Clique e assine por apenas 5,90/mês

Tudo que você precisa saber antes de mudar rodas e pneus do seu carro

Até onde o dono do carro pode ir no que diz respeito às especificações dos pneus e das rodas?

Por Fernando Miragaya - Atualizado em 30 set 2020, 21h52 - Publicado em 1 out 2020, 07h52

Pneuzinhos, medidas maiores… calma, não nos tornamos uma revista de dietas milagrosas em sete dias. O assunto aqui é a borracha, mesmo. QUATRO RODAS vai mostrar se há margem para dar uma engordadinha na peça, mas também lembrar quando os excessos podem comprometer todo o regime do veículo.

Você já está cansado de ouvir que pneu correto e bem calibrado é tão importante para o carro quanto uma dieta saudável é fundamental para o corpo humano. O problema é que, assim como com nosso organismo, às vezes gostamos de abusar com nossos automóveis. E em geral a extrapolada começa pela roda e pelo pneu.

Aumentar ou diminuir as medidas do conjunto é tão tentador quanto uma torta de chocolate. Mas, assim como você pode (ou deveria) se contentar com apenas um pedacinho do diabo em forma de doce, existe uma tolerância para mudar o pneu?

Para começo de conversa

A Resolução 292 do Contran não prevê nenhuma tolerância para alteração nas medidas do pneu. O artigo 8º, por exemplo, proíbe que as rodas e os pneus ultrapassem os limites externos dos para-lamas e também a modificação do tamanho do diâmetro externo do conjunto roda e pneu.

Isso quer dizer que o consumidor pode ficar sujeito a multas ou ter problemas na hora de fazer vistorias no veículo. “Se você tem um carro que utiliza pneus com aro 14 e deseja substituí-los por aro 16, o diâmetro externo total do pneu deve ser rigorosamente o mesmo”, exemplifica Rafael Astolfi, gerente de assistência técnica da Continental Pneus.

Só que a realidade é outra, e a verdade é que muitos não seguem a dieta à risca. Por essa razão, é importante conhecer os limites de tolerância para não comprometer as configurações de fábrica do veículo nem a dirigibilidade, a segurança e o consumo do carro.

Justamente por isso, criou-se uma margem de segurança de 3%. Esse percentual não tem embasamento técnico. Ele segue a tolerância de desenho da ETRTO (European Tyre and Rim Technical Organisation), entidade que determina as especificações de pneus na Europa.

A Associação Latino-Americana de Pneus e Aros (Alapa) também aderiu a essa premissa. Aqui, o Inmetro, na Portaria 165, de 2008, é outro que adota o número: a altura dos flancos ou laterais dos pneus pode variar em até +/- 3%.

Baseado nessa margem, um veículo que utiliza originalmente pneus 175/65 R14 pode montar pneus 185/55 R15 sem provocar alterações significativas no veículo.

“Essas são as dimensões que chamamos de equivalentes entre si. Fora dessa tolerância, as alterações mecânicas passam a ser mais importantes e podem comprometer”, adverte Flavio Santana, gerente de produto da Michelin.

O que deve ser observado 

Ok, a gente fala que frango frito não é legal para a saúde. Mas se o dono do carro quer porque quer mudar a medida do pneu… Ao que ele deve ficar atento?

Primeiramente, se certificar de que o diâmetro não sofrerá alterações e que o pneu não ultrapassará os limites do para-lama. Além disso, é preciso confirmar se o aro usado admite a montagem da nova medida, pois, além do diâmetro, a largura também deve estar adequada ao pneu substituto.

Após a montagem, aí é preciso rodar com o carro e girar o volante para garantir que o pneu não entra em contato com alguma parte do veículo.

Pneus
Renato Pizzuto/Quatro Rodas

Números e letras 

Um aspecto fundamental diz respeito às características do pneu. É imprescindível seguir o índice de carga e velocidade, aqueles códigos alfanuméricos que indicam o peso que um pneu é capaz de transportar na velocidade indicada pela sua classificação dentro das especificações do fabricante do automóvel.

