Nove dicas para evitar acidentes no trânsito

Não existe vacina 100% segura para evitar acidentes, mas você pode reduzir as chances de fazer parte da estatística

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Entrar no carro, colocar o cinto de segurança, dar a partida, engatar a marcha… Nada mais automático e mecânico para um motorista experiente, certo? Errado. Encarar o ato de dirigir como uma sequência rotineira de movimentos e situações conhecidos é meio caminho para se envolver em um acidente, ainda mais em trajetos percorridos repetidamente, como ir e voltar do trabalho. O modo como você e os demais motoristas ao redor dirigem, bem como a atenção dispensada ao complexo ato de conduzir um automóvel, faz toda a diferença. Nem o mais habilidoso e responsável condutor está livre de ficar à mercê de alguém imprudente ou desatento, um encontro que pode ocorrer no próximo cruzamento à sua frente.

Nos Estados Unidos, as autoridades de trânsito estimam que um em cada quatro acidentes é provocado por falta de atenção de um motorista. E tem mais: essa estimativa não inclui aquelas batidas em baixa velocidade que não machucam ninguém – mas dão prejuízo e dor de cabeça – e que não costumam ser registradas.

Diante disso, o que fazer? Se você tem interesse no assunto, já é um bom sinal: você provavelmente não dirige alcoolizado nem usa o telefone celular ao volante e respeita as regras de trânsito. E dá para se prevenir ainda mais. Com alguns macetes, você reduz as chances de ser surpreendido pelas situações mais propícias a acidentes. As recomendações foram levantadas com a ajuda de quem lida diariamente com o assunto: Cesar Novaes, instrutor e consultor de direção segura, Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do departamento de medicina ocupacional da Associação Brasileira de Medicina do Trânsito (Abramet), Leandro Oliveira, assessor técnico de segurança da Volvo, e Randal Fonseca, da Rescue Training Internation (RTI) Brasil, especializada em treinamentos de segurança. Aplicando as dicas, você dá uma ajuda e tanto para o seu anjo da guarda.

 

CHUVA E PISTA MOLHADA

Risco: derrapagem e colisão traseira.

O que fazer: pista molhada exige atenção e velocidade moderada. Um jeito simples e eficiente de andar na chuva com mais segurança é subir uma marcha. “O motor vai trabalhar com rotação mais baixa e reagir mais lentamente. Em pista molhada, isso ajuda a evitar derrapagens”, diz o instrutor Cesar Novaes. Leandro Oliveira, da Volvo, acrescenta outra recomendação: “Sempre que possível, prefira as faixas mais centrais de uma avenida ou estrada, que costumam acumular menos água. Isso reduz as chances de aquaplanagem”, afirma. E é recomendável aumentar a distância para o veículo à frente: em vez de usar a regra dos 3 segundos, espere 6 segundos.

 

CRUZAMENTOS

Risco: colisão lateral.

O que fazer: atravessar o caminho por onde passam outros veículos naturalmente traz mais riscos, mesmo quando há um semáforo. O National Safety Council, entidade americana que cunhou o termo direção defensiva, estima que, nos Estados Unidos, uma em cada três colisões entre dois veículos é lateral. Ainda que você nunca ultrapasse o sinal vermelho, não dá para garantir que todos vão fazer o mesmo. Para evitar sustos, há um macete para você se prevenir quando for o primeiro da fila: em vez de esperar o sinal verde com o carro em primeira marcha e acelerar no primeiro instante, deixe o câmbio na posição neutra e relaxe os braços sobre as pernas. O tempo que você leva para engatar a marcha é suficiente para o caminho à frente ficar livre ou evitar que um apressado atinja a lateral do seu carro. O ideal é reduzir a velocidade antes de chegar ao sinal fechado, para não precisar parar no cruzamento – uma medida de segurança e que economiza combustível. Mas, quando o semáforo abrir, nada de pisar fundo no acelerador. Atravesse o cruzamento sem pressa e nunca se esqueça de observar os dois lados, mesmo com sinal verde: se outro veículo surgir em alta velocidade, você terá tempo de pisar no freio e evitar a colisão.

 

OFUSCAMENTO POR FAROL ALTO

Risco: falta de visibilidade.

O que fazer: essa situação é mais comum em rodovias, mas também pode ocorrer em caso de falta de luz ou em cidades mal iluminadas. Um automóvel vem no sentido oposto ao seu com farol alto e, pronto, você deixa de enxergar o caminho por tempo suficiente para passar em um buraco, atingir um obstáculo ou, em casos mais graves, invadir o sentido contrário da pista. “Essa cegueira temporária pode durar até 4 segundos”, afirma Dirceu Rodrigues Alves Júnior, da Associação Brasileira de Medicina do Trânsito (Abramet). Logo que você perceber um veículo com farol alto vindo em sua direção, olhe para baixo e à direita, em direção à faixa branca que delimita a rodovia ou ao meio-fio da rua. “Isso ameniza o fechamento da pupila e você consegue manter a trajetória correta, mesmo se houver uma curva à frente”, diz.

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ULTRAPASSAGEM

Risco: colisão frontal.

