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A história bizarra do Fiat Palio Fire que foi parar na Alemanha

Usado pela Shell para estudar biocombustíveis, Palio 1.0 básico virou motivo de brincadeira e ganhou até adesivos da Abarth

Por Eduardo Passos Atualizado em 15 out 2021, 21h58 - Publicado em 16 out 2021, 05h00
Fiat Palio 1.0 de duas portas, à venda em loja da cidade alemã de Bremen
Fiat Palio 1.0 de duas portas, à venda em loja da cidade alemã de Bremen Reprodução/Internet

Redutos de brasileiros no exterior costumam ter suas lojinhas típicas, onde especiarias como arroz, feijão e guaraná ajudam a matar a saudade de casa. Se você nos lê da Alemanha, entretanto, há como ter esse gostinho de Brasil também ao volante.

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Na cidade de Bremen, em um dos países de maior tradição automotiva do mundo, está à venda um bem brasileiro Fiat Palio com motor 1.0 flex. O carrinho na cor vermelha é cotado a €2.499 (cerca de R$ 15.960) e está, inclusive, mais barato que seu preço de tabela nacional.

A história curiosa foi revelada pelo perfil @exoticdiplomatcs no Instagram, que, ao divulgar o anúncio peculiar, acabou gerando, de fato, ainda mais curiosidade sobre a história do Palio. 

A reportagem de QUATRO RODAS conseguiu acesso até aos documentos alemães do Fiat popular fabricado em Betim (MG). Mas nem seu atual proprietário, o vendedor de carros Kamerran Anur, sabe muito bem como ele foi parar ali. “Eu comprei esse carro de um homem velho. Estava parado há oito anos em sua garagem”, explica Anur, que diz não ter guardado nenhum contato do antigo dono.

Documento de transferência do Palio da Shell para o segundo dono
Documento de transferência do Palio da Shell para o segundo dono Acervo/Quatro Rodas

Os documentos do Fiat Palio corroboram Kamerran Anur, e mostram que desde 2013 o carro tem um dono “pessoa física” e que, desde então, as taxas anuais do carro não vêm sendo pagas. A reportagem chegou a contactar quem vendeu o hatch a Anur, mas não obteve retorno.

Cobaia de laboratório

Além de suporte para placa no padrão europeu, Palio carrega adesivo da concessionária Itapema e da Abarth
Além de suporte para placa no padrão europeu, Palio carrega adesivo da concessionária Itapema e da Abarth Reprodução/Internet

Antes disso, porém, o carro teve muitas histórias para contar, mesmo com apenas 27.000 km rodados (por conta própria, claro). O Palio chegou à Alemanha em 2007, importado por ninguém menos que a Shell Global Solutions.

A sucursal da petrolífera é focada no aumento de eficiência energética de plantas industriais, diminuição das emissões de CO2 e racionalização do consumo de energia e parece ter gostado do que viu no motor 1.0 Fire flex.

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Adesivo da divisão esportiva da Fiat também foi colocado no painel
Adesivo da divisão esportiva da Fiat também foi colocado no painel Reprodução/Internet

O que gera dúvidas, por outro lado, são os adesivos da Abarth na tampa do porta-malas e no painel. Seja positiva ou não, fato é que os alemães não perderam a piada ao lidar com o exótico brasileiro, com tecnologia para a queima de etanol que hoje é crucial para o plano da Shell de reduzir emissões de carbono nos transportes.

Das margens da BR-381 para alguma autobahn alemã
Das margens da BR-381 para a faixa da direita de alguma autobahn alemã Reprodução/Internet

Levar um raríssimo carro flex ao país europeu há 14 anos teve suas peculiaridades, e o teste de emissões feito para emplacar o modelo ocorreu, claro, apenas com uso de gasolina. O sistema estatal também teve que dar um jeitinho, e enquanto gasolina (benzin, em alemão) tem sigla BZ no documento, o etanol é escrito por extenso mesmo.

Documento do Palio destaca motor a BZ (gasolina) e etanol
Documento do Palio destaca motor a BZ (gasolina) e etanol Acervo/Quatro Rodas

As autoridades alemãs também deram “vida nova” ao Palio: ainda que os dados do chassi indicam que o modelo tenha sido fabricado em 2006, ele ganhou novo aniversário no Hemisfério Norte, comemorado em 21 de março.

Reportagem encontrou, no Brasil, outros Fiat Palio quase idênticos ao vendido na Alemanha. Sempre mais rodados e mais caros
Reportagem encontrou, no Brasil, outros Fiat Palio quase idênticos ao vendido na Alemanha. Sempre mais rodados e mais caros Reprodução/Internet

Caso nenhum brasileiro se interesse pelo inusitado expoente da tecnologia visionária dos carros a álcool, as chances é de que o Fiat seja vendido como um carro exótico qualquer, rumo ao ostracismo ou desmanche.

Não fosse pela direção hidráulica, os alemães entenderiam muito bem a expressão
Não fosse pela direção hidráulica, os alemães entenderiam muito bem a expressão “pé-de-boi” Reprodução/Internet

O próprio Kamerran Anur estranhou a busca internacional pelo exemplar. “Por que está interessado nessa coisa, se posso saber?”, perguntou, sem imaginar que há coisas sentimentais até mesmo em um motor de 1.0 de 66 cv.

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A edição 750 de QUATRO RODAS já está nas bancas! Arte/Quatro Rodas
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