Continua após a publicidade

É possível verificar esses índices no Manual do Proprietário. “É importante nunca usar peças com capacidade inferior à das originais de fábrica”, alerta Astolfi, da Continental.

E na hora de calibrar? 

Aqui pode se tornar um drama. Se você mudou as dimensões do pneu, é preciso estar atento na hora de calibrar. Lembre-se que a engenharia do fabricante indica uma pressão de acordo com a dinâmica e de comportamento que pretende para aquele modelo, depois de exaustivos testes.

A partir do momento em que se alteram as medidas, muda também a calibragem. O problema é que não há conta matemática para isso, justamente porque cada pneu tem uma calibragem dentro daquele comportamento projetado para o carro, no que diz respeito a desempenho, conforto, dirigibilidade e consumo.

“É preciso se certificar de que o tipo de construção do pneu substituto seja o mesmo dos originais, o que é o recomendado. Nesses casos, a pressão dos novos pneus deve seguir a recomendada de fábrica. Caso a construção do novo pneu seja diferente da dos originais, o melhor caminho é consultar um especialista para obter a correta indicação de pressão”, aconselha Roberto Ayala, gerente de Engenharia de Vendas da Bridgestone.

Rodízio, balanceamento… 

Nada muda em relação aos pneus originais. Todos esses serviços devem ser seguidos nos prazos estipulados pelo fabricante – rodízio, geralmente a cada 5.000 km, e alinhamento/balanceamento, a cada 10.000 km.

Mas e o sensor? 

Qualquer alteração em carros com sensores de monitoramento de temperatura dos pneus deve ser feita nas concessionárias. As peças ficam instaladas geralmente dentro das rodas e próximas às válvulas.

Por falar na rede, os especialistas indicam fazer essas mudanças de pneus e aros nas revendas autorizadas, uma vez que muitas vendem conjuntos diferentes. Só que estes foram homologados pelo fabricante e seguem as características do automóvel.

Efeitos colaterais 

Bom lembrar que escapar das regras pode ser como abusar de linguiça acebolada ou feijoada. Mas a azia, no caso do carro, pode vir de diferentes formas, de acordo com o que você alterou.

Pneus mais largos até melhoram a aderência, mas elevam o consumo (em média, 5%), aumentam o peso ou o esforço mecânico do sistema de direção, o que pode causar um maior desgaste desses componentes. Já em piso molhado, aumenta a possibilidade de aquaplanagem.

Pneus mais baixos aumentam a estabilidade, porém comprometem o conforto, já que podem transmitir mais vibrações na carroceria. Também podem comprometer a vida útil de juntas, painel do veículo, forrações internas, portas e mesmo desgaste prematuro das molas e amortecedores.

Pneus mais altos que os originais: vão melhorar o conforto e a capacidade de superar obstáculos no uso fora de estrada, ou mesmo em lombadas e valetas. Contudo, diminuem muito a estabilidade do veículo, o que compromete a segurança.

Velocidade e estabilidade

Outro efeito inevitável é no quadro de instrumentos. Pneus em especificações diferentes não vão representar fielmente a velocidade e a quilometragem no painel. Considere que um pneu diferente pode roubar cerca de 10% da velocidade real na qual você trafega. Ou seja, se marca 80 km/h, você pode estar a 88 km/h.

Outra coisa é que mudanças muito radicais afetam outros componentes, como direção, freios e suspensão. E também podem interferir até no funcionamento dos controles de estabilidade e tração.

“É o fabricante do veículo quem define quais os parâmetros de dirigibilidade, conforto, estabilidade e consumo para cada automóvel, o que inclui o conjunto pneu/roda. A mudança dessas características pode ocasionar alterações nos parâmetros de fábrica para o carro”, reforça Fabio Magliano, gerente da Pirelli.

Continua após a publicidade
Publicidade