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Farus Beta é conversível fora-de-série que foi exportado até para o Japão

Diferenciado, o esportivo mineiro foi um dos poucos modelos genuinamente nacionais a se aventurar por ruas e estradas estrangeiras

Por Felipe Bitu 14 Maio 2022, 10h25

Estrela do Salão de São Paulo em 1984, o Farus Beta marcou o retorno do fabricante mineiro aos motores transversais. Fornecidos pela General Motors, motor e câmbio eram os mesmos usados no Chevrolet Monza e foram essenciais para firmar o sucesso do Farus (cupê e conversível) no concorrido mercado de veículos fora de série da época.

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A história da Farus tem início em 1976, ano em que o industrial Giuseppe Russo percebeu que a proibição das importações, em 1976, aumentaria a demanda por automóveis voltados ao público de alto poder aquisitivo. Entusiasta de esportivos, ele aproveitou a oportunidade para fundar a Farus (Família Russo) em parceria com seu pai, Alfio Russo.

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Proprietário de um Puma, Giuseppe percebeu que a maioria absoluta dos fora de série nacionais se escorava na confiabilidade da mecânica VW, apesar de suas inúmeras limitações. Pensando nisso, decidiu desenvolver uma plataforma própria, impulsionada por um conjunto propulsor mais moderno e eficiente.

Farus Beta
Alavanca do câmbio era a mesma do Chevrolet Monza Fernando Pires/Quatro Rodas

A busca por profissionais capacitados terminou quando Giuseppe conheceu o russo Arcadiy Zinoviev e o brasileiro Jose Carlos Giovanini, ambos integrando o quadro técnico da Fiat Automóveis. Egresso da Lotus Cars, Zinoviev tinha grande familiaridade com o chassi em formato de “Y” duplo, formado por chapas de aço dobradas e soldadas.

Aperfeiçoado por Colin Chapman, esse tipo de chassi funciona como uma espinha dorsal formada por chapas de aço dobradas e soldadas. A técnica dispensa o emprego de ferramental e prensas de estamparia e foi muito utilizada no mundo todo para reduzir os custos industriais de esportivos produzidos em baixa escala.

As extremidades do chassi serviam como ponto de ancoragem das suspensões independentes McPherson. Primeiro modelo da Farus, o cupê ML 929 foi apresentado em 1981 e era impulsionado por um motor Fiat transversal de 1.3 e 72 cv, logo substituído pelo motor (e câmbio) longitudinal de 1.6 e 96 cv do Passat TS no cupê TS.

Farus Beta
Assento baixo favorecia motoristas altos Fernando Pires/Quatro Rodas

 

Pensado também para o mercado internacional, o Beta adotou o motor de 1.8 e 106 cv fornecido pela General Motors como estratégia. Projeto mundial, o Chevrolet Monza representava o que havia de mais atual no mercado e seu conjunto mecânico facilitaria a manutenção do carro no exterior.

“As unidades exportadas para o Japão e a África do Sul exigiram uma revisão no projeto devido ao volante posicionado no lado direito”, conta Giuseppe. “O mercado alemão também exigiu alterações nos sistemas de alimentação e ignição devido a uma legislação de emissões muito mais rígida que a brasileira.”

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Farus Beta
Faróis escamoteáveis eram obrigatórios num fora de série Fernando Pires/Quatro Rodas

 

A carroceria conversível consolidou o sucesso do Beta no Rio de Janeiro, capital onde os esportivos mineiros eram representados pela lendária distribuidora Lemos & Brentar. Em 1987, o Beta passou a oferecer o novo motor de 2 litros e 110 cv do Monza.

O interesse de investidores estrangeiros levou o Beta a participar do Salão do Automóvel de Nova York, em 1987, mercado em que receberia motores Chrysler de quatro cilindros com 2.2 litros, injeção eletrônica e turbo. Apesar do sucesso no evento, as negociações não prosperaram.

Farus Beta
Lanternas do VW Voyage e maçanetas do Fiat 147 Fernando Pires/Quatro Rodas

 

Realizada em outubro de 1988, a 15a edição do Salão do Automóvel de São Paulo exibiu o primeiro Beta com motor VW 2.0, o mesmo do Santana. Avaliado no ano seguinte, o protótipo impressionou pelas reações imediatas do acelerador, mas ainda precisava de acertos para melhorar a dirigibilidade em baixas velocidades.

Pouco tempo depois, a Farus foi vendida, ocasião em que o italiano Giuseppe “Pino” Marinelli assumiu o posto de diretor-geral. Caro e com apenas dois lugares, o Beta teve sua produção encerrada em 1989 em favor do Farus Quadro, desenvolvido para clientes fiéis que agora necessitavam de um banco traseiro para acomodar os filhos. Abalada pela concorrência dos importados, a Farus encerrou suas atividades em 1991.

Farus Beta
Porta-malas atrás do motor, como no Toyota MR2 Fernando Pires/Quatro Rodas

Ficha Técnica Farus Beta – Farus Beta Conversível 1986

Motor: transversal, 4 cilindros em linha, 1.796 cm3, comando de válvulas simples no cabeçote, alimentação por carburador de corpo duplo
Potência: 106 cv a 5.600 rpm
Torque: 15,6 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração traseira
Carroceria: aberta, 2 portas, 2 lugares
Dimensões: comprimento, 390 cm; largura, 183 cm; altura, 120 cm; entre-eixos, 240 cm; peso, 1.080 kg
Pneus: 175/70 R 13

PREÇO em Abril de 1989: NCz$ 24.000
Atualizado: R$ 335.000
(Salário mínimo)

Capa Ed. 345 Quatro Rodas

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