O que fazer: as colisões frontais nas rodovias brasileiras respondem por menos de 4% dos acidentes, mas provocam quase 20% das mortes, segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura Rodoviária (DNIT). Dois macetes podem deixá-lo mais seguro quando precisar ultrapassar um veículo numa estrada de pista simples, em especial ônibus e caminhões. “Deixe o veículo se afastar um pouco antes de reduzir a marcha e aumentar a potência do seu carro. Você verá melhor se o caminho está livre e usará esse espaço para ganhar a velocidade necessária”, diz o instrutor Cesar Novaes. A segunda medida é sempre dirigir com o farol baixo aceso, mesmo durante o dia. Pesquisas mostram que um carro se torna até quatro vezes mais visível assim, e essa atitude reduz de 10% a 15% as colisões diurnas entre dois ou mais veículos. Acender o farol baixo durante o dia também é útil na cidade: o olho humano é sensível à luz e sua presença será mais notada tanto por outros motoristas quanto por motociclistas e pedestres.

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TRAVESSIA DE PEDESTRES

Risco: atropelamento.

O que fazer: Pedestres são os as vítimas mais vulneráveis no trânsito. No Brasil, correspondem a 28% dos mortos em acidentes. Quem dirige pode reduzir a gravidade dos atropelamentos andando mais devagar perto de pontos de ônibus, escolas e ruas com maior fluxo de pedestres. Uma pessoa atropelada por um carro a 30 km/h tem 90% de chances de sobreviver, índice que cai para menos de 50% se o veículo estiver a 45 km/h. E não precisa olhar para o relógio: para ir de uma esquina à outra em um quarteirão de 100 metros, você vai levar só 4 segundos a mais. Chamar a atenção do pedestre também evita acidentes. Ao sair de um estacionamento com pouca visibilidade, situação comum em garagens subterrâneas, dê um leve toque na buzina e use o farol baixo. Sempre sinalize mudanças de direção, mesmo sem veículos por perto ou se a conversão for obrigatória. Sabendo aonde o carro vai, o pedestre avalia melhor se tem tempo para atravessar ou não. E redobre a atenção quando a fila de carros ao lado estiver parada: sempre pode haver um pedestre andando fora da faixa de segurança.

 

 

CONVERSÃO À ESQUERDA

Risco: colisão lateral ou frontal

O que fazer: Tente prestar atenção quando você passar pelo próximo cruzamento em que um carro vai virar à esquerda. Provavelmente o motorista vai girar o volante antes de atravessar o sentido oposto – e vai estar com uma das mãos por dentro do aro. Dois erros perigosos, segundo explica Cesar Novaes. Se um distraído não vir esse carro e bater em sua traseira, com os pneus desalinhados ele fatalmente vai invadir o sentido contrário, correndo o risco de ser atingido por outro veículo. “E esse mesmo impacto pode machucar os dedos e o pulso do motorista, se sua mão estiver por dentro do volante”, afirma Novaes.

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MOTOS AO REDOR

Risco: colisão lateral.

O que fazer: Quanto mais crescem os congestionamentos urbanos, mais motocicletas aparecem nas cidades – e também aumenta o número de acidentes e vítimas. Um recurso para evitar problemas é nunca se esquecer de usar a seta ao mudar de direção e regular os espelhos externos corretamente – quanto mais aberto, maior o campo de visão. Leandro Oliveira dá outra dica para você ter certeza de que não há uma moto ou qualquer outro veículo no ponto cego. “Antes de mudar de faixa ou quando estiver em velocidade constante há algum tempo, alivie ou aumente levemente a pressão sobre o acelerador”, diz. “Essa pequena variação é suficiente para alterar o ponto de vista e mudar o ponto cego.”

 

ESTACIONAMENTO A 90 GRAUS

Risco: colisão lateral e atropelamentos

O que fazer: em estacionamentos de shoppings, supermercados ou condomínios, é mais seguro deixar o carro de ré, em vez de entrar na vaga de frente. Dá um pouco mais de trabalho quando você chega, mas facilita sua vida depois: ao sair de uma vaga de ré, você precisa expor quase dois terços do carro no caminho dos demais veículos. Se você já está de frente, terá melhor visibilidade e só vai acelerar quando não houver ninguém no seu caminho. Não está convencido? O próximo argumento vai fazer você pensar de novo: o risco de atropelar uma criança encoberta pela traseira do carro. Nos Estados Unidos, esse tipo de acidente provoca quase 300 mortes por ano.

 

DISTÂNCIA ENTRE DOIS VEÍCULOS

Risco: colisão traseira

O que fazer: o para-e-anda dos congestionamentos acaba com a paciência e a atenção de muitos motoristas. Um estudo da Volvo estima que 75% das colisões nas cidades ocorrem a no máximo 30 km/h, muitas vezes por distração de quem dirigia muito perto do veículo à frente. Para garantir uma distância segura no trânsito lento, basta olhar para o chão. “O motorista tem de ver os pneus do veículo à frente tocando o solo”, diz Randal Fonseca, da RTI Brasil. Se alguém bater na sua traseira, essa distância será suficiente para você não atingir o veículo à sua frente – o que significa uma pessoa a menos em uma discussão que nunca é agradável – e curta o bastante para você não perder seu lugar na fila. Nas estradas, a tática é medir essa distância por tempo: ao ver o veículo à frente passar por um ponto fixo, como uma árvore ou uma placa de sinalização, conte quantos segundos você leva para chegar a esse local, seja qual for a velocidade. Se for menos de 3 segundos, alivie o acelerador e vá mais devagar. Por quê? A 120 km/h, por exemplo, um veículo percorre 100 metros nesse intervalo, distância suficiente para o motorista perceber uma emergência, pisar no freio e parar o carro.

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