (TPMS): 0,0134 MJ/km;

Indicador de troca de marcha (GSI): 0,0134 MJ/km;

Aerodinâmica ativa: é baseado no percentual de redução de arrasto aerodinâmico, excluído o efeito da grade ativa, conforme tabela abaixo:

DOU/Reprodução

Motor flex: até 0,04 MJ/km, dependendo da diferença de eficiência entre álcool e gasolina;

Ar condicionado com compressor variável: 0,04 MJ/km;

Bancos ventilados, vidros refletivos e pintura refletiva de calor: até 0,0250, conforme tabela abaixo:

DOU/Reprodução

Em caso de tecnologias que não são contempladas na lista, os fabricantes têm a possibilidade de solicitar créditos apresentando um laudo feito por entidade independente mostrando o ganho de eficiência.

Continua após a publicidade

No entanto, testes extras podem ser exigidos para quantificar os ganhos e todo o custo é do fabricante. O limite de concessão extra é de 0,0351 MJ/km.

Hyundai Creta Prestige tem banco do motorista ventilado Fernando Pires/Quatro Rodas

Créditos na prática

Uma coisa é importante salientar: as medições de consumo ainda têm maior peso nos índices de eficiência. Até porque o impacto desses créditos no cálculo final é pequeno e até ajuda a compensar a diferença de consumo entre as versões.

O mais curioso é observar a presença de uma parte destes equipamentos em carros com índices de eficiência ruins e notas baixas no programa de etiquetagem.

Por exemplo, o índice da Chevrolet Spin é de 1,91 MJ/km na versão LT 1.8 automática, conferindo nota D no segmento. Já o do Ford EcoSport é de 1,95 MJ/km, o equivalente a uma nota C, mesmo com motor três-cilindros 1.5 12V moderno. Em comum, ambos vêm com grade ativa.

Grade Ativa do chevrolet spin
Esquema técnico da grade ativa do Chevrolet Spin divulgação/Chevrolet

Já o Hyundai Creta Prestige traz monitor de pressão dos pressão dos pneus e start-stop em todas as versões 2.0, mas não há diferença no índice para a versão topo de linha Prestige, com banco do motorista ventilado e lanternas de led: todos recebem nota D no segmento e C geral, com 2,05 MJ/km.

O Jeep Renegade possui start-stop de série, monitor de pressão dos pneus e a versão topo de linha com motor 1.8, Limited, tem faróis e lanternas de leds. Seu índice: 2,17 MJ/km, nota E no segmento.

Monitoramento da pressão dos pneus é de série desde a versão LT
Monitoramento da pressão dos pneus vem ganhando espaço até entre carros mais baratos Pedro Bicudo/Quatro Rodas

Como o Fiat Argo foi lançado com start-stop de série e depois o equipamento se tornou opcional em algumas versões, é possível ver o impacto do sistema em sua nota. Na versão Precision 1.8 automática, o índice sobe de 1,90 para 1,99 MJ/km sem o equipamento. Mas a nota não deixa de ser E.

Continua após a publicidade

O antigo Argo 1.3 automatizado era ainda mais interessante. O start-stop fazia o índice passar de 1,64 para 1,57 MJ/km, diferença que fazia a sua nota de eficiência passar de B para A.

Não pode ir à banca comprar, mas não quer perder os conteúdos exclusivos da edição de maio da Quatro Rodas? Clique aqui e tenha o acesso digital.

Publicidade