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Ela foi a primeira mulher a participar das Mil Milhas brasileiras

Graziela Fernandes fez parte da equipe de pilotos da Alfa Romeo entre 1969 e 1973. E até hoje preserva seu Alfa Spider

Por Isadora Carvalho - 8 mar 2018, 19h24
Graziela e seu Alfa Spider: os motores foram seus “filhos"
Graziela e seu Alfa Spider: os motores foram seus “filhos” Alexandre Severo/Quatro Rodas

Numa época em que para ser piloto era preciso “ter braço e colocar a mão na graxa”, a atuação de uma mulher nos circuitos nacionais ficava restrita às esporádicas presenças estrangeiras.

Isso até Graziela Fernandes apaixonar-se pelos Alfa Romeo e decidir levar a relação aos limites da emoção.

“Ela abriu o caminho e a oportunidade para as mulheres seguirem carreira nas pistas”, diz Emílio Zambello, que na década de 70 era seu colega no time de pilotos e dono da equipe Jolly da Alfa Romeo.

“O desempenho dela era admirável, em sua primeira prova pela equipe chegou em quarto lugar entre 50 competidores”, afirma Zambello.

A paixão de Graziela, hoje com 64 anos, pela velocidade começou bem cedo.

Na adolescência, fez um curso técnico de engenharia de motores. “O curso era uma forma de me aproximar do meu sonho: correr na pista de Alfa Romeo, a marca campeã na Itália e em todo o mundo”, diz ela.

Sua primeira oportunidade no mundo da velocidade foi em uma prova feminina em 1964 com o próprio carro, um Willys Interlagos. Graças a sua participação na prova, foi contratada como piloto de testes da fábrica da marca.

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O sonho de pilotar um Alfa Romeo se concretizou quando foi convidada, em 1969, pela equipe Jolly a fazer parte do time de pilotos.

Com um Alfa GTA, ela disputou as Mil Milhas de 1970, que completou em sétimo entre mais de 50 carros.

“Não existiam limites para chegar na frente e não hesitava no momento de ultrapassar”, diz ela.

O Alfa Romeo GTA, com que disputou as Mil Milhas, foi preparado na Itália
O Alfa Romeo GTA, com que disputou as Mil Milhas, foi preparado na Itália acervo/Quatro Rodas

Em 1973, a equipe fechou as portas e Graziela parou de competir. “O patrocinador me ofereceu para correr na Stock Car em um Opala, mas sair de um Alfa e entrar em um Opala era um horror”, afirma ela.

“Mesmo pisando fundo, parecia que o Opala não saía do lugar perto do arranque e torque do Alfa”, diz Graziela, que também sentia falta do ronco do motor. “Parecia que algo estava errado, não era mais a mesma sensação. Aí, parei.”

Graziela resolveu experimentar novos ares. Tirou brevê, acumulou 7.000 horas de voo e ainda disputou corridas de lancha.

Mas não ficou distante das pistas. Competiu mais uma vez nas Mil Milhas em 1982 com o marido e até hoje participa de provas de regularidade com seu Spider conversível. Um Alfa, claro!

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