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Caminhões autônomos já são usados em área de mineração no Brasil

Veículos foram comprados pela Vale para aumentar produtividade e diminuir custos operacionais

Por Raphael Panaro
Atualizado em 18 set 2018, 18h49 - Publicado em 18 set 2018, 17h48
Meia dúzia de pesados com radares, GPS e inteligência artificial transportam minério de ferro em Brucutu, Minas Gerais (Vale/Divulgação)

Carros autônomos ainda são uma realidade muito distante no Brasil. Em contrapartida, quem assume esse pioneirismo de tecnologia por aqui são os caminhões.

A Vale, empresa brasileira de mineração, adquiriu sete caminhões gigantes controlados apenas por sistemas de computador, GPS, radares e inteligência artificial.

Os modelos 793F CMD são produzidos pela Caterpillar, empresa americana especializada em veículos e maquinários voltados à construção civil e mineração.

O Caterpillar 793F pode levar até 226 toneladas de carga em sua caçamba (Caterpillar/Divulgação)

Os caminhões a diesel possuem um motor de 16 cilindros e 85 litros de cilindrada capaz de gerar 2.478 cv. Ele pode levar até 226 toneladas de carga e tem velocidade máxima de 60 km/h.

Com todos os equipamentos embarcados os caminhões autônomos podem custar até 50% mais que os convencionais. O valor de mercado é de mais de US$ 3,5 milhões – quase R$ 15 milhões.

Eles circulam sem gerência humana direta em uma área mineradora da Vale em Brucutu, Minas Gerais.

A adoção deste tipo de veículo tem influência direta na produtividade e na redução de custos. Entre os meses de maio e junho, a quantidade de carga movimentada em Brucutu passou de 853 para 866 toneladas/hora, com a velocidade média dos caminhões saltando de 22,9 para 23,9 km/h.

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Os veículos podem seguir uma faixa atribuída por um mapa da mina em constante alteração ou escolher o melhor percurso a partir de onde está localizado para onde o centro de controle da mina lhe informa para ir.

A Vale também espera que operação autônoma aumente a vida útil do equipamento em até 15%. Com menor desgaste de peças e consumo de combustível, os custos de manutenção devem ser reduzidos em até 10%.

A segurança é outro fator importante, já que os caminhões, de mais de 13 metros de comprimento e 5,7 metros de altura, dividem o espaço com outros veículos ainda operados por funcionários da empresa.

Os dispositivos embarcados conseguem identificar obstáculos e mudanças que não estavam previstas no trajeto determinado pelo centro de controle.

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Ao detectar riscos, os caminhões paralisam suas operações até que o caminho volte a ser liberado. O sistema de segurança é capaz de detectar tanto objetos de maior porte como grandes rochas, outros veículos e até seres humanos que estejam nas imediações da via.

Dentro da sala de controle, os operadores monitoram toda a locomoção dos caminhões dentro da mina (Vale/Divulgação)

E OS OPERADORES?

Segundo a Vale, parte da equipe foi submetida a cursos de capacitação e aproveitada na gestão e controle desses equipamentos autônomos. Eles supervisionam todo o processo a quilômetros de distância dos caminhões.

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Os demais operadores foram deslocados para outras funções na própria mina ou em outras unidades da empresa na região.

Nos primeiros três meses de 2019 mais seis veículos vão entrar em atividade. Com os 13 modelos em ação a mina de Brucutu será a primeira a operar de forma autônoma no Brasil.

CAMINHÃO CANAVIEIRO

Em 2017, depois de dois anos de desenvolvimento, a Volvo colocou em serviço um caminhão autônomo para atender a demanda de uma companhia canavieira em Maringá, no Paraná, e gerar maior produtividade.

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O caminhão autônomo roda ao longo das linhas da plantação, sem passar por cima dos brotos da cana-de-açúcar que restam após a colheita. A precisão chega a 2,5 cm – o modelo convencional não era tão certeiro assim: 30 cm.

O procedimento mais assertivo consegue eliminar 4% de perda da produção total durante o trajeto do corte nas lavouras – o índice normal gira em torno de 12% e quase 10 toneladas por hectare eram perdidos.

A precisão no trajeto do caminhão na plantação é extremamente importante, porque os brotos, também chamados de soqueiras, resultantes da colheita vão se transformar novamente em pés adultos de cana-de-açúcar nas safras subsequentes.

A tecnologia autônoma gera maior precisão na colheita e, claro, maior lucro (Divulgação/Volvo)
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