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“Caoa Chery italiana” muda cara dos SUVs e vende carro até em supermercado

DR Automobiles surgiu bem antes de a operação nacional ser criada e modifica frente dos carros chineses para vendê-los na Europa

Por Gabriel Aguiar Atualizado em 23 jun 2020, 18h54 - Publicado em 24 jun 2020, 07h00
Nosso Tiggo 7 recebeu novo visual e é chamado DR F35 DR Automobiles/Divulgação

Se Caoa Chery surgiu após Carlos Alberto de Oliveira Andrade – dono da empresa que leva suas iniciais – comprar 51% da filial brasileira, os chineses também arrumaram um parceiro para tentar a sorte na Itália. Mas, lá, a história é mais conturbada.

Para começar a entender todo o “rolo”, primeiro é necessário conhecer Massimo Di Risio, o responsável pela criação da DR Motors (depois, rebatizada como DR Automobiles). Filho de concessionário, o italiano fez carreira como revendedor e piloto.

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Essa é apenas uma das semelhanças com o médico paraibano, que também fez sucesso como dono de autorizadas. Desde 1979, a Caoa se tornou a maior revendedora da Ford na América Latina, além de representar oficialmente Hyundai e Subaru por aqui.

Também coube ao empresário nordestino fazer modelos da empresa sul-coreana pela primeira vez – antes da operação oficial, que só chegou em 2012, com o HB20. Primeiro, o caminhão HR foi nacionalizado em Anápolis (GO), em 2007, seguido por Tucson, ix35 e, depois, o New Tucson.

Primeira tentativa de Massimo Di Risio foi com a Katay Gonow Katay Gonow/Divulgação

Já a trajetória do italiano como fabricante começou em 2006, quando passou a fazer na Europa modelos da chinesa Gonow, uma subsidiária da GAC, com a marca Katay Gonow. Só que não é difícil perceber pela imagem acima que eram só cópias do Toyota Land Cruiser Prado.

DR5 foi o primeiro modelo da então DR Motors DR Automobiles/Divulgação

Naquele mesmo ano, Di Risio apresentou o SUV DR5 no Salão do Automóvel de Bolonha – que, na verdade, era uma versão do Chery Tiggo. E se a Katay sumiu do mapa, a DR ganhou fôlego: foram 21 emplacamentos em 2007. Já em 2008, passou a 1.953.

Os planos da pequena DR Motors pareciam dignos de contos de fadas automotivos. Até 2010, manteve o bom crescimento e, no fim da década passada, chegou a vender 5.059 carros. Além do SUV, passou a oferecer o DR1 (um Chery S18) e a Citywagon.

Citywagon era versão perua do Chery S18 DR Automobiles/Divulgação

Com a chegada desses novos produtos, o empresário italiano passou a ter uma rede própria de concessionárias. Até então, os veículos eram vendidos em hipermercados e, não bastasse isso, a montagem dos carros era feita em diferentes instalações no país.

Para melhorar a produção na Itália, Massimo Di Risio passou a negociar a aquisição da fábrica da Fiat em Termini Imerese – que produziu 500, Panda, Punto e Lancia Ypsilon. O valor seria de simbólico 1 euro, além dos investimentos, mas não deu certo.

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Chery QQ também foi vendido pela marca italiana DR Automobiles/Divulgação

Se por lá os negócios pareciam ir de vento em polpa, aqui no Brasil a Chery mal tinha cravado os pés de vez no mercado. Na nossa terra, a empresa chinesa estreou somente em 2009, sem ter nenhum representante local, com a primeira geração do Tiggo.

Entretanto, aquela que parecia ser a estratégia perfeita para aumentar a relevância da DR se tornou a pior decisão possível: em 2011, as vendas caíram a 2.961 unidades. Em 2012, foram só 736 e, em 2014, 349 carros (6.798% menos em relação a 2010).

Nosso Tiggo 2 é um dos modelos oferecidos pela marca atualmente DR Automobiles/Divulgação

Esse foi o mesmo período da derrocada das operações da Chery no Brasil. Em 2014, a empresa montou a primeira fábrica fora da China, em Jacareí (SP), mas a produção jamais chegou perto da capacidade máxima para até 150.000 veículos anualmente.

Para tentar dar a volta por cima, a DR Automobile passou a oferecer novos modelos – inclusive os que não fizeram sucesso no Brasil, como Face e QQ. Além disso, fechou parceria com a JAC para fazer o SUV T50, rebatizado por lá como DR4.

Hegemonia de carros Chery foi interrompida pelo Jac T40 DR Automobiles/Divulgação

Por aqui, o jeito foi repassar as operações dispendiosas e nada lucrativas (foi assim que a Caoa entrou na jogada). De fato, as vendas melhoraram no Brasil, com aumento de 130% em 2019 quando comparado a 2018. Já na Itália, o ganho foi mais discreto.

De apenas 415 emplacamentos em 2018, segundo pior resultado nos 12 anos de vendas cheias desde a estreia, a DR Automobile saltou a 1.225 unidades emplacadas em 2018. E, no ano passado, foram 3.242 carros, segundo melhor desempenho desde 2007.

Tiggo 5X, modelo de maior sucesso da Caoa Chery no Brasil, chama DR5.0 DR Automobiles/Divulgação

Por lá, a operação de Massimo Di Risio continua um tanto misteriosa, mas a oferta de carros é parecida à da Caoa Chery, com os nossos Tiggo 2, Tiggo 5X e Tiggo 7 – devidamente chamados DR3, DR5.0 e DR F35 –, ainda que tenham mudanças no desenho.

Aliás, essa é uma exclusividade dos italianos: se por aqui nossos carros são exatamente iguais aos chineses em termos visuais, por lá a empresa afirma ter um departamento de estilo capaz de influenciar as decisões da própria Chery. E há opções movidas a GLP (o popular gás de cozinha).

  • Para quem procura ainda mais excentricidade, é possível apelar à Evo, recém-lançada marca de (mais) baixo custo da DR Automobiles. Além de manter os veteranos Tiggo 3 e Tiggo 5 à venda, ela oferece versões próprias do JAC T50 e até do elétrico iEV40.

    Carros da Chery e da Jac também servem de base à linha Evo Evo/Divulgação

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    Fernando Pires/Quatro Rodas
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